A população do Recife não toma jeito. E, pelo que se observa, as empresas, prestadoras de serviços e até órgãos públicos… também não. Como se não bastasse a bagunça das ruas do centro – calçadas indevidamente tomadas, buracos, valas, esgotos destampados – a parte superior dos abrigos de usuários do transporte coletivo da Avenida Conde da Boa vista está sendo utilizada como lixeira, ou como guarda-volumes da população em situação de rua.
A reclamação é do fotógrafo Genival Paparazzi, que mora na área central da cidade e costuma documentar não só as mazelas de vias como aquela, como também de outras como a Sete de Setembro, a Hospício, a Aurora. Do alto do edifício onde reside, já assistiu a cenas de violência – assaltos – e observa uma quantidade cada vez maior de pessoas sem teto sob as marquises, ou usando os bancos dos abrigos como camas. Muitos costumam guardar pertences sobre os abrigos, enquanto mendigam ou aguardam a vez em filas de distribuição gratuita de comida.
Mas há casos em que o problema é lixo mesmo. E vem de gente sem noção, que joga detritos do alto dos prédios. “Pergunto aos garis porque não limpam as cobertas, mas eles dizem que a obrigação é de varrer só o asfalto e calçadas”, desabafa o fotógrafo. A mania de usar abrigos como guarda volumes começa a se espalhar também pelos bairros. Já tenho visto situações como aquela da Av Conde da Boa Vista em vias como a Dois Irmãos e a Dezessete de Agosto, em bairros da Zona Norte.

Até poucos dias atrás, havia colchão, mochilas e outros apetrechos sobre o abrigo que fica à altura da Praça de Apipucos. Porém o material foi retirado. E, depois, acomodado em um “armário” da Oi, que vive escancarado à mercê da ação de vândalos e bandidos. Horroroso, o armário por si só já é uma agressão à beleza da praça, que se inclui em área de preservação. Do jeito que ele está, será que ainda serve para alguma coisa?
Atentado estético à parte, o “armário” agora tem colchão, garrafas PET, e outros artigos de uso pessoal. Ao lado do “armário”, uma vara metálica segura dois orelhões enferrujados com seus aparelhos telefônicos que não servem para nada, o que é cada vez mais comum no Recife. As operadoras desativam seus orelhões mas deixam as sucatas pelas ruas. Aliás, sucata só, não. É que prestadores de serviços de operadoras de telefonia costumam deixar nas ruas e calçadas restos de fiação, de equipamentos, provocando quedas e acidentes. Como se não bastasse a profusão de fios arriados ou à altura dos nossos joelhos, ameaçando a segurança de pedestres.
Cadê a fiscalização?
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (#OxeRecife) e Genival Paparazzi) / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

Cada dia mais desorganização, sujeira e caos no centro da cidade.
O material abandonado pela Oi é outras operadoras não é retirado,mas não caberia uma fiscalização da prefeitura para que as empresas responsáveis cumpram a sua ” missão “?( desativou algum equipamento, fazer a retirada imediata; mexeu na fiação ,recolher o material de sobra etc).Tão primário e elementar que fica difícil aceitar a negligência e o descaso da prefeitura .
O resultado é a “normalização” da situação que, como dito na matéria, já atinge outros bairros.
Lamentável!