Está difícil. Sinceramente, não consigo entender a política de arborização do Recife. Onde chego há reclamações sobre cortes que são sentenças de morte, degolas e erradicações (arboricídios) sem justificativa aparente. E também sobre a demora para atender a demandas da população, quando há necessidade de aparar os galhos de nossas árvores. Nesta semana, ouvi um diretor de arborização da Emlurb informar, em programa de televisão, os prazos para atender a pedidos de poda: “uma semana a quinze dias para a vistoria” e “um mês para a execução do serviço”. Meu queixo caiu… Há um ano espero por poda nas árvores da rua.
Por experiência própria, aqueles prazos são só na teoria. Quando vim morar no bairro de Apipucos, a rua lateral à minha casa e os canteiros em frente à fachada, pareciam um areal. Zero verde. Solicitei plantio de árvores na época à Prefeitura, que colocou três mudas de uma planta popularmente conhecida como acácia clitoriana. Soube depois que ela não é muito aconselhável para calçadas com pouco espaço. Mas, enfim, cresceram. Ao longo do tempo, duas foram erradicadas na rua. A única que restou está imensa (fotos). Sobrevivem, ainda, três dos quatro pés de pau-brasil que eu mesma plantei ao lado e em frente à minha casa. Em agosto de 2024, liguei para o 156 da Emlurb, solicitando poda para as árvores da rua, os pés de pau-brasil e principalmente a acácia que é a mais invasiva, digamos assim. Ou seja, uma solicitação feita há um ano. Há uns quinze dias, encontrei um engenheiro agrônomo da Emlurb vistoriando as plantas da área pública, e que reconheceu a necessidade urgente de poda. Pelo menos foi o que me informou. Mas poda que é bom… nada. Não é a primeira vez. Já acionei a Emlurb para poda da mesma acácia. Como o chamado não foi atendido, convoquei um ex-jardineiro muito conceituado que hoje trabalha nesse tipo de serviço.
Como não dava para esperar mais, enviei um e-mail para a Emlurb informando que como o serviço não não foi efetuado, contrataria um profissional para fazer, como forma de me resguardar legalmente, já que cabe ao poder público a manutenção de árvores em praças, jardins, calçadas. Não veio resposta, e o particular – muito bom, por sinal – realizou a poda Depois, pedi tratamento para cupins de outra árvore. Não veio. Contratei uma empresa particular para fazer o serviço. Em agosto de 2024, novo pedido de poda. Em 2025, por conta da omissão do órgão público, um galho imenso do pé de pau-brasil caiu sobre a minha casa, felizmente sem provocar danos maiores. Poda que é bom… nada. Nem para recolher o galho imenso que partiu-se a Prefeitura veio. E não foi por falta de aviso.

Nesse período de omissão da Emlurb, a Neonergia já veio fazer poda duas vezes nas árvores. Fiquei toda contente quando vi o caminhão girafa estacionado aqui do lado, em 2024, pensando tratar-de de atendimento ao meu pedido. Mas não era a Emlurb. Era a Neonergia, para cortar os galhos que batiam na fiação aérea. Ou seja, corte só de um lado – como sempre – tirando o equilíbrio de quem precisa viver de pé.
Nessa semana, ouvi de novo movimentação na calçada. Não era a Emlurb, mas a Neonergia de novo, para marcar as plantas que precisam de corte para não prejudicar a rede elétrica.No sábado, estiveram avaliando as árvores de novo, informaram que avisarão desligamento de luz e que, em seguida, voltam para o corte. Aí é que mora o perigo, porque só é feita a poda onde tem fio. Enquanto isso, o serviço necessário para as árvores fica para depois. Ou nunca, como aconteceu da outra vez.
Aí, quando a planta está já quase caindo devido ao desequilíbrio no peso de sua copa, vem uma equipe e tora tudo. Como aconteceu com um pau brasil que ficava aqui do lado. Esquartejaram a árvore em 2017 e deixaram as “postas” fervilhando de cupins. Me deu desespero, porque achei que eles iam invadir as outras plantas. Leia esse caso no primeiro link abaixo. Os demais são sobre perdas no bairro.
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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

É uma irresponsabilidade total da Emlurb,que deveria fazer a manutenção / fiscalização das árvores que necessitam de poda e tratamento executar o serviço necessário.
A Neoenergia faz a ” parte” dela,podando as árvores que ameaçam a fiação. O resultado é o desequilíbrio total das árvores, cujo final é a guilhotina já que a poda executada pela Neoenergia é ” unilateral”.
A impressão que tenho é que a Emlurba “terceiriza” a poda para a Neoenergia e depois faz o serviço final: elimina a árvore que ameaça tombar…
Ela se isenta da responsabilidade de um problema que não conseguiu resolver por incompetência, negligência e falta de punição.