Branca Dias volta ao palco: “Senhora de Engenho, entre a Cruz e a Torá”

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Não é novidade. O pernambucano gosta de história. E muito mais da própria história: revoltas, ocupação holandesa, Revolução de 1817, Golpe de 1964. Portanto, uma boa dica é mergulhar em uma das personagens mais emblemáticas da nossa trajetória desde os primórdios da colônia portuguesa. Seu nome: Branca Dias (1515-1589), a mulher que viveu em nossas terras no século 16, e que conseguiu driblar a Inquisição não só no seu país de origem (Portugal), como no que escolheu para morar (o Brasil).

Fiel à vida de tão lendária figura – tanto que contou com consultoria das historiadoras Suzana Veiga (doutora em história do judaísmo)  e Tânia Kaufman (assessoria histórica e religiosa)– a peça “Senhora de Engenho, entre a Cruz e a Torá” volta ao cartaz, nos dias 29 e 30 de janeiro, com duas apresentações durante o Festival Janeiro de Grandes Espetáculos. É imperdível. Quem ainda não viu, deveria ver. Pois trata-se de uma boa oportunidade para mergulhar na história, que se passa no século do descobrimento do Brasil, aqui em Pernambuco.

Diretor Emanuel David D’ Lucard (de camiseta branca) junto com equipe técnica e elenco da peça sobre Branca

Já assisti a montagem por três vezes. Estive no espetáculo em encenações no Teatro Marco Camarotti e na Sinagoga Kahal Zur Israel (no Recife); e no Casarão Amazonas Mac Dowell  (em  Camaragibe). E cá para nós, recomendo independente do local da encenação, embora uns imóveis contribuam para climão maior do que os outros. Como é o caso do casarão, por exemplo. Ele fica em uma colina, situada em terras onde no passado funcionou o Engenho Camaragibe, de propriedade de Diogo Fernandes, o marido de Branca.

Foi muito incrível vivenciar a história da judia no local onde passou boa parte de sua vida, em terras do antigo engenho  Camaragibe, onde dizem que o fantasma de Branca Dias aparece ainda hoje, em pleno século 21. O texto da peça é de Miriam Halfim. A montagem sob direção de Emanuel David  D’ Lucard  é simples e criativa, e é uma boa oportunidade para que o público mergulhe na fascinante história de Branca, personagem que até hoje alimenta o imaginário popular na nossa cidade.

Mãe em Lisboa, é presa pela Inquisição, enquanto o marido tentava a vida no Brasil. Ao ser libertada, resolve cruzar o oceano com os filhos menores para reintegrar a família, depois de conseguir sua libertação em Portugal. Ao chegar, descobre que o marido tinha outra família e consegue contornar a situação. Amiga do poeta Bento Teixeira (Prosopopeia), consegue fundar uma escola particular, para angariar recursos financeiros para recuperar seu engenho em crise. Também disfarçava a religião. Colocava uma cruz na frente da casa, para fingir ser católica e driblar a Inquisição. Mas a religião judaica era praticada no interior da casa grande.

Na fachada da casa, Branca Dias ostentava a Cruz (símbolo cristão). No interior, fidelidade à Torá (Bíblia judia)

No Recife, Branca deixou marcas. O nome do Açude que fica no interior do Parque Estadual de Dois Irmãos, o Açude do Prata, deve-se a uma história atribuída ao momento em que, já viúva,  foi capturada no Brasil pela Inquisição, quando teria atirado suas pratarias nas águas, para evitar que a Igreja Católica ficasse com elas.

A peça volta aos palcos do Recife dentro do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos. Dessa vez, ocupará o Teatro André Filho, que fica no Espaço Fiandeiros,  à Rua da Saudade, 240, Boa Vista. Os ingressos já estão à venda no Sympla. E nos links abaixo, você tem mais informação sobre a peça, que faz sucesso há 14 anos, e que já percorreu várias cidades no Brasil e até chegou ao exterior. E também sobre filme inspirado em Branca Dias.

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Serviço:
Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá,
Quando: dias 29 (quinta-feira) e 30 (sexta) de janeiro
Horário: 19h30m
Onde: Teatro André Filho
Endereço: Rua da Saudade, 240, Boa Vista, área central do Recife

Ingressos: Inteira: R$ 60.00; Meia:    R$ 30.00
Venda: Sympla
Informações (81) 99536-4746

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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