Nosso Strauss pernambucano ganha Medalha de Ouro Mozart de Viena

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Filho de um amante da música clássica – que por esse motivo o chamou de Strauss – e nascido no município pernambucano de Abreu e Lima, o flautista James Strauss acaba de receber a Medalha de Ouro Mozart da Mozart Gemeinde Wien, inédita para um brasileiro. A comenda foi  concedida  por sua gravação da obra completa de Mozart para flauta

A outorga é de responsabilidade da mais antiga e respeitada sociedade mozartiana do mundo (fundada em 1913 em Viena). Criada em 1973, a Medalha de Ouro Mozart de Viena só foi conferida dez vezes e James Strauss é o primeiro brasileiro a recebê-la, um marco cultural e diplomático musical que se junta a outros títulos notáveis do músico, mais conhecido lá fora do que em seu próprio país.

Ele é Embaixador da Paz da ONU (por conta do seu trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes na Venezuela), e foi o primeiro brasileiro a ser diplomado como concertista em flauta pela Escola Normal de Música Alfred Cortot de Paris.  Em 2025, está concorrendo ao Grammy Latino em música clássica. O Strauss pernambucano tem uma história curiosa. Seu pai, Tadeu,  tocava violino na Orquestra Sinfônica do Recife, e chegou a dar aulas ao próprio filho com seu instrumento de cordas. Ele começou a tocar aos sete anos.

James Strauss começou a tocar aos sete anos, tocando violino com o pai. Optou pela flauta e virou celebridade

Mas ao contrário do pai, optou pela flauta, quando se defrontou pela primeira vez com um disco de Jean-Piere Rampal (1922-2000), considerado o maior flautista do seu tempo.   Este ano, o brasileiro se prepara para lançar três álbuns, todos pela Universal Music: “Projeto Carl Nielsen”, “As Quatro Estações de Vivaldi” e “Tributo a J.S. Bach”). E  irá comemorar seus 50 anos em um concerto de aniversário no Golden Hall do Musikvereinem Viena, o epicentro da música clássica mundial, no dia 15 de novembro. Mas antes, faz turnê pelo Brasil, com concertos em João Pessoa e Recife, além de apresentações em Praga, consolidando uma presença artística consistente nos principais centros culturais europeus.

Coisa boa: Historicamente conhecido por sua rica tradição musical popular – samba, bossa nova, choro, MPB – o Brasil tem experimentado nas últimas décadas  desenvolvimento no campo da música erudita, com a criação de orquestras sinfônicas de nível internacional, o surgimento de compositores brasileiros reconhecidos mundialmente, e a formação de intérpretes de classe mundial colocaram o país no mapa da música clássica internacional.
A presença de um brasileiro entre os laureados da Medalha de Ouro Mozart representa o reconhecimento desta evolução. E isto é muito bom.

Não se trata apenas de uma conquista individual, mas da validação internacional de todo um ecossistema musical que se desenvolveu no Brasil: conservatórios de excelência, professores de renome internacional, orquestras de qualidade mundial, e uma geração de músicos formados sob os mais altos padrões técnicos e artísticos. E viva ao nosso Conservatório Pernambucano de Música, e nossas orquestras e bandas sinfônicas que tanto contribuem para divulgação da música clássica. Em 2022, Strauss esteve aqui, onde foi solista em concerto da Orquestra Sinfônica do Recife.

Olhem ele aí, tocando em Viena. Meu Deus, que arraaaaasoooooo!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação
Vídeo : YouTube

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Um comentário

  1. Um músico extraordinário! Domina a flauta com muita técnica e harmonia. Orgulho imenso para os pernambucanos.E ,sim,nossos talentos têm se destacado nos grandes concursos internacionais graças às Orquestras Sinfônica e,principalmente, ao Conservatório Pernambucano de Música, berço dos grandes músicos que hoje são reconhecidos nos centros musicais de excelência.
    Parabéns para o James Strauss!

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