Não é não, foi uma das frases mais vista em estampas, folders, camisetas, cartazes, nas redes sociais, durante os dias de carnaval não só em Pernambuco, mas em várias outras regiões do Brasil. Tudo para evitar aquelas cantadas maldosas e afoitas de machos de plantão, que desconhecem limites entre o flerte e a cantada forçada. Em Olinda (PE), por exemplo, foi preciso que os órgãos de segurança e o Ministério Público tomassem providências para evitar o “beijo forçado”, antes uma “tradição” do carnaval da cidade, que passou a ser oficialmente proibido em 2001. No primeiro carnaval na vigência da medida, foi muito marmanjo preso. Até que a prática desapareceu, e hoje as mulheres já não se queixam dessa agressão, embora muitas levassem na brincadeira, no espírito da festa.
No Brasil, o mais recente caso de assédio foi aquele, bem rumoroso, que envolveu, em Brasília, o (já demitido) Ministro dos Direitos Humanos (Sílvio Almeida) e a Ministra da Igualdade Racial (Anielle Franco, na foto superior com a primeira dama Janja). No Recife, desde a gestão passada está em vigor o Protocolo Violeta para denunciar assédio. Inclusive há bares que criaram códigos próprios para denúncias sobre esse tipo de abuso, como o Capi, que fica no bairro das Graças. O assédio embora seja mais frequente no carnaval, infelizmente, permanece durante todas as épocas do ano, não só em Pernambuco, mas no Brasil. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesse Dia Internacional da Mulher, e que foi realizada nas dez maiores cidades brasileiras. A investigação acusou que 75 por cento das mulheres já sofreram algum tipo de assédio. “Viver na Cidade: Mulheres “, foi realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e o Ipec. Porto Alegre apresentou o maior percentual (79%).
O Recife aparece em segundo lugar, com 77 por cento, o que mostra que campanhas contra violência de gênero e assédio ainda são muito oportunas na cidade. Belo Horizonte e Fortaleza, são as capitais onde o assédio é menor, ambas com 68%. A pesquisa foi realizada em Belém, Goiânia, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, além daquelas três cidades.
A rua e outros espaços públicos (como praças e parques) são os lugares onde mais ocorre esse tipo de situação. Do total de mulheres entrevistadas, 56% disseram que sofreram assédio nesses locais. O transporte público aparece na segunda posição (51%), seguido pelo ambiente de trabalho (38%) e bares e casas noturnas (33%). A pesquisa investigou também quais são as medidas que devem ser adotadas para enfrentar o problema, na percepção da população. Aumentar as penas de quem comete violência contra a mulher recebeu o maior número de menções (54%). Em seguida, aparecem: ampliar os serviços de proteção a mulheres em situação de violência em todas as regiões da cidade (49%) e agilizar o andamento da investigação das denúncias (40%).
Abaixo, confira os números do assédio a mulheres: Porto Alegre (79 por cento), Recife (77 por cento), Rio de Janeiro (77 por cento), Goiânia (76 por cento), São Paulo (74 por cento), Salvador (73 por cento), Manaus (72 por cento), Belém (70 por cento), Fortaleza e Belo Horizonte (68 por cento). A pesquisa considerou, ainda, outros assuntos, como divisão de tarefas domésticas. Considerando o total da amostra (a resposta de todos os gêneros nas dez capitais), 40% disseram que os afazeres são divididos igualmente entre homens e mulheres; para 36%, são de responsabilidade de homens e mulheres, mas as mulheres fazem a maior parte; 5% disseram que são responsabilidade apenas das mulheres; outros 5% responderam que moram com pessoas do mesmo sexo; e 10% moram sozinhas.
Quando se observa o recorte por gênero, no entanto, a diferença dos percentuais é bastante acentuada. Por exemplo: 51% dos homens dizem que as tarefas domésticas são divididas igualmente, mas, entre as mulheres, esse valor cai para 29%. Entre os homens, 28% responderam que os afazeres são de responsabilidade de homens e mulheres, mas as mulheres fazem a maior parte. Entre a mulheres, esse percentual sobe para 43%.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife