Mestra em História Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco e com três livros publicados, a escritora Bell Puã lança seu quarto livro, que marca a estreia na literatura infantil. “Não há nada como o mangue” será lançado às 15h do sábado (6/12), no Ponto de Leitura do Parque Treze de Maio, área central do Recife. O acesso é gratuito. O livro traz ilustrações de Horário Moreira e conta a saga de Lupã, caranguejo que se esforça para que seus parentes valorizem também o mangue e não só a areia fina e o a água azul do mar.
Ao passear na praia com o primo mais velho, Farofa, Lupã percebe que ele só dá importância à praia. Farofa é um maria-farinha. Para os que não lembram, trata-se daquele crustáceo branquinho (também conhecido como caranguejo-fantasma) que habita praias arenosas, e que se abriga na toca para se proteger de predadores. O bichinho é bem menor do que um caranguejo comum e embora tenha hábitos noturnos é muito visto, também, durante a luz do sol. Habituada à areia branquinha, Farofa costuma depreciar o mangue, de sedimentos tão escuros. Lupã, com a ajuda da Tia Graça, a garça, mostra à maria-farinha a importância do ecossistema do manguezal como nascedouro, maternidade e berçário de diversas espécies marinhas. Os três empreendem um passeio pelo que aparenta ser a lama das margens dos rios. A publicação é da Editora Independente “Pó de Estrelas”.
As primeiras ideias para escrever o seu primeiro livro infantil, apareceram quando Bell Puã defendeu sua dissertação de mestrado, com estudo baseado na memória das relações humanas do manguezal no Recife, entre os anos 1930 e 1950, quando os rios ainda não eram tão poluídos e o mangue significava vida, sobrevivência, e segura opção alimentar. Em 2019, nasce o seu filho Jorge, e ela passa a amadurecer a “gestação” do livro sobre um assunto que domina, para o público infantil.
“Nós precisamos muito levar para as crianças o imaginário do mangue como ecossistema fundamental de preservação e de valorização. É um tema presente para nós litorâneas e litorâneos de Pernambuco, que temos o mangue como grande território, marcante na nossa paisagem. Principalmente por ser mãe, é necessário trazer o que conquistei de conhecimento para o livro infantil, sendo algo literário e possível de compartilhar para crianças essa história tão bonita do mangue”, declara.

Exemplares estão sendo doados para a Rede de Bibliotecas pela Paz, da Prefeitura do Recife, contemplando escolas municipais, organizações e outras bibliotecas públicas da cidade, assim como crianças, estudantes, professoras, professores, educadoras e educadores da rede pública de ensino. Além disso, a própria autora faz a divulgação e a circulação por espaços públicos, instituições públicas e privadas, livrarias, feiras e festivais de arte, cultura, educação e literatura, mostras, exposições, rodas de conversa e contação de história.
A realização é da Bola Um, com produção executiva assinada por Eduardo Gomes. O livro traz audiodescrição (AD) como recurso de acessibilidade comunicacional para pessoas com deficiência visual (cegas ou com baixa visão), intelectual ou neurodivergentes. Na contracapa tem um acesso pelo QR Code tanto para o audiolivro, que é uma narração, como para todo o material acessível, reunindo roteiro de Diana Cavalcanti e Danielle França, também na locução juntamente com Ruan Carlos; consultoria de Milton Carvalho; gravação, edição, mixagem e trilha sonora por Diogo Lopes; direção de arte de Natália Corrêa; fotografias de Rodrigo Garcia.
Serviço
Bell Puã – “Não há nada como o Mangue” (livro infantil ilustrado)
Data: 06 de dezembro de 2025 (sábado)
Local: Ponto de Leitura, no Parque 13 de Maio (bairro de Santo Amaro, Recife)
Horário: 15h
Gratuito
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Rodrigo Garcia / Divulgação
