Em tempos de Copa do Mundo e logo hoje – dia de jogo da “Canarinha” contra a Suíça – nada como lembrar vitórias da Seleção e jogadores cujos nomes viraram história e contribuíram para fazer do Brasil o país do futebol. Até mesmo entre as novas gerações, não há quem não saiba quem foram atletas como Pelé (1944), Didi (1928-2001) e Garrincha (1933-1983). E é justamente sobre um dos mais inesquecíveis campeonatos mundiais de futebol, que o jornalista Fernando Rego Barros se debruça, no seu livro 1958: Como ganhamos a Copa da Suécia. O publicação será lançada às 19h da próxima quinta-feira (30/11), na Livraria Leitura, no Shopping RioMar, no Pina. A niciativa é da Cepe – Companhia Editora de Pernambuco. O jornalista mostra o quanto é simbólica a conquista da Copa do Mundo pelo Brasil, em 1958. Até porque a vitória representou uma superação pela derrota da Seleção (1X2) para o Uruguai na “meca” do futebol brasileiro, o Maracanã, em 1950. Em 1954, a Alemanha Ocidental se sagrava campeã.

Mas em 1958 – em em solo sueco – o Brasil mostrava ao mundo os dribles de Garrincha, a elegância de Pelé e a criatividade de Didi, o inventor da “folha seca”. Nas mais de 200 páginas do livro, Rêgo Barros comprova que a vitória brasileira resultou de um planejamento minucioso, nunca visto no futebol nacional. “Desde a década de 1930, nosso jogador era reconhecido como um dos mais talentosos do mundo. O talento, no entanto, parecia sumir em momentos decisivos”, afirma. Daí, completa, surgiram teorias na tentativa de explicar os motivos dos brasileiros não se darem bem nas competições internacionais. Entre elas, “a de que nossos atletas eram temperamentais, excessivamente emotivos, e, por isso, não suportavam a pressão e a responsabilidade sempre presentes na reta final de uma Copa.”
Junto a isso, o autor cita o pessimismo da população brasileira naquela época. Ressabiado dos tropeços de 1950 e 1954, o torcedor era descrente de que um dia seríamos campeões, o que foi batizado por Nelson Rodrigues, dramaturgo e cronista esportivo, de “complexo de vira-latas”. O livro mostra, ainda, como o planejamento de 1958 acaba com a concepção de um time em que o técnico centralizava as decisões e institui a ideia de trabalho em grupo. Isso no qual o técnico é uma peça na engrenagem, com chefe de delegação, supervisor, preparador físico, equipe médica, psicólogo e dentista.
A estruturação desta base técnica abriu o caminho para as verdadeiras estrelas do futebol, os jogadores. E estes eram de primeira grandeza. Tanto que para Pelé, a equipe de 1958 foi, individualmente, superior a de 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato, e tida por especialistas do futebol como a melhor seleção de todos os tempos. Nos estádios, detalha Rêgo Barros, o Brasil deslanchou. Pelé e Garrincha ficaram de fora nos dois primeiros jogos, contra a Áustria e a Inglaterra, sendo escalados no confronto com a União Soviética. O desempenho de ambos assegurou a vaga de titular até a partida de final, em que a Seleção Brasileira venceu a Suécia por 5 a 2. Então com 17 anos, Pelé marcou duas vezes. Antes, havia feito o gol da vitória contra o País de Gales (1×0), nas quartas de final, e três dos cinco gols brasileiros no placar de 5×2 contra a França, na semifinal.
O livro ultrapassa as quatro linhas dos campos de futebol. Nos cerca de dois anos de pesquisa, Rêgo Barros bateu à porta dos campeões ainda vivos e entrevistou Zito, Pepe, Dino Sani e Zagallo. Contextualizou o momento histórico, com o Brasil governado por Juscelino Kubitschek e o planeta sob a tensão da Guerra Fria. Foi à procura de imagens da época e garimpou gravações originais da partida Brasil x Suécia. “Assisti a esse jogo mais de 20 vezes”, revela. Mostrou, enfim, o clima de festa que tomou conta dos brasileiros após a conquista, incluindo a recepção animada dos recifenses à Seleção, quando do retorno da Europa.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cepe / Divulgação
