Cadê a sinalização? E o respeito à vida?

É impressionante a falta de respeito que se tem no Brasil pela vida humana. De um lado, um presidente maluco ou mal intencionado, ou besta fera mesmo, que faz live dizendo que vacina contra Covid-19 dá Aids. O que não chega a surpreender, para quem já afirmou que quem tomasse a dose contra o coronavírus corria o risco de “virar jacaré”. Inacreditável… A da Aids foi uma fake new tão pesada, mas tão pesada, que até os administradores de redes sociais retiraram do ar a diarreia verbal do capitão. Ainda bem. Pandemia e irresponsabilidade presidencial à parte, no Recife o esquema montado para vacinação é nota dez. Muito bem planejado, organizado, sem filas, sem atropelos. Tomei as três doses e só tenho elogios. Todas as vezes, saí do posto de vacinação antes mesmo da hora agendada por excesso de organização do poder público local. Show!

Mas, infelizmente, fora dos postos de vacinação o respeito à vida passa longe dos órgãos que executam serviços nas vias públicas. Como se não bastassem as calçadas esburacadas, irregulares, com as tampas de galerias pluviais rachadas e ferragens à mostra, tanto a Prefeitura (via Emlurb e Operação Verão) quanto empresas públicas (tipo Compesa) não estão nem aí para a segurança de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. É que ao contrário do que ocorria antes – quando os buracos no asfalto recebiam iluminação noturna com placas de advertência – agora fica tudo é no escuro. Dia desses por pouco não sofri um acidente na Avenida Dezessete de Agosto, em Casa Forte. Foi exatamente naquele local da foto acima. Era noite, estava escuro e uma obra em frente ao Jardim Carioca não tinha nenhum sinal. Apenas um monte de metralhas e cimento da cor do asfalto, com uma rede depois das montanhas escuras. Vinha de carro, só vi a obra em cima, mas deu ainda para desviar. Não sei se daria se viesse um carro em sentido contrário. Ou seja, um risco.

Obras públicas não possuem sinalização eficiente até mesmo em vias movimentadas, como a Av Rosa e Silva.

A mesma sorte não teve um motoqueiro que caiu em um buraco na frente da Praça de Apipucos, na Rua Apipucos. E foi justamente por falta de sinalização. No último dia 29 de agosto, o rapaz que estava trabalhando,  quebrou o pescoço na queda e infelizmente morreu no local do acidente. Depois disso, passei a observar com mais atenção  a “sinalização” nas obras públicas. Praticamente não existem.O que é um absurdo. As obras, sem sinalização suficiente, são um perigo para a vida humana. Durante o dia, enquanto há homens trabalhando, ainda se vê cavaletes, cones, cordõezinhos de isolamento. Quanto eles se vão, desaparece tudo. Não fica uma luz, um anúncio luminoso de advertência, nada. E a população que se dane. Nesta semana, entre Apipucos e a Boa Vista, contei mais de 10  locais com esse tipo de problema. Inclusive em vias bem movimentadas, como a Avenida Rosa e Silva (foto acima).

Placas são colocadas durante o dia, mas à noite as obras deixam pedestres e condutores ao Deus dará: Risco grande.

Há alguns dias, atendendo a sugestão da população de Apipucos – onde o motociclista morreu por falta de sinalização  em local em obras (da Compesa) – a vereadora Cida Pedrosa (PC do B)  apresentou requerimento à presidência da Emlurb, solicitando que seja intensificada “a fiscalização da sinalização de obras e serviços nas vias terrestres públicas desta cidade” com base “nos manuais da Emlurb e demais normativas que afetam a matéria visando evitar acidentes”. O  problema é que pelo se observa, a Emlurb não fiscaliza nem a Compesa (que provocou o acidente em Apipucos) nem a si própria, como vocês podem observar nas fotos e nas ruas.

“Além dos corriqueiros acidentes havidos em diversas vias,  ora pela ausência, ora pela sinalização ineficiente, no último 29 de agosto, um motociclista caiu em um buraco aberto pela Compesa, sendo levado a óbito. Ao que parece, essa cratera estava sem sinalização, apenas com uma tela laranja, conforme relata uma testemunha”, lembra Cida. Ela destaca que existem alguns “regramentos” da sinalização. Esta deve “atrair a atenção do condutor”, “impor respeito ao usuário”, “transmitir mensagem simples e inequívoca”, “ser vista, permitindo obras com segurança”. Por fim, ser “uniforme e padronizada”. Padronizada até que a sinalização é: sempre a mesma telinha cor de laranja que é mesmo que nada.  O requerimento de Cida já foi aprovado na Câmara Municipal. Mas…. infelizmente está tudo do mesmo jeito. Até porque quem executa em grande parte as obras nas ruas do Recife é a própria Emlurb. Será que ela vai se fiscalizar? Cadê o Ministério Público?

Desrespeito, e muito, à vida humana. E respeito, seja da autoridade maior da República ou do poder municipal, é tudo que a população precisa. E merece!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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