Esse prédio em ruínas da foto é o antigo Hospital Gomes Maranhão, desativado há duas décadas e que será transformado em Burle Marx Open Mall, empreendimento que vem mobilizando os moradores do Poço da Panela e de Casa Forte, bairros tradicionais da Zona Norte. A pedido do Coletivo Amo Poço Forte, criado para discutir o projeto, a Câmara Municipal do Recife realiza reunião virtual nessa terça-feira (17/08), entre 15h e 18h. O encontro ocorrerá sob a liderança do vereador Ivan Moraes (PSOL). Vale a pena assistir.
Para participar, basta acessar o link https://www.youtube.com/channel/UCtw5x7oelkKSMo-OGbB_-Q. Esse é o terceiro grande projeto questionado pelos moradores dos dois bairros. O primeiro foi a construção de uma loja do Grupo Carrefour, no imenso terreno onde antes funcionava a secular Casa de Saúde São José. Sob pressão, a rede de supermercados desistiu da obra. O segundo é a anunciada implantação de um lojão do Atacado dos Presentes no mesmo terreno, que fica entre a Avenida Dezessete de Agosto e a Rua Luiz Guimarães, e cuja entrada seria pela estreita Avenida Doutor Seixas (aquela em cuja esquina fica a casa Chá com Chita). O projeto do Atacado está em tramitação na Prefeitura, mas a comunidade exige outro perfil de empreendimento para o terreno em questão. Agora, a confusão ocorre por conta do Burle Marx Open Mall, que ficará entre o Poço da Panela e a Praça de Casa Forte. Os moradores do Poço afirmam que não são contra o progresso nem o comércio. “Mas existem normas, leis e códigos que harmonizam as áreas urbanas com o direito dos moradores, uma forma de casario, para minimizar os impactos destrutivos. E pela defesa do patrimônio cultural, acervo e riqueza do nosso bairro”.

Eles alegam que “o pesado impacto ambiental” do projeto precisa ser debatido, assim como o de “mobilidade e tráfego de veículos”. Citam “a questão do estacionamento que não está sequer comentada em um projeto de 479 páginas”. Reclamam que a comunidade não foi, sequer, ouvida sobre a implantação do projeto privado, porém já aprovado pela Prefeitura. Dizem que a escuta era, no mínimo, “obrigatória”. Informam que o projeto embora tenha sido objeto de uma OPEI (Orientação Prévia de Empreendimento de Impacto), não atende a várias de suas recomendações, inclusive aquela que determina a necessidade de EIV (estudo de impacto na vizinhança). Afirmam, também, que a OPEI é datada de 2019 e sua validade é de doze meses, e estaria desatualizada. Isso porque a última versão do projeto e do memorial são de 2021. “A OPEI perdeu sua validade legal”.
Para a comunidade, o mall “está localizado no quarteirão de entrada para o Poço da Panela, um bairro formado de ruas bucólicas e casas em terrenos bastante arborizados”. E indaga: “Qual a razão do projeto para o empreendimento não levar em consideração a compatibilização com essas características ambientais do bairro?”. Lembra, ainda que o shopping se localiza em “área de reconhecido valor patrimonial”, porque pertence ao setor 1 de preservação do entorno do jardim histórico da Praça de Casa Forte, com proteção nacional pelo Iphan (a praça é tombada, por ter sido o primeiro projeto de jardim público executado pelo paisagista Burle Marx). Afirmam os moradores que a área em questão está com previsão de ser anexada à expansão da Zona Especial de Preservação Histórica do Poço da Panela – ZEPH 5. Enfim, são tantos os questionamentos, que não caberiam aqui. O projeto também estaria com o gabarito superior ao permitido. O debate tem participação de arquitetos e relatórios como o do Grupo de Paisagismo do Curso de Arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco serão apresentados. A comunidade esclarece: não é contra o desenvolvimento. Mas não aceita que este prejudique as características do Poço da Panela,um bairro cheio de história. E que merece ser preservado.
Entenda melhor a celeuma, lendo os links abaixo e assistindo ao vídeo, que foi preparado pelos moradores do Poço e que está em circulação nas redes sociais.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Coletivo Amo Poço Forte
