CPRH recebeu 9.323 animais e liberou 4.048 em 2025. Timbu lidera soltura

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Como vivo navegando na Web em busca de bichinhos – principalmente pássaros, macacos, felinos – o algoritmo me envia toda sorte de animais nas redes sociais. O que me espanta é o exibicionismo de ditos “tutores” de animais silvestres, que os usam para ganhar cliques e mais cliques. Tem cururu usando roupinha, macaco tratado como gente, jabuti brincando no balanço em praça, papagaio passeando pela sala ou xingando o vizinho. O problema é que grande parte desses animais estão ilegalmente em cativeiro e isso é crime ambiental, pois muitos vêm do tráfico, ação irregular que movimenta bilhões por ano no Brasil e no mundo. Calcula-se que mais de 38 milhões de animais silvestres sejam retirados da natureza por ano em nosso país.

Um bom exemplo dessa atividade irregular pode ser observado pelos números em Pernambuco, onde nada menos de 9.323 animais chegaram ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres – Cetras Tangará, em 2025.  Graças a Deus e ao esforço da Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH), exatamente 4.048 já foram devolvidos à natureza selvagem, de onde nunca deviam ter saído. Esses bichos resultam de apreensões (tráfico ou cativeiro ilegal), entregas voluntárias e resgates.  Os números constam do último balanço oficial do ano, divulgado nesta semana pela CPRH.

Até a etapa da soltura, os animais recebem atendimento veterinário, acompanhamento por biólogos e são submetidos a procedimentos para recuperação comportamental e funcional, como condições de voar, caçar, se defender e sobreviver na natureza.

Entre os bichos que mais chegaram ao Cetras neste ano encontram-se pássaros da  espécie Papa-Capim (1.306),  jabutis (913, que viraram pets no entendimento de quem os mantém em casa) e timbus (1.300, também chamados de gambás).  Já com relação às espécies que foram liberados, os timbus saíram ganhando, pois 735 retornaram à natureza, seguidos de Papa-capins (460), Jabutis (443), Galos de Campina (431) e Canários da terra (350).

Pelo que se observa, finalmente os timbus estão ganhando um lugar ao sol, o que é muito bom, pois o mamífero sempre foi muito mal compreendido pela população. Por muito tempo “marginalizados” e confundidos com ratazanas, esses marsupiais eram exterminados sem dó em todo o país, incluindo no nosso estado. Até que ambientalistas e comunicadores – eu, inclusive – desenvolvemos esforços para mostrar que esses simpáticos bichinhos são marsupiais, e primos distantes dos cangurus. Eu mesma, curto demais timbus e até já resgatei e levei para a CPRH.

Muito perseguidos no passado, confundidos com ratos, timbus ganham lugar ao sol: protegidos

Ainda bem que nos últimos cinco anos, muita gente tomou as redes sociais mostrando o quanto o timbu é útil: come baratas, escorpiões e até cobras venenosas como a coral. Então, ele começou a ser melhor entendido, e quando as pessoas os encontram, ao invés de matá-los,  levam os gambás para os órgãos oficiais de meio ambiente. São muito resistentes, e se não estiverem machucados ou feridos são logo liberados, para desempenhar seu importante papel entre nós.

Quem venham mais e mais timbus! Aqui na minha casa se aparecer um no quintal, ganha até mimo como frutinhas. Perseguir,  jamais. Do total de animais silvestres recebidos no Cetras durante o ano, as aves (como sempre) lideraram com 46,7%. Aves normalmente são os animais os mais visados e comercializados pelo tráfico em nosso país. Já a entrada de mamíferos chegou a 27,7%, enquanto os répteis foram 23%. No mesmo período, dos animais silvestres recebidos, 2,2% entraram em óbito. As aves também lideraram as solturas com 37%. Ao todo, 1.241 pássaros de diferentes espécies foram liberados. Já os répteis devolvidos à natureza somaram 33,2% do total, enquanto os mamíferos chegaram a 29,6%. Além desses animais, o Centro ainda recebeu anfíbios, aracnídeos, crustáceos, peixes e outras espécies exóticas.

Animal silvestre, jabuti ganha “status” de pet quando jamais deveriam ser retirados da natureza.

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