Fruto da mobilização da sociedade civil, a Lei dos 12 Bairros corre risco, segundo o entendimento de arquitetos, engenheiros, legisladores e urbanistas do Recife. Por esse motivo, o Núcleo de Vivências e Lutas Democráticas Casa Forte, sedia reunião com roda de conversa sobre tema muito oportuno: “Iminência de Revogação da Lei dos 12 Bairros”, que acontece a partir das 19h dessa segunda-feira (1/9) na Casa Astral, à Rua Joaquim Xavier de Andrade, 104, Poço da Panela. O encontro é aberto ao público.
A debatedora é Norma Lacerda, arquiteta e urbanista, com mediação de Vera Mayrink, uma das integrantes daquele núcleo. Como se sabe, o Recife corre dois riscos. O primeiro é ser afetado pelas mudanças climáticas. Com o aquecimento global e o aumento de nível dos oceanos, a cidade está entre as 20 mais vulneráveis do mundo, e bairros inteiros correm o risco de serem inundados. O segundo é o risco – já visível – de virar uma selva de concreto, com excesso de verticalização, com destruição de casario e quintais para ceder lugar a espigões que, muitas vezes, chegam a mais de 40 andares.

Com isso, a cidade não só perde sua identidade como qualidade de vida, com domínio absoluto do concreto. Por esse motivo, no final da primeira década do século 21, a sociedade civil se mobilizou para impor limites ao que parecia não ter limite nenhum. Superpovoada, porém com pequeno território – é a segunda menor capital do país, só perdendo para Aracaju- o Recife começou a crescer para cima, de forma indiscriminada, embora sua infraestrutura não comportasse (e não comporta) tal fenômeno. Falta, por exemplo, saneamento básico, e muitos desses prédios novos injetam seus dejetos na rede pluvial (de forma clandestina) ou nos nossos rios. Até mesmo nas praias.
Hoje, no Recife, há bairros como Rosarinho em que praticamente não se vê mais o horizonte. A Lei impõem limites a gabaritos de prédios e faz outras restrições nos bairros do Derby, Graças, Espinheiro, Aflitos, Jaqueira, Parnamirim Santana, Casa Forte, Poço da Panela, Apipucos,, e parte da Tamarineira. Vamos, ver, portanto, o que dizem os urbanistas sobre o risco que corre a Lei dos 12 Bairros. Caso corra mesmo, é hora da sociedade se mobilizar, antes que sua população sufoque. Em alguns destes, espigões continuam a eclodir, mas as incorporadoras dizem que o licenciamento para a construção foi anterior àquela legislação. Vamos lá!

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

É preciso que haja mobilização crescente porque a ganância de algumas construtoras destruirá o Recife, se nada for feito.
A lei dos 12 bairros está ameaçada,sim.E, caso não haja uma forte mobilização,o resultado será um desastre, considerando as brechas deixadas pela legislação e que são, há muito tempo,utilizadas pela especulação imobiliária predatória para aprovação dos projetos que ferem os parâmetros da lei dos 12 bairros.
É preciso fortalecer a mobilização, disseminar os perigos dessa corrida desenfreada das construtoras. O exemplo temos o bairro da Várzea, antes bucólico, lembrando cidadezinha de interior,está tomada de espiões. Triste
Para não dizer que não incomodo, sugiro a quem Ama e Defende o Recife que observe uns fenômenos visíveis nas ruas do Recife, seja nas Graças, Aflitos, Jaqueira ou nos Bairros Centrais, ou no Leste e Oeste da Cidade, é o que chamamos de “inundação de ruas sem chuvas”, consequentemente trazendo afundamento das vias urbanas. Poderíamos citar uma obra, anualmente há intervenções naquela via, precisamente na Avenida Rosa e Silva bem em frente ao Pão de Açucar , todos os anos afunda e quem for curioso vá tirando fotos e contando como estão diminuindo os tempos daquelas intervenções, pelos meus cálculos os problemas começam depois de 4 meses. Para enquadrar no mesmo entorno aquela inundação em pleno verão na Esquina da Rosa e Silva com Rua Amélia bem em frente aquele Prédio Imponente com nascedouro em uma das mansões do Bairro, inundação vai e volta. Sem falar em várias inundações na Avenida Agamenon Magalhães . No Recife, tudo é ligado, não somente Pontes e Avenidas, as ruas são de onde tudo pode acontecer, por exemplo, em um local onde moravam 100 pessoas hoje residem 1.600 pessoas. Imaginem e façam os cálculos no Bairro das Graças que começa na Igreja dos Manguinhos e termina precisamente na Igreja da Conceição na Rosa e Silva quase em frente a antiga Escola de Relações Públicas, onde o Bairro das Graças tem precisamente 1,8 Km2 de extensão, com uma população aproximada de mais de 20.000 pessoas, e façam cálculos com os frequentadores de Comércio, Indústria e Serviços, será que o Saneamento Básico está suportando? Parabéns a todos que se preocupam com o Recife de hoje para o amanhã, pra não dizer que falo somente dos Gestores, mas, a culpa é da população ? Onde não há Leis e nem Respeito a elas temos o caos, isso são ensinamentos simples do exercício democrático de olhar onde você e sua Família residem e vivem, votar é muito mais que um apertar de um botão na máquina, alí estão nossas Vidas e o Futuro de nossas Famílias. Por isso convidem aqueles que não tem coragem de criticar que andem pela Cidade do Recife, será que está acontecendo um fenômeno de desertificação do Recife como venho criticando ??? Basta olharem para todos os Corredores e periferias em todos os Bairros, as Placas de Aluga-se e Vende-se, se avolumam em uma rapidez incrível , para onde estão indo essas pessoas de todas as classes sociais ?? E a Economia e seus tentáculos para onde estão caminhando ? Um dia desses caminhava na Ilha do leite e olhando crianças se encaminhando para o Colégio Municipal Reitor João Alfredo me deparei com uma cena triste para os dias de hoje. Caminhando pelas calçadas esburacadas três crianças se dirigiam para o Colégio, notei pela farda, mas, para minha vergonha e tristeza somente um deles estava com calçado completo, os menores estavam com um pé descalço e o outro calçado, perguntei a eles se eles tinham o fardamento completo, me responderam que sim e os calçados de vocês onde estão, olharam para mim com tristeza e me disseram que a lama da beira do rio levou e os pais fizeram esse arranjo, mesmo com um número de pé maior que o outro, eles iam alí nessa viagem de miséria que só quem conhece o Recife e suas dores humanas compreendem e fazem de sua luta e Amor pelo Recife como uma sentinela diante de tanta insensatez e desumanidade, fui fazer meus Exames e tive que adiar, estava com pressão alta e chorando me perguntando, será que os Poderes conhecem aquelas crianças e tantas outras que exercitam a miséria diariamente nesta Cidade ? Para terminar, chamo a atenção de vocês, prestem atenção na Avenida Norte, todos os dias, bem no amanhecer, vocês vão ver centenas de seres humanos que vão para o trabalho a pé para economizar e poder comerem, e, muitos daqueles seres humanos, já testemunhei isso na minha vida de Servidor Público, são Servidores Municipais do Recife e do Estado que caminham para os Prédios Públicos, muitos sem o café da manhã. Algum Mandatário em seus Palácios já pararam para cumprimentar ou dar uma carona aqueles que realmente constroem o Recife e nosso Pernambuco ? Roubaram o Recife de mim !
No entanto, nenhuma palavra está sendo dita no sentido de revogar a permissão para utilização do “recuo médio” na construção de edifícios. É uma verdadeira aberração que está transformando o Recife em um monstrengo arquitetônico com edifícios voltados para todas as direções e com fachadas encostando no muro da frente, bloqueando a ventilação, a iluminação e trazendo um efeito estético demolidor. Hoje você distingue perfeitamente os edifícios mais novos por encostar no muro da frente e trazer as consequências nevastas acima citadas. Não conheço nenhuma cidade com um plano de destruição como o causado por esta permissão absurda. Onde está a sociedade, os urbanistas, arquitetos e demais entendidos em qualidade de vida em cidades. Recife, a cidade mais feia do Brasil, por causa desta aberração!!!
O principal motivo do Bairro do Rosarinho, apresentar este aspecto de barreira de concreto deve-se à permissão para utilização do “recuo médio”, que permite que cada edifício tenha o alinhamento que desejar fazendo com que as fachadas principais não sejam paralelas e encostando-as no muro da frente destruindo a ventilação e a iluminação, estreitando o vão entre os edifícios e provocando um efeito estético demolidor. Verifiquem “in loco” como se destrói um bairro. Este efeito deletério (RECUO MÉDIO) é muito mais destruidor do que a altura dos edifícios, mas parece que não há nenhuma preocupação dos urbanistas, arquitetos, autoridades e demais defensores da qualidade de vida das cidades em anular esta permissão que transforma Recife em um monstrengo, pior do que qualquer cidade do mesmo porte que conheço no Brasil e no mundo.
Eita,, Fernando, a Lei dos 12 Bairros não protege o Rosarinho. E a nova lei que está em discussão nem protege estes nem os demais. Um horror. Vou ler suas colocações com muita atenção. Obrigada pelas observações.