Tido como um carnaval democrático (foto), a maior festa popular de Olinda está sendo questionada pela Associação de Imprensa de Pernambuco, que distribuiu uma nota com o título “Apartheid econômico e cultural no carnaval de Olinda”, através da qual critica a ocupação de espaços públicos pela iniciativa privada. Sim, carnaval é uma festa popular. Mas lembro que houve gestão que quase acaba com a festa.
Foi o caso, por exemplo, da então Prefeita Jacilda Urquisa, que liberou o som eletrônico e outras intromissões, que terminaram praticamente fechando as ruas tradicionais por onde passam os cortejos carnavalescos. Felizmente, a sucessora, Luciana Santos, conseguiu reerguer a festa e trazê-la de volta aos velhos tempos. Nos últimos quatro anos, no entanto, grandes empresas de eventos passaram a fazer festas privatizadas no sítio histórico, inclusive utilizando som alto que abafa os dos blocos que desfilam a pé pelas ruas estreitas da cidade. Veja o que diz a nota oficial da AIP:
“A importância dos elementos do carnaval são tão expressivo para a cultura olindense, que a UNESCO considerou o frevo como patrimônio cultural imaterial da humanidade. Os municípios mais tradicionais de Pernambuco vivem o desafio de preservar e salvaguardar suas manifestações culturais, que são base da identidade e do pertencimento. É inegável que quando nos lembramos dos papangus, completamos: de Bezerros; os maracatus: de Nazaré da Mata; os bonecos gigantes: de Olinda e de Belém do São Francisco. Em 2015 foi sancionada lei que proíbe casas camarotes no sítio histórico do município. Na tentativa de burlar a legislação municipal as promotoras das casas camarotes, que privatizam migraram do sítio histórico para a área de entorno, que também é de proteção legal, menos rigorosa, estando algumas locando espaço público para elitização do carnaval olindense.
A locação desses espaços vem gerando uma promiscua utilização de parque público, que deixa de servir na totalidade para finalidade “pública” para abrigar e favorecer o privado, que há alguns anos vem faturando e influenciando para a descaracterização de um dos maiores patrimônios culturais de Pernambuco: o carnaval de rua, que deu origem ao frevo. Aberto ao contraditório, a Associação da Imprensa de Pernambuco solicitou por três vezes ao maior promotor privado, o Carvalheira na Ladeira, informações sobre medidas compensatórias ao “crime” contra a cultura, e na inexpressiva resposta três parágrafos sobre o “projeto lixo zero”, cujo objetivo é a obter a reciclagem de 90% dos resíduos produzidos por eles mesmos, ficando claro que o evento privado em nada favorece o público, além de promover no entorno do sítio histórico de Olinda a profanação e a marginalização do carnaval, cuja característica é ser igualitário. Diante do exposto, e das crescentes denúncias contra as casa camarotes, a Associação da Imprensa de Pernambuco informa que apresentará denúncia ao Ministério Público, bem como na Câmara Municipal fará pedido para que a lei já existente também contemple toda a área de entorno do sítio histórico, que seja apurado os impactos ambientais deixados pelas casas camarotes. Múcio Aguiar, Presidente. Recife, 23 de fevereiro de 2020.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Site oficial do carnaval de Olinda
