Eleições 2022: PSB ocupa ruas com bandeiras, mas caminho até as urnas será difícil

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Começou a festa democrática. A partir dessa terça-feira, a propaganda política já pode tomar conta das ruas, com os candidatos seguindo – claro – todas as recomendações do Tribunal Superior Eleitoral. No Recife, as áreas públicas já mudaram de cor, pelo menos por onde caminhei hoje pela manhã. Porém na Zona Norte percebi bandeiras de um só partido, o PSB. Em Pernambuco, são onze candidatos a Governador, nove ao Senado, 480 à Câmara Federal e 580 à Assembleia Legislativa. Mas é com a propaganda eleitoral gratuita, na televisão, que as pessoas têm chance de conhecer melhor os políticos, as propostas para os próximos quatro anos, quem joga limpo e quem joga pesado e sujo. O Guia Eleitoral, como é chamado o horário no Estado, começa no próximo dia 26 de agosto.

Esperamos que a campanha para governador se mantenha em nível elevado, com real discussão de propostas para melhorar a situação do estado. Porque na presidencial, a baixaria já começou. Em Pernambuco, esperamos que não se repita o jogo sujo em que se transformou a campanha para Prefeito do Recife, em 2020, quando os primos Marília Arraes (então no PT) e João Campos (PSB) disputaram o segundo turno. A campanha virou uma baixaria tão grande, que dava desgosto assistir. O eleitor pode dizer que a ética passou longe daquela triste lavagem de roupa suja.

Em 2022, vamos ver que armas o PSB usará para desconstruir a imagem de Marília, hoje a mais forte adversária das lideranças socialistas no Estado. Porque em 2020, o jogo foi pesado. Conheço muitas mulheres que votaram nela, ofendidas com a campanha agressiva e desrespeitosa do PSB. E, a, julgar pelo que mostram as pesquisas em 2022, o eleitor parece ter cansado do PSB, que no estado viveu os seus tempos áureos sob o comando do então Governador Eduardo Campos, que morreu em um desastre de avião em 2014, em plena disputa pela sucessão presidencial. Desde então, o PSB nunca mais foi o mesmo.  Embora ainda esteja no comando da Prefeitura e do governo estadual. Mas aquele brilho do  passado… já era.

Vítima de uma campanha sórdida em 2020, Marília Arraes volta com força em 2022 e lidera as pesquisas.

E as pesquisas começam a mostrar que o partido não é mais o mesmo. Perdeu o seu poder de força, a hegemonia. O Prefeito, João Campos (PSB) se elegeu metade por brilho próprio e metade pela herança do pai. O Governador Paulo Câmara (PSB) chegou ao Palácio do Campo das Princesas pelas bênçãos do “padrinho”, conseguindo se reeleger quatro anos depois, naquele clássico processo que lembra até o folguedo muito popular no Nordeste, do “morto carregando o vivo”. E, nesse início de campanha a situação do candidato oficial  no estado, não é nada confortável. A julgar pelas pesquisas divulgadas no início desta semana, o candidato do PSB, Danilo Cabral, amarga sexto lugar na partida rumo ao Palácio do Campo das Princesas. Hoje, enquanto caminhava e conversava com alguns populares, todos nem sabiam quem Danilo é. “Nunca ouvi falar”, afirmou Amaro Pereira, que pescava na beira do Açude de Apipucos, nessa terça-feira, bem pertinho das bandeiras do candidato oficial.

O socialista está distante, portanto, de uma sonhada pole posicion. Parece que falta conhecimento ou mesmo identidade do candidato junto ao eleitor. O carisma é pouco, e o simples fato de ter sido Secretário de Eduardo Campos quando este era governador, está longe de levar  o eleitor ao mote que conduziu o então desconhecido Geraldo Júlio (PSB) à prefeitura, em  2012, em uma articulação com mais de dez partidos, costurada habilmente por Campos, uma “raposa” na cena política. Na campanha, a propaganda  exagerava. Como GJ era Secretário de Campos, todas as grandes obras passaram a ele ser atribuídas. “ Foi Geraldo quem fez”. Porém,  na Prefeitura, Geraldo se mostrou um gestor de desempenho duvidoso e ficava arriscado lançá-lo para a sucessão estadual. E com Danilo, então, como será? É o que a campanha vai mostrar. No início da corrida, de acordo com  o IPEC (ex Ibope), o candidato oficial perde para Marília Arres, do Solidariedade (33 por cento);  Rachel Lyra, do PSDB (11 por cento); Anderson Ferreira, do PL (10 por cento); e Miguel Coelho, da União Brasil (seis por cento).

Abaixo, você confere outras informações sobre a política.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Acervo #OxeRecife

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