A concentração de chuvas – cada vez mais fortes – está custando caro às árvores das ruas, praças, jardins do Recife. Em 1º de março deste ano, quando os pluviômetros registraram em apenas seis horas o total de precipitação esperada para dez daquele mês, a cidade perdeu nada menos de 30 árvores. Com o temporal que vem ocorrendo nas últimas 24 horas, já se foram 14, segundo a Comissão de Defesa Civil do Recife. Em fevereiro de 2020, as chuvas derrubaram nada menos de 77 árvores em um temporal. É muita coisa… Nas últimas 24 horas, a situação voltou a se repetir, embora em quantidade menor. Pelo menos até agora.

“A Emlurb registrou, neste período, seis ocorrências com árvores na cidade. Uma já foi concluída e as demais estão com o serviço em andamento”, informava a PCR pela manhã. À tarde, já eram oito a mais. Árvores morrem, árvores tombam, árvores são vítimas de arboricídio, quando está em ação a motosserra insana. Cair, morrer, é normal. Acontece. E ao contrário do que ocorre nas matas, onde elas se decompõem com a ajuda de cupins e adubam o solo, nas áreas urbanas precisam ser removidas do asfalto, para desobstruir o trânsito. Os locais onde as árvores caíram ainda não foram divulgados. Mas um deles foi a Rua Flor de Santana, segundo registro de Paulo Hirakawa, professora de Pilates da blogueira aqui.
A da Flor de Santana, no Parnamirim, uma árvore grande, como se pode perceber. Também houve queda na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, Zona Sul. No caso da árvore da Zona Norte, ficava em frente ao Edifício Aroeira, número 342 da Flor de Santana. Ao longo dos últimos anos, a via vem perdendo boa parte do seu patrimônio verde. Em 2019, de uma só tacada, oito árvores foram degoladas pela especulação imobiliária na rua, cujo nome lembra o que mais nos alegra em um jardim: flor.
As chuvas trazem outro problema. É que, após a queda, a planta precisa de reposição. O que a população deseja é que o mesmo alegrete onde ela estava, seja contemplado com uma muda grande, com no mínimo dois metros e meio de altura. Mas, infelizmente, isso nunca acontece, pois a população jamais é informada da reposição de árvores que tombam a cada temporada invernosa. Nem a Emlurb, nem a Secretaria do Meio Ambiente do Recife, nem mesmo a assessoria direta do Prefeito João Campos (PSB) informam sobre esse tipo de iniciativa.
É como se esse fosse um problema menor para a gestão pública. Não é. Para o meio ambiente, o plantio de árvores é tão importante quanto a limpeza de canais e rios. Mas o que a gente vê, sempre, são os canteiros vazios. As árvores são erradicadas, destocadas, mas plantar que é bom… neca! Essa época inclusive é ideal para o cultivo, porque a muda dispensa rega, já que sempre está chovendo. Seria interessante que a prefeitura nominasse as árvores caídas da mesma forma que relata os pontos de alagamento, onde esteve caminhão com bomba de sucção. A população seria informada onde ocorreram as quedas, e também da providência tomada pelo poder público, além da simples remoção.
Veja, abaixo, outras perdas verdes registradas pelo #OxeRecife devido a chuvas. E também por conta de cortes e erradicações no bairro do Parnamirim, Zona Norte.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Paula Hirakawa / Cortesia
