Somos amigos desde a adolescência, quando estudávamos na então chamada Escola de Belas Artes, no bairro do Benfica. Sempre admirei o trabalho do artista, de quem guardo na parede da minha casa, com muito carinho, um pássaro com tons diversos de cores da terra. Tantos anos depois, posso dizer que o hoje pecuarista, empresário e escritor Fernando Guerra é uma pessoa versátil. Tanto é assim que concilia suas atividades com pesquisa histórica, que nos rendeu inclusive o livro “Memória da Vaquejada de Surubim – 1937 – 1972”, que ele diz ser a festa urbana do gado mais antiga do país. Surubim é a cidade onde nasceu em 1948, e para a qual regressou em 1985, após passar uma grande temporada no Recife, período em que estudou inclusive desenho com o saudoso Abelardo Da Hora (1924-2014).
Com outro livro em elaboração, dessa vez sobre a História de Surubim, Fernando Guerra estará no Recife no próximo sábado (11/10) para falar sobre história e curiosidades do município, que fica a 124 quilômetros do Recife. Será durante mais uma edição do Ciclo de Palestras do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco, do qual ele é sócio correspondente. O IAHGP fica na Rua do Hospício, no bairro da Boa Vista. E o tema exato da palestra é “Por uma nova história de Surubim”. O encontro, marcado para 10h, é aberto ao público e com acesso gratuito. Ele proporá uma revisão crítica da historiografia oficial da sua cidade. Pretende fazer um resumo do que vem pesquisando sobre o período que vai de 1600 ao início do século 20, e que já rendeu algumas publicações como “O Boi Surubim”, “Ocupação fundiária de Surubim – Séculos XVII, XVIII e XIX”, “A Confederação do Equador e o Agreste Setentrional” e a “Casa Grande da Fazenda Cachoeira do Taépe – História e estórias”.

Há muitas versões falsas ou verdadeiras, sobre a história da cidade. Por ignorância, as distorções se acumulam, segundo Fernando. “O brasão do município ostenta a figura de um touro zebu, gado que só chegou ao Nordeste no final do século 19”, comenta. “Porém a história oficial diz que uma onça entrou na fazenda de Lourenço Ramos da Costa, no ano de 1864, quando matou e devorou o boi Surubim, o que teria dado origem ao nome do município”, conta. “ Mas identifiquei em registros de terras públicas de 1858, o ‘logar’ Surubim”. Ou seja, o nome atual é anterior à história do Boi. Fernando pretende publicar o livro sobre a história da cidade onde nasceu e reside, em 2026.
Surubim deu dois filhos, conhecidos de todos os pernambucanos: Lourenço Fonseca Barbosa (1904-1997), o Capiba (1904-1997), grande compositor. O outro é Abelardo Barbosa, o Chacrinha (1917-1988) – “quem não se comunica se trumbica”- comunicador que tinha um famoso programa de auditório . “Sempre se enaltece dois personagens midiáticos, um do mundo da televisão, que é o Chacrinha e o outro da música, que é o grande Capiba”, lembra.
“Esquecem, no entanto, de José Irineu Cabral, fundador e primeiro presidente da Embrapa, instituição que, com suas pesquisas, colocou o Brasil entre as nações mais desenvolvidas na agropecuária do mundo”. Ele lembra que não há nenhuma rua prestando homenagem ao pesquisador. “A Avenida mais importante de Surubim chama-se Paulo Afonso que foi um alferes morador da cidade nas primeiras décadas do século 20. O curioso é que em princípio a rua periférica passou a ter seu nome pois o alferes mantinha no local uma amante”.
Ou seja, Surubim também pode render boas histórias da vida privada… Nos links abaixo, mais informações sobre Surubim e sobre o Instituto Arqueológico.

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Serviço
Evento: Ciclo de Palestras do IAHGP
Convidado: Fernando Guerra
Palestra com o tema “Por uma nova história de Surubim”
Quando: Sábado, 11 de outubro
Horário: 10h
Onde: IAHGP (auditório)
Endereço: Rua do Hospício,130, Boa Vista, Recife
Entrada: Gratuita
Certificado: emitido para participantes
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Luís Carlos Farias Mota (Surubim News); Correio do Agreste e Acervo #OxeRecife

Vai ser de que horas?
10h. tem no serviço da matéria.