Estelita: “Memória só serve para juntar lixo e barata. Que venha o progresso”

Se tem um assunto polêmico, é esse tal do Projeto Novo Recife, que  prevê a construção de treze edifícios no Cais José Estelita. As postagem sobre o inicio da demolição, a ordem judicial suspendendo os serviços e o anúncio da Prefeitura de que vai recorrer em favor do empreendimento imobiliário geraram uma enxurrada de comentários aqui no #OxeRecife.  Porém 65 por cento das mensagens defendem a implantação do projeto, por considerar que a área está muito degradada e que até o momento não surgiu nenhuma outra iniciativa para sua recuperação.

“Graças a Deus, o progresso da cidade vai aparecer, pois hoje em dia (o Cais José Estelita) é lugar de bandidos de uso de drogas. Com o projeto, vamos ter um Recife juntado com a beleza do Shopping RioMar e a valorização do Bairro de São José”, diz o dançarino Fred Salim. “E era para deixar aqueles galpões abandonados lá?”, ironiza Alexandre Vasconcelos.  Para Arlete Falcão, o Projeto Novo Recife é vítima da “mania de pernambucanos’. E explica: “Quando alguém que botar algo para frente, vem outro e põe para baixo. Isso tudo porque é (o Novo Recife) iniciativa do empresariado, pois o governo nunca propôs coisa alguma para aquele espaço”. Para Pedro Barbosa, as ruínas que estão ali não fazem mais sentido. “Derruba, Estelita. Desenvolvimento e emprego para o Recife”.  Para Delano Santos, o projeto – se concretizado – contribuirá com maior oferta de trabalho.

“Bom é a fila que está se formando de gente desempregada, para entregar currículo na frente da demolição. Estou só esperando a liberação para ver a fila aumentar”, diz Delano.  Fábio Leão reforça: “Libera isso, gera trabalho, renda, utilidade e revitalização”.  Pedro Barbosa é da mesma opinião: “#DerrubaEstelita. Por desenvolvimento e emprego para o Recife”.  Já Anderson Straube diz porque apoia a iniciativa: “Parabéns, uma favela a menos no Recife”. Eugênia Henriques também defende a demolição das ruínas e a implantação do projeto previsto para o Cais José Estelita: “Memória só serve para juntar lixo e barata, que venha o progresso”. Para Maurício Falcão, derrubar é a solução. “Sou a fvor que derrube mesmo, porque todo mundo fala “Ocupe Estelita, mas ninguém dá solução para aquilo lá, um negócio escuro e abandonado”. Luís Vegno cobra: “Alguma ideia (dos manifestantes) para aproveitar o espaço? Só mimimi, nada de ideia”.

Como vocês sabem, a implantação do Projeto Novo Recife se arrasta desde 2012, quando o empreendimento foi aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife. Desde então, vem enfrentando ações judiciais, suspeição quando à sua tramitação nos meandros burocráticos do poder público e também mobilização dos movimentos sociais que, em 2014,ocuparam a área para impedir a demolição dos galpões dos antigos armazéns que serviram à Rede Ferroviária do Nordeste.  Houve até confronto com a Polícia Militar e ação de reintegração de posse. Foi aprovada uma lei – 18.138/2015 – que elaborou um plano específico para o Cais de Santa Rita, o Estelita e Cabanga, mas o Ministério Público questiona a rapidez com que o projeto foi aprovado. Considerando-se livre para da início às demolições, o Consórcio responsável pela obra colocou máquinas no local, para derrubar os velhos armazéns. Na terça, tudo parou, por determinação da Justiça, para quem “não há segurança jurídica” para implantação do empreendimento. Movimentos sociais – como o Grupo Direitos Urbanos –  também questionam a legalidade do empreendimento.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Hans Von Manteuffeul

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