Amigos meus de outros estados que passam o carnaval no Recife, acham estranho que o Hino de Pernambuco toque no meio da folia, que todo mundo cante até em ritmo de frevo, e que nossa Bandeira inspire fantasias , adereços e tenha presença marcante no mundo fashion. “Lá em São Paulo, a gente praticamente nem sabe cantar o Hino do Estado”, disse-me uma vez uma coleguinha de profissão, que veio aqui curtir a nossa maior festa popular. Raquel Lyra, que não é besta, soube capitalizar muito bem esse espírito, adotou o “Pernambuco meu país”, como uma marca da cultura do estado. O “slogan” viralizou e todos hoje, independente do lado político, costumam repeti-lo com orgulho. E rende filhotes como o Projeto “Várias vozes, um só hino”, que acaba de ser lançado.
Autor “101 Manias de Grandezas de Pernambuco”, o professor Evandro Duarte de Sá registra o “pernambucanocentrismo”, que “coloca o nosso estado mais ou menos no centro do universo”. Ele cita uma série de fatores, entre eles “a fundação do Seminário de Olinda, que despertou uma verdadeira consciência política entre seus seminaristas e deflagração da Revolução de 1817, que denomino e cunho como a maior Revolução do Brasil”. Sim, não deixa de ser. Um movimento “subversivo” e ousado, que hoje é encarado com orgulho por todo os pernambucanos e cujos líderes viraram nosso heróis. Tão importante no nosso sentimento de pernambucanidade, que o “Leão do Norte” para hoje para comemorar a Data Magna, feriado cívico mais importante do nosso estado. Afinal, foi o único do Brasil que conseguiu transformar o estado em uma república independente, embora apenas por 74 ou 75 dias. Até embaixador nos Estados Unidos (Cruz Cabugá) a nossa “república” teve, acreditam? Viva, portanto, ao nosso estado, bravo, guerreiro, aguerrido, leão do Norte.

Provavelmente esse sentimento vai aumentar a partir de hoje, pois nós, os “leões”, temos mais um motivo para reforçar nossa identidade histórica e cultural. E rugir bem alto, depois do projeto “Várias Vozes, um só hino”, lançado na quinta-feira e que propõe uma leitura contemporânea do Hino de Pernambuco, preservando integralmente a letra e o caráter oficial da composição.”
Lançado na véspera da celebração da Data Magna, “o projeto reforça a conexão com o calendário cívico do estado”, explica em nota o Palácio do Campo das Princesas. Assim, o Hino estadual mais entoado e cantado no Brasil agora vem ainda com mais força. Em ritmo de frevo (Nena Queiroga), maracatu (Maciel Salu), manguebeat (Mundo Livr S/A), ciranda (Lia), samba (Gerlane Lops), trap (Mago de Tarso), pop (Joyce Alane), forró (Petrúcio Amorim). E, claro, na versão clássica, pela Orquestra Sinfônica de Pernambuco.
“Sou apaixonada por esse Hino, ele é muito bonito e a gente sente sensação de pertencimento quando o canta”, afirma Nena. “É um orgulho imenso cantar esse Hino”, diz Petrúcio. O projeto conta com participação de várias secretarias e marca presença nas escolas, com livre interpretação dos alunos, que serão registrados e escolhidas para compor a seleção nos cinco ritmos, que será divulgada em plataformas digitais e outros veículos. Nesse mês, começam as gravações no Conservatório Pernambucano de Música.

“Vamos trabalhar a auto estima do povo pernambucano e garantir que a nossa gente fale sobre a nossa cultura e nossa história, nos novos ritmos e nos antigos”, diz Raquel Lyra. Na verdade, o projeto não chega a ser original. Em 2002, o então Governador Jarbas Vasconcelos tomou iniciativa nesse sentido, com lançamento de CD, com várias versões do Hino de Pernambuco. O projeto atual é mais completo, mais bonito, mais redondo e mais consistente. No Recife, o Hino da Cidade não é tão lembrado. Mas a capital tem um hino informal, “Madeira que cupim não rói”, que mexe com o nativismo e a identidade dos pernambucanos. Hoje, às 7h30m, no Palácio do Campo das Princesas, Raquel participa de cerimônia em celebração à Data Magna de Pernambuco. O feriado foi criado por sugestão da então deputada estadual, Terezinha Nunes, hoje titular do Blog Dellas. Pernambuco, imortal, imortal!
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Secom/PE

Magnífico texto, cara Letícia. Você expressou com exatidão Pernambuco e o sentimento de pertencimento dos nascidos na terra dos altos coqueiros. Pernambuco é inspirador. Verdade incontestável. Seu texto traduz bem isso. Permita-me só acrescentar que a pernambucanidade sempre esteve presente no nosso povo, apenas não com a força de hoje. Sou cria de uma vó. Em tenra infância, já a ouvia dizer: Pernambuco é o estado mais importante do Brasil. À época, era comum as pessoas enaltecerem São Paulo com frequência. Um dia, de tanto a ouvir repetir a mesma frase, indaguei: ô vó, e não é São Paulo o estado mais importante? A resposta veio de imediato: não, São Paulo é o mais rico, mas o mais importante é Pernambuco. Curiosa, como toda criança, eu quis saber porque. Semianalfabeta que era, não soube responder, porém, reivindicou covicta: é o mais importante porque é, pronto. Hoje, traduzo suas palavras como uma herança ancestral de 1817. Silente, o sentimento de pernambucanidade foi passado de pais para filhos através dos anos. Hoje, está encravado na alma de todos nós: Pernambuco meu país!
EM TEMPO: a historiografia oficial do Brasil deixou de fora a importância de Pernambuco no contexto histórico. Espero que um dia a história do Brasil seja reescrita. Aproveito para louvar, aqui, a iniciativa da governadora Raquel Lyra de tornar lei a “História de Pernambuco”, como disciplina obrigatória nas escolas do estado.
Bom Dia Pernambuco, Bom Dia Povo Pernambucano, hoje comemoramos nossa Data Magna e quando me perguntam o que representa nosso Hino, nossa Bandeira e o cantar forte e uno de nossa gente pernambucana em todos os eventos festivos espalhando a Harmonia do Hino de Pernambuco pelas ruas do Brasil, respondo simplesmente…. O Povo de Pernambuco tem Orgulho de dizer para o Mundo que o Brasil nasceu aqui nas Colinas Sagradas dos Guararapes na União do Negro, do Branco e do Índio, é nossa identidade, é o coração de uma povo falando para o Brasil que ” O Pernambucano não se rende, o Pernambucano morre lutando ” . A Poesia de Oscar Brandão da Rocha em nosso Hino é a síntese da Formação da Nação Brasileira aqui em Pernambuco , e a Harmonia da Música do Maestro Nicolino Milano se completa com o cheiro da Pernambucanidade nos mais altos coqueiros de nossa Terra Pernambucana, como os coqueiros beijassem nossos rios e mares na força de um Povo Heroico que sempre teve a certeza de que aqui em Pernambuco Forjamos a Nacionalidade Brasileira, aqui nasceu essa Pátria Amada Brasil, basta ver a primeira cantar e primeira estrofe do Hino, e voltem seu olhar para o Mapa do Brasil e veja onde se encontra o “Coração do Brasil”, lá está o Estado de Pernambuco .. O primeiro Povo do Porvir da Pátria Brasileira…
Coração do Brasil em teu seio
Corre o sangue de heróis rubro veio
Que há de sempre o valor traduzir
És a fonte da Vida e da História
Desse Povo coberto de Glória
O primeiro, talvez no porvir .
E lá vem lembranças de lutas sangrentas onde nossas Mulheres Pernambucanas foram fundamentais, irredentas, fortes, decisivas para enfrentar a maior Armada do Mundo, a Holandesa, com destemor e coragem e o companheirismo com seus Esposos, Pais, Tios, Filhos e toda a Família de Pernambucanos das Tabocas, Tejucupapo, Casa Forte , por onde tivesse uma Mulher Pernambucana naquele local os Invasor não teria vida fácil, elas poderiam morrer, mas, jamais se renderiam, nossa Homenagem a Mulher Pernambucana neste Dia de nossa Data Magna. A Revolução de 1817 foi nosso Primeiro Grito de Independência, por 75 dias fomos uma Nação, fomos um Povo Livre e com Formação Jurídica e Constitucional e Diplomática para negociar com o Mundo Desenvolvido , nos impuseram derrotas, como sempre, o Judiciário Português com a perseguição ao Povo Pernambucano, como sempre o Judiciário querendo escravizar um Povo que pensava em Liberdade e Dignidade de Viver numa Pátria Livre e Democrática por inteiro. Frei Caneca já estava nestes instantes lutando por nossa Liberdade e Formação Constitucional, e não quero me estender, lembro para poder sintetizar nossos Heróis de 1817
, Domingos José Martins, José Barros Lima o “Leão Coroado”, Frei Caneca, Padre João Ribeiro e Cruz Cabugá o Antonio Gonçalves da Cruz o Primeiro Diplomata da Nação Brasileira que foi para os Estados Unidos em Missão Diplomática para pedir apoio a Nova República de 1817 em Pernambuco.
VIVA PERNAMBUCO, VIVA O POVO PERNAMBUCANO, O PRIMEIRO DO PORVIR DA NAÇÃO BRASILEIRA !
https://youtu.be/PUL3dd7b2Zo?si=D0KlPktsEchKgAo8