A comunidade de Santana – bairro fundado no século 19 e historicamente marcado por lutas contra a especulação imobiliária e pela preservação de sua identidade cultural – teme por um futuro incerto, desde que a Prefeitura do Recife anunciou a construção de uma ponte, ligando os bairros de Cordeiro e Casa Forte. Os moradores dizem ter medo que o novo complexo traga os mesmos transtornos verificados durante a implantação da Ponte Jaime Gusmão (que liga Monteiro e Iputinga), quando centenas de famílias foram desalojadas. A expectativa com a nova ponte deu origem ao documentário “Estórias que se atravessam – O rio Capibaribe e a comunidade Santana”, que será exibido às 14h do sábado (4/10), no Cinema São Luiz, em sessão gratuita.
A obra dá voz aos moradores de Santana. Em setembro de 2024 e novamente em janeiro de 2025, a comunidade protocolou junto à URB pedidos de informações, com base na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), exigindo transparência sobre os impactos da nova ponte. Nenhuma resposta foi dada até o momento, ampliando a sensação de insegurança e angústia, o que pega mal em uma gestão que ressalta o diálogo no discurso mas que faz o contrário na prática. Está aí a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação de Solo (LPUOS), que não deixa mentir, que foi aprovada quando a sociedade civil exigia mais tempo para discutir.
A comunidade de Santana, na Zona Norte do Recife, vive hoje sob a sombra do fantasma de um projeto que, segundo os moradores, não ameaça apenas suas casas, mas também sua história e identidade. A anunciada construção da ponte Cordeiro-Casa Forte pela Prefeitura infelizmente reacende o temor de remoções forçadas, desvalorização dos imóveis e perda do vínculo afetivo com o território, sem que haja até agora uma comunicação transparente por parte do poder público.

“O cenário remete a experiências recentes em outras regiões da cidade, como em Monteiro, onde a construção de uma ponte resultou em desapropriações, desarticulação comunitária e profundo impacto social, deixando cicatrizes que ainda hoje marcam os moradores”, informa a produção do filme que é dirigido por Rosely Bezerra e Mariana Rodrigues, em colaboração com Mariana Vasconcelos.
O documentário nasceu de um processo pedagógico conduzido pela professora Rosely Bezerra, mestranda em Ensino de História e Cultura Regional na UFRPE, junto às fotógrafas e cinegrafistas Mariana Rodrigues e Mariana Vasconcelos, em diálogo com as crianças da comunidade. Em um momento em que a ausência de respostas oficiais viola o direito à informação e coloca em risco o futuro da comunidade, a tela do Cinema São Luiz se transforma em espaço de denúncia, memória e escuta. O filme reafirma a necessidade de pensar a cidade a partir das vozes que nela habitam, sobretudo as que historicamente foram silenciadas, e convida a sociedade a refletir sobre os impactos das grandes obras urbanas que atravessam, literalmente, vidas e histórias, lembram as responsáveis pelo documentário.

Nos links abaixo,, mais informações sobre pontes, pontilhões e impactos na Zona Norte.
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SERVIÇO:
O quê: Exibição do documentário “Estórias que se atravessam – O Rio Capibaribe e a comunidade Santana”
Quando: Sábado, 4 de outubro, às 14h
Onde: Cinema São Luiz – Rua da Aurora, Recife/PE
Entrada: Gratuita
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Documentário “Estórias que se atravessam – O rio Capibaribe e a comunidade Santana”

Não há a menor dúvida que essa ponte será construída, apesar de toda apreensão da comunidade de Santana.
Essa gestão tem demonstrado uma total insensibilidade quanto às questões que envolvem as comunidades e ocupação do espaço. O interesse é direcionado à especulação imobiliária predatória, o que tem impactado fortemente no perfil arquitetônico e social da cidade,destruindo edificações referenciais e desalojando comunidades nascidas ,desenvolvidas e adaptadas nesses espaços, com uma cultura vivenciada e valorizada.
E pensar que o atual gestor será eleito governador (segundo pesquisas…), podemos imaginar o que virá.
Sou solidário ao temor da comunidade Santana em Casa Forte, o que ocorreu na comunidade do Monteiro é prova viva e recente do que pode acontecer novamente. Falta de respeito, desprezo pela população carente, com um simples propósito; atender as empresas imobiliárias expandir mercado. Triste
Letícia, Graças a Deus ainda existe este espaço para que o Cidadão Recifense lute para tirar o Recife dessa Desertificação Histórica, Patrimonial, Jurídica, Moral e Ética. O que me envergonha e deveria envergonhar a Câmara Municipal do Recife e os Órgãos Fiscalizadores das Contas e Gestões Públicas, hoje feudos de Famílias de Políticos e com os olhos vendados para o caos da Cidade dentro e fora da Prefeitura, é que nada se fala nos Jornais de Província , como a Cidade estivesse uma maravilha. Confesso a vocês que nisso que chamam “jornalismo digital” onde chamam os leitores como uma “Voz” mas, só publicam o que agrada a “Realeza” , se não elogiar “emudecem a voz”, que Jornalismo Parcial é este? Sei que o nível Cultural é muito baixo, mas, o mínimo de respeito para o que fala e pensa o Cidadão sobre sua Cidade tem que ser respeitado e publicado, e, quem não suporta críticas porque seu Jornal perde “dinheiro público” que facilmente rola aos montes para elogiar até as “dancinhas eletrônicas” que nada tem haver com nossa Cultura, que deixem a vida pública. Até nas Rádios o Cidadão não pode reclamar ou criticar, e ainda chamam esse “modelo de imprensa de democrático”. Quando os Meios de Comunicação não oferecem espaço para o Cidadão exercer a Democracia Plena de participar da Vida Pública de seu País, Estado e Cidade com suas Críticas, Sugestões ou Apoios é porque já não mais vivemos numa Democracia e sim numa Ditadura !
Todos os comentários deste espaço estão na linha certa da Democracia porque é o Cidadão que olha todos os dias seu Bairro, sua Cidade, e ver essa degradação e destruição de tudo que em outras eras forjou o nascimento do Recife. Aquela fotografia da Praça Dom Vital que tive a alegria de quando criança de participar de sua Inauguração como “Coroinha da Igreja da Penha” , com o lixo tomando seus espaços me deixou triste de como se trata a História e Formação do Recife como Cidade, principalmente com o Mercado de São José assistindo os últimos suspiros da economia da Cidade e da História da Cidade. Naquele espaço nasceu o Recife rumo a sua expansão geográfica e econômica com a união de Cidadãos de todas as classes sociais, raças e credos. Naquele local os mascates vendiam suas mercadorias e lá residiam em um encontro de formação social e econômica onde a Família era o Centro de tudo, e o Recife cresceu e precisava de um Centro Comercial, e, das Feiras Livres nasceram os Mercados Públicos, daí para o Comércio, Pequenas Indústrias e os Serviços onde o Cidadão usava sua criatividade. Naquelas ruas moravam nativos pernambucanos, árabes , judeus, portugueses, italianos, franceses, ingleses e o mundo todo chegando ao Recife tinha no Bairro de São José sua referência de economia e sociedade bem lógicos, foi daquelas ruas que nasceu a Economia do Recife, e a Cidade se aprofundou e hoje quando querem ocupar Santana ou Monteiro de forma desordenada estão destruindo Comunidades inteiras que ainda hoje tem sua referência naquela economia nascida lá no Bairro de São José, e na História quando se destrói e se cala a Cultura Organizacional de uma Comunidade estão matando o futuro dos próximos Cidadãos do Recife. Me perdoem se sou chato e repetitivo, nasci no Recife em um domingo de carnaval, dentro de minha casa e com parteira e no Bairro de São José as 6 horas da manhã e com meu Pai tocando clarins comemorando minha chegada, bem colado a Sede Vassourinhas, fui criado sentindo o cheiro , sons, sonhos da Cidade tudo sempre é movimento e quando falo , meu pensamento voa, ninguém pode matar o passado para construir o futuro, e a Prefeitura está matando as oportunidades de seu Cidadão do Futuro ter uma Vida Digna …..é mais fácil distribuir oportunidades que distribuir riquezas !