O Recife é uma cidade verde?

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Dá para acreditar? O Recife ocupa hoje o segundo lugar entre as capitais brasileiras cadastradas no ranking do Programa Nacional para Áreas Urbanas Cidades + Verdes, do Ministério do Meio Ambiente. Em que pese a selva de concreto cada dia maior (foto acima), a nossa capital ainda possui 582 hectares de áreas verdes, somando-se parques (18), praças (562), agricultura urbana (um) e Jardim Botânico (um). O levantamento é da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, que cadastrou os imóveis. Os números provocam surpresa, pois o que a gente mais vê no Recife são cenas de arboricídios provocados pela motosserra insana.  E aquilo que chamamos de “ruas áridas”, que não possuem um verde, sequer em quantidade cada vez maior no Centro e subúrbios.

Como ocorre com as ruas Barbosa Lima Sobrinho, Calçadas, Aragão (centro); Lauro Montenegro (Espinheiro) e Augusto Reinaldo Silva (Cordeiro), só para citar algumas já enfocadas aqui no #OxeRecife. Também há praça que, de praça, só têm mesmo o nome. A foto acima é do nosso amigo Grinaldo Gadelha. Foi feita  com drone, no Bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. Mas é bem simbólica, pois mostra uma pequena ilha verde cercada de concreto por todos os lados. O que, enfim, é cada dia mais frequente no Recife,como se observa abaixo, realidade comum em bairros como São José, Santo Antônio e até mesmo no Recife Antigo. Se há o mapa verde, deveria haver, também, o cadastro das áreas que precisam de arborização. E, se nossa cidade, onde o que mais se vê é a prática de arboricídio e as chamadas “ruas áridas”, imaginem, então, como estão as outras capitais brasileiras.

Rua das Calçadas, bairro de São José, tida como árida: sem uma árvore e nem mesmo um jarro com flor.

Aquele programa nacional é voltado para gestão, ampliação, manutenção e recuperação de áreas verdes da cidade. E isso o Recife precisa sim. Não é tudo, ter parques e praças (no papel) os quais nem sempre são assim tão verdes na vida real. Precisamos cuidar da preservação de áreas verdes que nos restam. Como é o caso do terreno do Hospital Ulysses Pernambucano, que por pouco não virou um shopping center e que há quase 20 anos a população sonha em vê-lo transformado em parque. E que é cobiçado pela especulação imobiliária. Nesta semana, a Prefeitura anunciou que está enviando projeto de lei à Câmara Municipal,com novidades na arborização da cidade. Vamos ver no que é que dá.

O #OxeRecife acompanha com muita atenção a degola de árvores da cidade (Parem de derrubar árvores) e também faz registro daquilo que chamamos de ruas áridas, na série #RecifeEmergênciaClimática, documentando vias como aquelas que não possuem uma árvore plantada, sequer. Os números não são nada animadores. Sobre as árvores erradicadas, só aqui no #OxeRecife, já foram publicados  347 posts sobre o assunto, o que o Blog faz sistematicamente. O total assusta: 744 que sumiram do mapa, desde 2017. Muitas sem reposição.  Mas atenção: esse número é apenas o que se refere a  casos registrados, fotografados e com endereços referidos aqui no #OxeRecife. Porque a realidade é muito pior  pelas nossas estimativas, já aqui divulgadas neste mesmo espaço.

O Recife possui ….. parques, mas nem sempre tão floridos quanto o Parque da Jaqueira: área nobre da cidade

Caso vocês queiram conferir os números oficiais, podem verificar o ranking nacional através do Cadastro Ambiental Urbano (CAU) na sua versão cidadão. A  ferramenta digital serve para a identificação, mapeamento, qualificação e divulgação das áreas verdes.. O serviço é gratuito e todos os municípios do Brasil podem cadastrar em detalhes suas áreas verdes urbanas, indicando o tipo e sua estrutura. O resto é o que a gente vê nas ruas. Por meio dessa iniciativa, a Prefeitura  pode integrar informações para aprimorar a gestão ambiental territorial das áreas verdes urbanas, permitindo “identificar áreas prioritárias para investimentos”, segundo a PCR. Tomara que não sejam investimentos imobiliários!

De acordo com o Plano de Ordenamento Territorial, de 2018, o Recife possui 38% do seu território protegido por unidades de conservação da natureza (UCN), conferindo um índice de aproximadamente 60 m² de área verde por habitante. Mas quatro anos depois, com certeza aquele percentual não é mais o mesmo, não é? “Totalmente inserida no bioma da Mata Atlântica, a cidade se direciona para que as infraestruturas verdes urbanas sejam ampliadas e qualificadas, produzindo uma série de benefícios sociais e ecológicos”. Através dessa ferramenta online, a gestão também pode delimitar os espaços verdes do município, categorizá-los como praças, parques, hortas urbanas, e ainda listar as estruturas e serviços de cada área, como ciclovias, quadras esportivas, banheiros, estacionamento, iluminação e mais.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Grinaldo Gadelha / Gadelharia Indústria Criativa (Acervo #OxeRecife) e Letícia Lins / #OxeRecife

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