No Dia Mundial do Meio Ambiente, nada como falar da natureza. Mesmo que pertençam biomas exóticos, que sejam de outro países. Com o isolamento social, é até um bálsamo para a alma falar das flores, das matas, dos pássaros. Pois não é que o confinamento dos humanos provocado pela pandemia do coronavírus acarretou fenômeno curioso? A regeneração da natureza e o aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas, o que foi observado com intensidade inclusive em Pernambuco. Nesta semana, o #OxeRecife recebeu informação de que fato semelhante ocorreu na Nova Zelândia, no outro lado do mundo. Durante o lockdown lá praticado por conta da Covid-19, foi constatado mudança de comportamento entre os pássaros.
Eles passaram a se aproximaram mais das pessoas, chegando inclusive a penetrar nas casas. Mas mesmo durante as medidas mais restritivas de circulação naquele país da Oceania, importante trabalho de conservação para proteger espécies nativas continuou a ser realizado. Inclusive com tūturuatu (foto acima), uma das espécies mais ameaçados de extinção do mundo. E da qual só restam 250 indivíduos na natureza daquele país. Durante a quarentena, cinco jovens da espécie foram autorizadas a viajar de avião, em operação considerada considerada essencial pelo Departamento de Conservação daquele país.

Os pássaros voaram rumo a Wellington (capital da Nova Zelândia) para o santuário Zealandia, uma das mais disputadas atrações turísticas no país. Apesar da grande demanda dos visitantes, o parque é ecossistema urbano cercado, e que tem objetivo de restaurar a natureza, sendo responsável pela reintrodução de 18 espécies de animais selvagens nativos em suas regiões de origem. No Zealandia, o turismo e a defesa da natureza de complementam, o que é muito bom.
E foi justamente lá, no refúgio de 225 hectares, novo habitat dos tūturuatus, que se percebeu que a natureza começou a reviver. Os animais ali estabeleceram uma nova rotina e ficaram “mais atrevidos”, segundo os gestores do parque. Sem ninguém por perto, passaram a percorrer inúmeros caminhos de reserva da vida selvagem e, quando um guarda florestal estava por perto cumprindo seus deveres, os animais, curiosos, se aproximavam e até pousavam no guidão dos seus quadriciclos, situação que nunca aconteceu antes. Esse fenômeno também foi percebido por toda a Nova Zelândia, levando diversão às pessoas ao ver pássaros em seus bairros que antes não eram percebidos. A guardiã chefe do santuário de pássaros Zealandia, Ellen Irwin, sugere que não necessariamente só os pássaros tenham mudado de comportamento, mas também as pessoas.
“Com a vida mais silenciosa e lenta, é possível que as pessoas também estejam desacelerando e percebendo mais os pássaros e a natureza. Talvez eles tenham estado sempre por lá, mas só agora conseguimos vê-los”, comenta Irwin. A Nova Zelândia abriga 168 espécies de aves, um quarto pássaros por lá são endêmicos (não encontrados em nenhum outro lugar do mundo). O kiwi (foto centrao) é o pássaro mais famoso e também o mais incomum. É a ave símbolo da Nova Zelândia, e também uma das mais ameaçadas. O pássaro é peludo, pequeno e bicudo. Mas apesar de ser ave, não tem asas. Por esse motivo, não voa. Ele é noturno e vive em buracos cavados no solo. Para garantir a sobrevivência dele e de todas as espécies raras e únicas, além das aves ameaçadas de extinção, o país conta com o trabalho do Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DOC), que é referência mundial em ciência da recuperação de aves, o que não é pouco. Vamos torcer para que as aves ameaçadas se multipliquem, lá e também cá, no Brasil. Aqui, diferente da Nova Zelândia, o governo federal não tem o mesmo zelo com a natureza.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / TNZ
