É muito interessante que produtores culturais estejam levando elementos da nossa cultura – ciranda, maracatu, cordel , xaxado – às salas de aula, para mostrar as raízes nordestinas a crianças e adolescentes. A investida mais recente vem do Sertão do Pajeú, onde hoje começou a execução de projeto “Aula Espetáculo Tá no Tempo do Forró”, que conta com a participação de Assisão e do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião. Mas os assuntos da aula extrapolam o Xaxado – dança típica dos cangaceiros liderados por Lampião – e abordam, também, o baião, o forró e o xote.
“O projeto “Aula Espetáculo Tá no Tempo do Forró” chega em um momento que muito se debate a respeito das tradições musicais. Por isso, consideramos que esta ação seja um convite para reafirmar nossos valores fundamentados na identidade cultural sertaneja, tendo como ponto de partida a musicalidade e o ritmo da obra de Assisão numa interação estética inédita e inovadora com a poesia e a dança do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, resultando num espetáculo emocionante e de singular beleza”
É o que afirma Anildomá Willans de Souza, estudioso do cangaço, produtor cultural e criador do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião. O projeto começa a execução nessa terça-feira (26/8) em local bem sugestivo, do município de Serra Talhada, que fica a 418 quilômetros do Recife. É que os alunos da Escola de Referência em Ensino Médio Teresinha de Souza Lira, estão hoje no Sítio das Pedras, onde nasceu Virgulino Ferreira, o famoso cangaceiro Lampião, como era mais conhecido e foi imortalizado nos livros de história. A escola é do município de Floresta, que é vizinho a Serra Talhada.

No roteiro, os alunos vão conhecer as Pedras da Emboscada, onde aconteceu o primeiro confronto armado entre a família Ferreira e Zé Saturnino (primeiro inimigo de Lampião). Vão às ruínas da antiga Casa Grande da Fazenda Pedreira, farão um passeio pela caatinga e, quando chegarem ao destino, vão conhecer a Casa de Dona Jacosa, avó materna de Lampião, onde ele nasceu. Após a visita, começa então a “Aula Espetáculo Tá no Tempo do Forró”, com Assisão e Os Cabras de Lampião” na Latada do Xaxado, encerrando com um almoço da comedoria regional sertaneja.
Figura controversa, Lampião é visto como herói por uns, e bandido por outros. Polêmica à parte, o cangaceiro virou símbolo de um tempo de um Sertão famélico, marcado pela ausência total do Estado e onde quem mandava eram os “coronéis”, como eram chamados os donos das terras do interior. O espetáculo é “dinâmico e pedagógico”. Ao todo, quatro municípios participam do projeto. São eles: Floresta (Escola de Referência em Ensino Médio Teresinha de Souza Lira, dia 26/8); São José do Belmonte (ETE Pedro Leão Leal, 27/8); Triunfo (Escola de Referência em Ensino Médio Alfredo de Carvalho,28/8); Santa Cruz da Baixa Verde (Erem Regina Pacis, 29/8). A produção é da Fundação Cultural Cabras de Lampião e Agência de Criação e Produção, com o incentivo da FUNDARPE / SECULT / Governo de Pernambuco / PNAB / Ministério da Cultura / Governo Federal.

Nos links abaixo, mais informações sobre Sertão, cangaço e sobre cultura popular nas escolas: cangaço, xaxado, ciranda, cordel, maracatu rural
Leia também
Lampião, o cangaceiro que virou mito ganha tributo em Serra Talhada
Lampião e Maria Bonita ganham as ruas em campanha preventiva
Você imagina o que Lampião e Maria Bonita fazem nessa feira?
Lampião e o cangaço fashion e social
Massacre de Angicos em palco ao ar livre
Duas costureiras e dois maridos: um cangaceiro e um gay
No Sertão, na trilha de Lampião
Maria Bonita, companheira de Lampião é tema de livro
Lampião, Maria Bonita, Antônio Conselheiro e Benjamim Abrahão redivivos no Sertão
Cangaço: Guerreiros do Sol, violência e banditismo no Nordeste do Brasil é relançado
Viagem ao xaxado, ao forró e ao cangaço
Esgotado, livro “Estrelas de Couro: a estética do cangaço” é relançado
Lampião, bandido, herói ou história?
Ciclo do Cordel chega a alunos do Sertão: versos, rimas e métricas
Tradição do maracatu rural nas escolas mobiliza escolas na Mata Norte
Lia de Itamaracá em papel e em “carne e osso” nas salas de aula do Recife
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife
