Gretchen: Mulher faz o que quiser?

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Por muito tempo chamada de Rainha do Bumbum e musa  do rebolado devido a muitos sucessos, como Conga La Conga, eis que a cantora Gretchen volta a ficar em evidência. Mas dessa vez como estrela de campanha institucional da Prefeitura do Recife. Ela aparece em vídeo em campanha contra o machismo e contra a violência de gênero, voltada para o período carnavalesco. “Lança tua braba, mulher, e faz o que quiser”. É o recado que a artista dá em gíria que significa, mais ou menos “Mostra tua atitude”.

Ela é protagonista da quinta-edição do Pequeno Manual Prático de Como Não ser Babaca, lançado nesse período para evitar abusos  como beijos forçados, por parte dos foliões, já que no carnaval os homens fica mais “afoitos”, como dizem as mulheres. “O Manual deste ano ressalta a diversidade da cultura recifense, permeada pelo brega-funk e suas expressões, pelo ritmo frenético de Gretchen e sua persona”, informam os autores da campanha. E o frevo, onde é que fica?  Por que não ele? Naqueles ritmos, “o propósito é combater o machismo em todas as suas formas e garantir o direito das mulheres de curtirem o Carnaval, reforçando que o consentimento é a medida da diversão e engajando a sociedade no enfrentamento à violência de gênero”.

Situações como o beijo forçado, a puxada de braço e o assédio verbal são alguns dos pontos lembrados, pelo Manual, assim como violência e até crimes de importunação sexual. “Reforçar o combate aos mais diversos tipos de violência contra a mulher é uma ação contínua da Secretaria da Mulher do Recife nas grandes festas. Este ano, nossa ideia é expandir ainda mais essa mensagem, engajar a sociedade e fazer um carnaval cada vez mais seguro para as mulheres”, comenta a secretária da Mulher do Recife, Cida Pedrosa. A criação da campanha contou com uma equipe predominantemente feminina. Na execução do videoclipe, as mulheres dominaram o elenco, a direção, a fotografia, a produção, a coreografia, a maquiagem e o figurino.

Além de versões impressa (para distribuição na Central do Carnaval) e digital (para compartilhamento em redes sociais), o manual conta com videoclipe, spot para rádio, conteúdo para WhatsApp, gifs e memes. Conhecido internacionalmente, o Pequeno Manual de Como Não Ser um Babaca no Carnaval faz parte ainda dos Kits do Folião, entregues pela Secretaria municipal de Turismo e Lazer aos turistas que chegarão para a folia do Recife. Muito legal, a campanha. Afinal, em Pernambuco, houve tempo em que a justiça precisou interferir em abusos praticados por foliões em Olinda, durante o carnaval, já que na cidade havia o chamado corredor do beijo, onde qualquer foliã que passasse estava sujeita a receber bicotas e outros “presentes”  mais apimentados dos rapazes que tomavam vias da cidade. Alguns homens se excederam e chegaram a ser presos, sob acusação de assédio sexual, nos primeiros anos da proibição do beijo forçado. Mas a farra acabou, depois da interferência de órgãos como o Ministério Público e a polícia.

Não se pode dizer, no entanto, que do outro lado, no caso as mulheres, não haja excessos também. Certa vez, estava com uma conhecida, seguindo blocos em Olinda. Mas dei uma de doida e me “perdi” voluntariamente da colega, porque ela beliscava o bumbum de todos os homens que ficavam na frente dela. Temendo uma reação pouco humorada, simplesmente sumi. Sinceramente, respeito é bom e eu gosto. Tanto do lado dos homens, quanto das mulheres. De outra vez, no Bairro do Recife, eu estava dançando com um paquera agarradinho. Veio uma moça, entrou no meio, sem ninguém chamar. E ela tacou um beijão daqueles no meu acompanhante no meio do carnaval. Ele não entendeu nada. E eu, muito menos. Levei na esportiva, claro. Mas se um homem fizesse isso com uma mulher, seria beijo forçado, não era?

O vídeo de Gretchent já está disponível no link:
https://bit.ly/37mZLpv

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / PCR

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