Parem de derrubar árvores (496). Poda realizada dois anos após solicitação

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O barulho da motosserra insana estava infernal, na manhã do domingo, último dia do mês de agosto. E era muito próximo. Pulei da cama, na expectativa de novas árvores derrubadas, no Recife do arboricídio e da emergência climática.

Para meu conforto, tratava-se de uma poda perto da Igreja de Nossa Senhora das Dores, em frente à Praça de Apipucos. Na verdade, duas árvores seculares, sendo que uma é um fícus imenso e lindo, que cresceu tanto que tomou até mesmo o espaço destinado a pedestres na calçada. Costumo subir a pequena ladeira que passa ao seu lado, para evitar me arriscar no meio da pista, disputando espaço com automóveis.

Mas  está lá, deixa.  Uma árvore adulta faz muita falta quando eliminada. Atravessei a rua – moro perto – para ver se localizava algum engenheiro agrônomo da Emlurb, para perguntar o prazo para atender um pedido de poda de árvore, pois em agosto de 2025 completou-se um ano de pedido do serviço na Rua da Alliança, no bairro de Apipucos.  Ao chegar do outro lado, uma moradora me informou que a poda dupla foi por ela “solicitada há dois anos”. Ou seja, como a minha solicitação completou um ano, nessa marcha terei mais doze meses de espera. Serviço público mais do que “ágil”, não é? Pior: na semana passada, a Neonergia esteve na Praça de Apipucos, onde realizou um dos serviços mais sebosos que já vi. Além de deixar fios caídos do alto junto a minha casa e de uma vizinha, ainda fez podas pela metade. Quando reclamei, a resposta foi a de sempre. “Só podemos cortar os galhos que batem nos fios”. Ou seja, todas as árvores estão com o peso de um lado só, como é comum no Recife. E isso facilita quedas. Quando a árvore cai, é ela que leva a culpa, como sempre tem acontecido. Também fiquei me indagando porque a Emlurb não usa o aparato tão grande –  CTTU, caminhões girafa e outros equipamentos – para aproveitar uma viagem só, e fazer tudo de uma vez.

Se vem para um lado, faz tudo de uma vez como requer um bom planejamento e racionalização de gastos. Há alguns anos, solicitei poda no meu endereço, mas o serviço público não deu a cara. Até hoje. Enviei, então, um e-mail à Emlurb, informando que ia contratar um particular para a poda. E assim foi feito, pois até hoje também não recebi resposta de setor competente. Agora, nova espera. E a gente paga, então, IPTU para quê?

Dessa vez, estou preferindo aguardar por achar que o corte é mais complexo. Porém com essa demora toda, fica complicado. No inverno, até galho grande e pesado caiu sobre minha residência. Sorte que não houve danos maiores. O pedaço que caiu da árvore que fica em área pública, no entanto, foi retirado por particulares. Em Apipucos, como em grande parte da cidade, as árvores estão abandonadas, mal cuidadas,bichadas muitas vezes, e com podas não realizadas quando solicitadas ou necessárias, colocando-as sob risco. E quando vem a Neonergia e corta tudo de um lado só, aí é que o perigo aumenta mesmo e quem leva a culpa? As árvores… No caso do final de semana, resta um consolo. A poda demorou dois anos para ser feita, mas -pelo menos – as árvores não foram assassinadas. Estão peladas, mas firmes. E vão desabrochar de novo…

Veja perdas que ocorreram no bairro de Apipucos e no vizinho Macaxeira, já registradas aqui na série #paremdederrubarárvores que, tendo em vista a gravidade da situação, virou uma campanha permanente. Que jeito?  Muitas das plantas erradicadas até hoje permanecem sem reposição. O que é triste demais de se ver…

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Texto, vídeo e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

 

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Um comentário

  1. Ainda bem que a árvore foi preservada.
    Mas o descaso com que fazem as demais podas,provocando desequilíbrio e queda iminente das árvores, é um absurdo . Há falta de planejamento para as ações necessárias e algumas urgentes,com um tempo de espera de 02 anos,algo inadmissível.
    Vamos continuar na luta,divulgar,compartilhar e ,quem sabe,a Emlurb tome alguma providência. Temos que reconhecer o árduo e incansável trabalho do #Oxerecife em defesa da preservação e manutenção do nosso patrimônio verde.

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