Ao participar de debate promovido pelo Sistema Jornal do Commercio, os candidatos à Prefeitura do Recife pouco acrescentaram, hoje, às informações e propostas que vêm divulgando no horário eleitoral gratuito. E, por cima, ainda deixaram algumas perguntas sem respostas, como foi o caso da Delegada Patrícia Domingos (Podemos), que foi acusada de “incompetente” pelo Coronel Feitosa (PSC) e de ter deixado de movimentar inquéritos, o que resultou em mais mais de duas centenas de prescrições na delegacia que ela comandava.
Estrela em ascensão durante as primeiras semanas de campanha – mas que agora amarga a maior rejeição entre os eleitores, conforme a última rodada de pesquisa do Ibope – a delegada acusou Feitosa de ter contribuído, como deputado, para fechar a Delegacia de Crimes Contra a Administração e Serviço Público (Decasp), que ela chefiava. “A Decasp foi fechada com apoio dos deputados estaduais e Feitosa foi um deles”, acusou a candidata. Aí o militar rebateu:
“Fui a favor porque você foi uma delegada incompetente, que deixou prescrever 249 processos e 250 que não tiveram nenhuma movimentação”. A assessoria jurídica da delegada pediu direito de resposta, no que foi atendida. Mas ela não se referiu aos inquéritos acumulados e sem resolução citados por Feitosa: “ O coronel Feitosa me chamou de mentirosa, mas sempre trabalhei com a verdade”, rebateu. Lembrando que na sua gestão na Decasp botou “49 políticos corruptos na cadeia”, “o primeiro prefeito preso da história de Pernambuco” e recuperou cerca de R$ 13 milhões. Mas não falou sobre os inquéritos que teriam prescrito nem sido movimentados.
Também soa muito falso a “oposição” de Marília Arraes (PT) ao PSB, tipo cuspindo no prato que comeu, já que fez carreira política no partido liderado pelo primo em primeiro grau, o finado Eduardo Campos. E com o filho do qual disputa a eleição. Alfinetou o primo de segundo grau, ao tocar no ponto fraco do discurso de campanha do PSB, já que o Prefeito Geraldo Júlio detém a pior popularidade do Nordeste, com mais de 60 por cento de reprovação para sua gestão. “Podem ter certeza da nossa capacidade de ousar e trazer para a Prefeitura outros nomes e o vigor da juventude”, afirmou o socialista, sem responder diretamente à questão feita pela ex-correligionária.
Ele tem evitado a presença do Prefeito no Guia Eleitoral, embora mostre algumas iniciativas positivas, porém pontuais. O priminho acusou a priminha de desconhecer a legislação, porque a petista sugere que vai emprestar dinheiro da Prefeitura a fundo perdido para pequenos empreendedores. Isso porque, segundo a petista, “a Prefeitura não é agiota”. O socialista disse que isso não é possível, que é ilegal. Ele promete microcrédito com pequenos juros. Para Marília, o primo é “um candidato jogado pelo marketing que não dá certo, não tem como”. Como se a candidata e o seu partido não tivessem profissionais do ramo atuando na campanha que a obrigaram, inclusive a rever as estratégias na caça pelo voto, uma delas passar a roupas na cor vermelha, que é a marca do PT.
No geral, Patrícia e João Campos (PSB) foram os dois que os outros debatedores mais tentaram encurralar. O segundo, inclusive por José Mendonça Filho (Dem). Mendonça e Marília passaram a brigar para chegar ao segundo turno, depois que a campanha da delegada começou a fazer água, após ter sido bombardeada pelos adversários por ter chamado o Recife de Recífilis”, não ter mostrado respeito com empregadas domésticas e por dizer que a população recifense só tem gente “feia” (Patrícia passou da menor à maior rejeição na última rodada de pesquisa do Ibope). Mendonça mostrou que em oito anos, não foram cumpridas promessas de campanha do Prefeito Geraldo Júlio (PSB) como “aumentar em 50 por cento a oferta de saneamento” . Campos prometeu triplicar a oferta desse tipo de serviço. Mas não disse como.
Nas considerações finais, João Campos prometeu que “O Recife vai largar na frente na pós-pandemia”. Marília disse que não vai dar continuidade “a uma gestão que não dá certo, que está abandonando a cidade e deixando a sua população infeliz”. E prometeu: “Vamos fazer o Recife sorrir de novo”. Mendonça criticou as gestões consecutivas do PT e PSB no Recife, colocando-se como “o caminho da mudança”. Patrícia, por sua vez, tentou mostrar não ser política profissional (apesar de ter ido a Brasília, para pousar junto ao Presidente, na segunda-feira). “Comecei a trabalhar aos nove, aos 16 tinha carteira assinada e aos 17 participei do meu primeiro concurso público”. E alfinetou os adversários, dirigindo-se ao eleitorado: “Vocês não aguentam mais sustentar mordomias das oligarquias do PT e do PSB. Sou a opção da nova política para acabar com a velha política que é a do atraso”. Charbe lMaroun (Novo) se disse representante da verdadeira renovação, enquanto Carlos Andrade (PSL) se apresentou como o único com ideias inovadoras, entre elas um trem voador. Foi o único debate promovido por uma emissora de Tv com os candidatos a Prefeito em 2020. Não houve bloco para perguntas que dessem voz ao eleitor.
Leia também
TCU:10.000 candidatos receberam auxílio emergencial, treze de Pernambuco
Eleições municipais 2020: PE tem 1.140 fichas sujas
Sari Corte Real é denunciada e marido prefeito é investigado
O drama de Mirtes, o descaso da patroa e o uso de dinheiro público
Cientistas e médicos: Vidas são mais importantes do que cargos políticos
TRE: Aglomerações políticas podem virar caso de polícia
Procissões e carnavais eleitorais esquecem a pandemia
Eleições municipais, 2020: Pernambuco tem 1.140 fichas sujas
Chame, chame a delegada
Lixo oficial à margem do Capibaribe, cidade entregue e prefeito impopular
E os 50.000 títulos de regularização fundiária?
Sessão Recife Nostalgia: “Quando a cidade era cem por cento saneada)
Campanha política ignora pandemia
Eleições municipais, 2020: Pernambuco tem 1.140 fichas sujas
A voz do eleitor: Por um Recife com igualdade social
A voz do eleitor: “Um Recife mais limpo, mais saudável, mais agradável
A voz do eleitor: “Quero um Recife mais humano, disciplinado e consciente”
A Voz do eleitor: Gostaria que o Recife fosse uma cidade mais humana
A Voz do eleitor: “Quero a volta do orçamento participativo”
A voz do eleitor: “Gestão inclusiva, justa e participativa”
A Voz do eleitor: Espero competência, honestidade, dignidade
A Voz do eleitor: “Que o próximo gestor faça uso correto do dinheiro público”
A Voz do eleitor: Uma cidade justa, limpa e muito bem cuidada
A Voz do eleitor: Mobilidade, controle urbano, história preservada, cidade parque
A Voz do eleitor: Saneamento, mobilidade, saúde, patrimônio protegido
Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Reprodução da Internet
