Ele funciona como maternidade e berçário para animais de rios e mares. Muitas espécies ali nascem, ali se criam e depois ganham o oceano, como peixes e crustáceos. O problema é que o manguezal sofre pressão da especulação imobiliária, do turismo, do lixo, do excesso de esgoto que atiram no rio. E hoje, 26 de julho é o Dia Mundial de Proteção ao Mangue. Para assinalar a data, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE) lança nessa segunda-feira (26), uma publicação detalhada sobre o Zoneamento Ambiental e Territorial das Atividades Náuticas do Estuário do Rio Formoso. O Zatan, como é conhecido, constitui um amplo trabalho de ordenamento das atividades náuticas e socioeconômicas (pesca, turismo, etc), além dos usos de ambientes naturais da região. Tudo para garantir a preservação do meio ambiente. Sua área de atuação é maior do que a de um município como Olinda. e abrange três áreas de preservação do Litoral Sul.
São elas: APA de Guadalupe, Parque Natural Municipal do Forte de Tamandaré e de uma pequena porção da APA Costa dos Corais, as três sofrem forte pressão turística. Entre outras medidas, o Zatan estabelece a definição de espaços para o lazer de banhista, mergulho, aluguel de brinquedos náuticos, banhos de argila, número máximo de pessoas e de passeios por embarcações, atividade de pesca, pesquisa. Também há limitações impostas, a exemplo de ponto fixo de comércio na faixa de praia, realização de eventos náuticos, tráfego de embarcações motorizadas a depender de local específico. A iniciativa abrange uma área de 58,3 km² de terra, mar e estuário, sendo a maior porção de água (o que representa um território maior que o município de Olinda). Na linha costeira, o trecho fica entre a praia de Gamela (Sirinhaém) e a praia de Tamandaré (Tamandaré). Também integra o projeto todo o ambiente estuarino do Rio Formoso, com uma faixa de 50m a partir de suas margens e o ecossistema manguezal e seu entorno.

O Zatan, portanto, é uma ferramenta mais do que necessária para disciplinar o turismo no Litoral Sul do Estado. O lançamento do volume, de 212 páginas, acontece de forma virtual, às 10h de hoje. E acontece durante o webinário “O caminho das águas do Estuário do Rio Formoso”, com transmissão pelo canal da Semas no Youtube. A produção do livro contou com a colaboração da Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh). Todo o materiall agora está ao alcance de todos no site da Semas”, informa a secretária estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade em exercício, Inamara Mélo. Além do processo de construção participativa, o volume descreve a abrangência territorial da iniciativa, as considerações sobre a atividade náutica e a prevenção do dano ambiental levadas em conta, a metodologia usada, capacidade de carga para área, diagnóstico participativo.
O Zatan dispõem sobre regulamentação aplicada a todas as zonas (ambiente praial; santuário do mero; e marítima) e as subzonas. Também traz o decreto, publicado em janeiro deste ano pelo Governo do Estado, que regulamenta o Zatan e um rico acervo de mapas detalhando os ambientes e suas regulamentações. A publicação será apresentada no webinário, que conta com a participação da representante do Projeto TerraMar (Doerte Segebart). Participam: Clemente Coelho (biólogo e doutor em oceanografia); Paulo Wanderly Melo (pesquisador e integrante do Projeto Painel); Andréa Olinto (gerente de Política Costeira da Semas/PE). Doerte abordará a gestão ambiental integrada e a conservação da biodiversidade costeira e marinha na Costa dos Corais. Já Clemente Coelho fará exposição com tema “Manguezal: conectando vidas, conectando pessoas”, e Paulo Wanderly Melo sobre “Pescadores do Passeio Ecológico da Área de Proteção Ambiental de Guadalupe”.
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Serviço
O que: Semas lança publicações sobre zoneamento de atividades náuticas no Litoral Sul (Zatan)
Quando: segunda (26/07), às 10h.
Onde: https://youtu.be/HHiTZKVPhVw
Confira a publicação: https://bit.ly/publicacaozatan
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Semas – PE / Divulgação
