Entra dia e sai dia, e nada muda no bairro das Graças, onde um terreno vazio e sua calçada – à rua Antônio Novais – vêm sendo utilizados como locais de descarte indevido de lixo. E não é lixo do tipo papel, vidro ou plástico só não. É que, além destes, chegam detritos orgânicos, espalhando mau cheiro, insetos e ratos. O lixo toma toda a calçada que é utilizada por estudantes de colégios próximos como São Luís e Damas.
O terreno pertence ao Inss que, na semana passada, recebeu um documento de moradores da área pedindo providências, mas nada fez até o momento. A Emlurb, por sua vez, parece que não enxerga a bagaceira. Porque, a julgar pelo tipo de detritos lá atirados – medicamentos, embalagens de restaurantes e outros – não é difícil identificar quem está pagando aos carroceiros, para realizar despejos onde não se deve.
A lógica ali adotada é a seguinte: limpar a frente do meu estabelecimento e sujar a calçada dos outros. Mas se a sujeira ocorre, todos os dias e no mesmo lugar, é muito fácil colocar fiscais nas redondezas, fazer o flagra, e identificar os mandantes desse crime ambiental, assim como orientar os carroceiros para que façam o serviço de outra forma, e não emporcalhando as ruas do Recife. Agora, se eles assim agem em luta pela sobrevivência, é porque tem quem pague para fazer esse serviço porco. Ou seja, empresários sem nenhum escrúpulo e zero de cidadania, que precisam ser notificados. Talvez estes achem que a Emlurb não dá vencimento à produção de lixo deles e se achem no direito de jogar o seu desconforto no passeio público.
No Recife, aliás, isso é muito comum. Há descartes insistentes em vários pontos da cidade, que terminam virando casa da mãe joana. Botou um lixinho na calçada, todos os outros se julgam no direito de ali jogar o seu. É o que está acontecendo naquela movimentada via do bairro das Graças, onde o problema é antigo. Reclamações já chegaram à imprensa local, ao #OxeRecife, ao Inss, à Prefeitura. Mas até agora… nada. A julgar pelo que ocorre nos outros locais do Recife, só resta uma solução aos moradores: se apropriar do espaço e transformar o terreno e a calçada em um jardim. Aí, não é possível que essa gente insana continue jogando lixo no local.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Cortesia do leitor
