Que degraus são esses ? Falta de fiscalização e risco de queda em prédios

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As pessoas costumam pegar elevador até mesmo para subir dois ou três andares. Mas quem gosta de usar escadas em prédios do Recife, como é o meu caso, vai constatar que muitas delas não seguem o que está prescrito pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.  É muito comum (talvez por medida de economia por parte de construtoras) que tanto os espelhos quanto a profundidade dos degraus não estejam em consonância com as normas definidas pela ABNT, o que provoca riscos de queda nas pessoas. Observem só a foto acima e vejam que o piso do degrau não é compatível com o tamanho do pé da pessoa.

Nessa semana, estive  em três imóveis, dois empresariais e um residencial, e observei que em todos eles a NRB 9050 não é cumprida. Por essa norma brasileira, a altura do espelho (aquela parte vertical do degrau) tem que entre 16 e 18 centímetros de altura, enquanto a profundidade do piso (a parte horizontal) não pode ser inferior a 28 centímetros. Além disso, as escadas, principalmente de prédios, devem ter um mínimo de 80 centímetros de largura. Nesse último quesito, até que as distorções não são muitas. Mas  na profundidade do piso, o que se encontra é isso daí, o que – com certeza – não é correto, nesse degrau da foto abaixo, na Praça de Casa Forte.

Degraus nas escadas de edifícios não seguem normas técnicas no Recife. Prédio comercial na Tamarineira

Nessa semana, estive  em três imóveis, dois empresariais e um residencial, e observei que em todos eles a NRB 9050 não é cumprida. Por essa norma brasileira, a altura do espelho (aquela parte vertical do degrau) tem que entre 16 e 18 centímetros de altura, enquanto a profundidade do piso (a parte horizontal) não pode ser inferior a 28 centímetros. Além disso, as escadas, principalmente de prédios, devem ter um mínino de 80 centímetros de largura. Nesse último quesito, até que as distorções não são muitas.

Mas nos degraus, aí… a bronca é grande.  No primeiro caso, em um empresarial no bairro de Casa Forte, desci as escadas com o maior cuidado do mundo, me apoiando no corrimão, ao observar que o piso dos degraus tinha comprimento menor do que o do meu calçado. Eu usava um par de tênis e me assustei diante da desproporção entre o tamanho do meu sapato e o piso em questão. E olhem que tenho um pé pequeno, calço 36 mas costumo usar tênis com um número a mais (37), por causa das meias e para dar conforto na caminhada.

Pois meu pé era muito mais comprido do que a extensão do piso. Soube depois, que os frequentadores do prédio têm o mesmo tipo de reclamação. E que já houve acidentes. Quem calça,  38, 39, 40, 42, 45, como é que fica? Difícil, o equilíbrio, não é?  Ou seja, um risco ainda maior. Se o prédio fica em uma região sofisticada e é desse jeito, imagem em outras áreas populares do Recife. No caso de Casa Forte, onde o empresarial é novo, o que se dá para pensar é que há conivência ou falta de fiscalização por parte das autoridades, com relação às normas técnicas exigidas.

O segundo prédio em que encontrei o mesmo problema foi um outro de dois pavimentos, no bairro da Tamarineira (foto na parte superior do post).  A desproporção entre o que estabelecem as normas técnicas é tão flagrante, que a proprietária de um salão de beleza localizado no primeiro andar me confidenciou que por conta da “falha na construção da escada”, quase que não conseguia liberação para funcionar,  após a vistoria do Corpo de Bombeiros. Para evitar acidentes com os clientes, ela  reforçou as quinas dos degraus. No bairro do Pina, um empresarial, e o mesmo problema. Passei, então, a observar essa irregularidade por onde ando, e percebi que é muito mais frequente do que eu pensava.

A aprovação de degraus aparentemente na medida certa ficou por conta de um prédio residencial, na Rua Joaquim Nabuco, nas Graças, onde constatei por acaso a diferença, o cuidado e a obediência às normas da ABNT. O piso do degrau era bem menor do que o do meu calçado. Não sou engenheira, nem arquiteta, mas acredito que, no Recife, essas exigências deveriam ser cumpridas.

Finalmente, um degrau correto e seguro, em prédio residencial na Rua Joaquim Nabuco, Graças

Economizar material em construções reduzindo tamanho de degraus em escadarias de prédios não é uma atitude adequada nem responsável. No século passado, a proliferação de prédios do tipo caixão, tinha por base um tipo de construção que representava economia e excesso do vil metal no bolso dos empreendedores da construção civil. Deu no que deu.  Escadas mal feitas podem não colocar em risco a estabilidade dos prédios como acontece com 6 mil imóveis no Grande Recife, que apresentam algum tipo de risco de desabamento. Mas, com certeza, não dá equilíbrio ao corpo humano. E todo mundo sabe que queda em escada é bem perigosa….

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Texto e fotos: Letícia Lins / OxeRecife

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