Dia para reverenciar Chico Science (1966-1997), que estaria completando 60 anos, se não tivesse morrido em um sinistro de trânsito, entre o Recife e Olinda. Estava, então, no auge de sua popularidade. Criador do Manguebeat e responsável por uma verdadeira revolução na cena musical do final do século passado no Recife, ele é a figura central do documentário “Manguebit”, que estreia nessa sexta-feira (13/3) no Recife, com exibição no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby.
O início da sessão está marcado para 19h. E logo após, haverá debate com participação de Jura Capela (diretor do filme), José Teles (jornalista e crítico de música) e Fred Jordão (fotógrafo). O debate será mediado por Luiz Joaquim, coordenador de Cinema da Fundaj. Logo em seguida, a película entra na programação regular dos cinemas da Fundação. No sábado (14/3), “Manguebit” ganha espaço na telona do Cinema São Luiz, no centro do Recife, com sessão especial às 16h30m.

O manguebeat influenciou a cultura em várias faces Até quadrilhas juninas o utilizaram como enredo no Recife. Em 2017, a Quadrilha Evolução foi premiada em concurso de quadrilhas juninas com o enredo “Chico Vive”, inspirado na obra do artista e com utilização de trilha sonora com treze clássicos do Chico e Nação Zumbi. O espetáculo agradou tanto, que depois ganhou os palcos de teatro da cidade.
Assisti apenas a uma parte do filme, durante uma exibição que houve no Cine Apipucos, que é ao ar livre, no bairro de Apipucos. Mas cheguei no meio, aí decidi deixar prá lá e assistir inteiro, em uma outra oportunidade. Mas o pouco que vi, deu para sentir que vale a pena acompanhar com atenção os 101 minutos do filme, que mostra o que foi o manguebeat, como surgiu e em que deu. A escolha da data para a estreia tem a ver com o dia que nasceu Chico Science, que projetou o som que se fazia no estado para o mundo e chamou a atenção da crítica para o caldeirão cultural pernambucano.
O longa aborda, portanto, o movimento musical e estético surgido em Pernambuco nos anos 1990, que deu destaque para o som que movimentava as periferias da Região Metropolitana do Recife e que vinha, também, da cultura popular tradicional como o ritmo que que movimenta os maracatus. A partir de bandas como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, o manguebeat se consolidou como um dos movimentos culturais mais relevantes de Pernambuco e do país.
O documentário acumula premiações em festivais por onde foi exibido. O filme explora a liberdade de pensamento carcterística do mangue, por meio de uma linguagem multifacetada, reunindo ideias que refletem a ousadia do movimento, simbolizada pela antena parabólica fincada na lama dos estuários, o mangue onde vivem os caranguejos. E reúne imagens raras, arquivos históricos e depoimentos de artistas centrais do movimento, como integrantes de Nação Zumbi, Mundo Livre.
Entre outros nomes da cena musical e do cinema no Brasil e em Pernambuco, foram ouvidos: Jorge Mautner, Fred 04, Jorge Du Peixe, Otto, DJ Dolores, Cannibal, Meia Noite, Paulo Caldas, Paulo André Moraes, Roger de Renor, Siba, Meia Noite, Helder Aragão, José Teles, Marcelo Pereira, entre outros. O documentário já recebeu prêmios importantes no Brasil e exterior. Logo após a estreia em Pernambuco, o documentário inicia “voo” nacional, com exibições previstas em Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), João Pessoa (PB), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). A distribuição resulta de parceria com Jura Filmes e Farol Cinematográfico.
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Serviço
Estreia de documentário “Manguebit”
Onde: Cinema da Fundação, no Derby
Endereço: Rua Henrique Dias, 609, Derby
Quando: Sexta-feira, 13/03
Horário: 19h00
Ingressos: mesmo valor dos cinemas da Fundaj
