Maldade pura: Capivara morta a pauladas no bairro de Boa Viagem

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Pelo visto, o caso Orelha – cão comunitário que foi trucidado por almas sebosas em Florianópolis (SC)  – está fazendo escola. Todos os dias, há uma notícia – de algum lugar do Brasil – dando conta de maldades cometidas contra animais: gatos, cachorros, gambás, cabras, vacas, pássaros, jabutis, leão marinho, capivaras.  O último caso chocante aconteceu durante a Semana Santa no Recife, quando uma capivara foi morta a pauladas no bairro de Boa Viagem, Zona Sul da capital. Logo uma capivara, um dos bichinhos silvestres com o qual a população tem grande empatia.

As imagens chocantes circulam em portais,  em redes sociais e nas TVs. As cenas do vídeo peguei no YouTube, e são da TV Jornal do Recife. Um homem, com um pau, agride o roedor na Rua Augusto Lins e Silva, mesmo diante dos gritos de pessoas que não concordavam com o massacre. Não é a primeira vez que uma capivara é abatida na área urbana, embora – por ser silvestre – sua caça seja proibida pela legislação. A Lei 9.605 estabelece (em seu artigo 9) detenção e multa para quem matar animais silvestres. Mas todo mundo sabe que algumas populações ribeirinhas quando capturam uma capivara, transformam o bichinho em churrasco.

No caso da alma sebosa de Boa Viagem, foi só maldade mesmo, porque o mamífero foi visto morto, no dia seguinte às pauladas, praticadas por um sem noção. O crime está sendo investigado pela polícia. Aqui no #OxeRecife já registramos o caso de uma capivara capturada que, por muito pouco, não foi parar na fogueira. Um pedreiro que via a cena –  e entendeu que ela ia virar “churrasco” – decidiu salvar o animal. Chegou a andar oito quilômetros, empurrando um carro de mão com o roedor, até achar um órgão que garantisse que a capivara não fosse assassinada. Os seus algozes queriam comer sua carne assada com cachaça. Pela ação salvadora, José Francisco da Silva foi recompensando com o Prêmio Vasconcelos Sobrinho, concedido em 2017 pela CPRH.

Em 2017, o pedreiro José Francisco da Silva salvou uma capivara : “churrasco com cachaça”

Falar em CPRH (Agência Estadual do Meio Ambiente), a recomendação é que ao avistar uma capivara não mexa com ela. “É preciso ter cuidado, atenção e manter distância das capivaras. Elas não são animais de estimação, são silvestres e podem atacar, numa atitude de defesa, caso sintam-se ameaçadas. E quando estão com filhotes, o cuidado deve ser redobrado, pois o risco de ataque é maior. Encontrando o animal em parques ou outros espaços públicos, o indicado é admirar à distância, nunca chegar muito perto”. E acrescenta a CPRH:

“Não é aconselhável alimentar, fazer carinho, nem interagir com capivaras. A proximidade com a espécie pode trazer alguns problemas como a contaminação por doenças, entre elas, a febre maculosa, transmitida por parasita costumeiro nesses animais. Também não é certo dar comida para não interferir em seus hábitos alimentares. As capivaras contribuem na manutenção de áreas alagadas e no controle do crescimento da vegetação aquática, ou seja, elas são importantes para o ecossistema”.

No vídeo abaixo, o homem maltrata o animal até a morte. E nos links, mais informações sobre esse bichinho ao qual se deve o nome do Rio Capibaribe (Rio das Capivaras).

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: @agenciajcmazella e CPRH (Acervo #OxeRecife)
Vídeo: Portal Terra/ Youtube

 

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