Sari Corte Real é denunciada no Recife e marido Prefeito é investigado

O Promotor de Justiça Eduardo Tavares denunciou hoje Sari Corte Real, por “abandono de incapaz seguido de morte”, no caso do menino Miguel Otávio Santana da Silva. A denúncia já se encontra  à espera de análise de juiz, na Primeira Vara de Crimes Contra a Criança e o Adolescente da Capital.  Caso a denúncia seja aceita – o que é provável – a acusada passará a ser processada sob acusação de crime que pode lhe render de quatro a doze anos de reclusão.

A tragédia de Miguel, de cinco anos, comoveu o Brasil. Ele morreu no inicio de junho, ao cair do nono andar do prédio onde mora a acusada. Sari é patroa de Mirtes de Souza, que trabalhava como doméstica na casa a família Corte Real e tinha saído para levar a cadelinha da casa, Mel, para passear, deixando o filho sob os cuidados da patroa, enquanto Mirtes cumpria com uma das obrigações do seu emprego, o passeio diário com a cachorrinha. Por conta da pandemia e das escolas fechadas, a criança de cinco anos ia com a mãe para o trabalho. No dia 2 de junho, quando a mãe desceu, o menino só queria ficar com a mãe.  Então, entrou no elevador para procurar Mirtes. Segundo Sari, ele fez isso várias vezes, apesar dos seus apelos para que ele voltasse ao apartamento.

Miguel queria a mãe, foi deixado sozinho por Sari no interior de um elevador e pulou para a morte do nono andar.

As câmeras de segurança do elevador, no entanto, mostram que Sari apertou o botão do último andar do prédio e deixou a criança sozinha. Miguel desceu no nono andar, escalou a grade de proteção de uma das áreas de serviço do prédio, caindo de uma altura de 35 metros. No momento da queda, Sari tinha voltado para o seu apartamento no Maurício de Nassau, um dos prédios das chamadas Torres Gêmeas, onde funciona condomínio de luxo, no bairro de São José.  Ela estava fazendo as unhas com manicure que atendia em domicílio. Sari chegou a ser presa em flagrante por homicídio culposo, mas pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada. Deverá responder ao processo em liberdade. A morte de Miguel provocou comoção, passeatas e até abaixo assinado virtual, pedindo condenação de Sari.

O crime, no entanto, expôs outro problema na gestão da Prefeitura de Tamandaré, município localizado a 103 quilômetros do Recife, e que fica no Litoral Sul de Pernambuco. Descobriu-se que tanto Mirtes quanto a mãe – também empregada da residência – eram pagas pelos cofres públicos. No caso, dinheiro da Prefeitura de Tamandaré, comandada pelo marido de Sari. O Tribunal de Contas de Pernambuco descobriu que o Prefeito  Sérgio Hacker Corte Real (PSB) e sua mulher mantinham outra doméstica na casa de praia, também custeada pela Prefeitura. O TCE investiga, ainda, diárias exorbitantes que o Prefeito cobraria, em suas vindas de Tamandaré ao Recife, supostamente para resolver problemas da Prefeitura. Só que Hacker reside no Recife. O nome de Sari e dos filhos também constam no cadastro do auxílio emergencial dado pelo governo, para pessoas de baixa renda que foram prejudicadas pela pandemia. Mas a família alega que o pedido no Dataprev resulta de uma “fraude”. Será?

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Internet

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