Não é fácil enfrentar dois anos seguidos sem carnaval, a maior festa popular do Recife e que, no interior, só perde mesmo para o São João. Tem muito profissional que consegue ganhar um bom dinheiro nos quatro dias de folia. Há artistas que até garantem cobrir as despesas do semestre com os cachês do reinado de Momo. O problema é que, por conta da pandemia, Pernambuco entra no segundo ano sem carnaval. Ou seja, muita gente passando dificuldade. E o leque de profissionais precisando de dinheiro é grande.
Por esse motivo, tanto o Governador Paulo Câmara (PSB) quanto o Prefeito João Campos (PSB) enviaram projetos ao poder legislativo que garantam um auxílio para artistas e agremiações carnavalescas. As iniciativas, felizmente, já foram aprovadas pelos deputados estaduais (na quarta-feira,16) e pelos vereadores do Recife (terça,15). No caso do Estado, o Governador disponibilizou R$ 6,3 milhões a serem pagos a artistas e grupos carnavalescos que receberam cachês da Empetur e da Fundação de Cultura. Entre os eventos patrocinados pelo governo estadual encontra-se o belíssimo Bora Pernambucar, que faz a integração de diversas manifestações da capital e do interior. Segundo projeto aprovado hoje, basta ter participado de todos ou pelo menos um dos ciclos carnavalescos realizados entre 2018 e 2020 para ter direito ao benefício. Lembrem-se: só podem receber o auxílio aqueles que receberam cachês do estado naquele período.

O repasse ocorrerá em parcela única, e equivale a 80 por cento do último cachê pago por aqueles dois órgãos oficiais. Ao todo, 517 agremiações e profissionais do estado serão beneficiados, inclusive aqueles do interior que vieram ao Recife se apresentar em 2020, como caiporas, caretas, tabaqueiros, bonecos gigantes de Olinda e do Sertão (Zé Pereira e Vitalina) em eventos como o Bora Pernambucar. Grupos como maracatus rurais também deverão ter acesso ao benefício.
“A aprovação desse projeto atenderá aos profissionais que, há dois anos, estão precisando dessa atenção, em momento de pandemia, quando se torna impossível a realização de nossos evento carnavalescos”, afirma Eriberto Medeiros, Presidente da Alepe. Ele lembra que a medida é essencial para ajudar na cadeia produtiva de eventos, bastante abalada com dois anos sem a festa. No ano passado, foram disponibilizados R$ 2,9 milhões pelo estado, já que em 2021 o carnaval também esteve suspenso.
Dois dias após a aprovação do projeto na Alepe, o governador de Paulo Câmara (PSB sancionou, na sexta-feira (18.02), a Lei do Auxílio Emergencial do Ciclo Carnavalesco 2022, que concede apoio financeiro aos artistas e grupos culturais que se apresentaram nos últimos três carnavais no Estado e ficaram impedidos de promover suas atividades por conta da pandemia da Covid-19. O edital será lançado no sábado (19.02), nos sites www.cultura.pe.gov.br e www.empetur.pe.gov.br. Serão disponibilizados R$ 6,3 milhões para ajudar 750 artistas que estão em dificuldades financeiras com a suspensão do carnaval. Para ter acesso ao benefício, o artista, grupo ou agremiação precisará fazer a inscrição online na plataforma Prosas, pelo site www.prosas.com.br, e preencher as informações solicitadas no formulário.
No Recife – onde se concentra a maior parte das agremiações carnavalescas e cujo carnaval é grandioso – a Câmara Municipal aprovou por unanimidade do auxílio emergencial do carnaval, que disponibiliza R$ 10 milhões para cantores, músicos, agremiações, grupos de dança, bandas, técnicos, produtores culturais, costureiras, aderecistas, até mesmo pessoal que trabalha em serviços de iluminação e som nos palcos.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife
