No século passado, quando não existia a Internet, toda a família que se preza tinha que ter enciclopédias em casa. Era o meio mais comum utilizado para que as crianças e adolescentes fizessem suas pesquisas escolares, sem que fossem obrigadas a ter que ir à biblioteca mais próxima. Havia a Britânica, a Barsa, Exitus, o Lello Universal (que era editado em Portugal). E, na adolescência, era comum que recebêssemos uma outra, muito popular até os anos 60 e 70 do século passado: O Tesouro da Juventude. Depois, vieram Coleções como “Imortais da Literatura Universal” e “Gênios da Pintura”, que eram vendidos em fascículos, nas quase saudosas bancas de revistas.
Naquela época, era comum que houvesse vendedores de livros, que no melhor estilo mascate, iam de casa em casa, oferecer seus produtos. Geralmente, vendiam coleções. Meus filhos ainda usaram enciclopédias para fazer os trabalhos da escola. Na época, eram mesmo necessários. Há mais ou menos um ano, que vinha observando a Enciclopédia Britânica da família sem uso na estante. E eu… precisando das prateleiras para…. botar mais livros. Novos livros. Na verdade, ela não estava atualizada. Antes, a cada ano, chegava um anuário, que era um volume atualizando as informações do ano anterior, cujas entregas pararam de chegar nos anos 1990.

Mas algumas informações são eternas, já aconteceram, ficaram na história. As revoluções, a trajetória da civilização, os povos originários, as grandes descobertas até o século 20. Era esse argumento que eu tentava utilizar, para convencer bibliotecas e escolas comunitárias a receber a Enciclopédia Britânica. Ninguém queria. “Não temos espaço”. Pensem em uma tristeza… Como tirá-la da estante sem saber que corria o risco de virar papel para reciclar? Mesmo que ela não estivesse atualizada, só incentivar as crianças a mexer em livros, pesquisar, descobrir curiosidades, no meu entender já estava valendo. Mas não teve jeito. Foi folheando o Lello Universal, ainda menina, que descobri o nome de um objeto que sempre me encantou: “ampulheta”. O Lello era ilustrado e, pela figura, procurava o objeto do meu fascínio. Por sorte, eu achei “A”. Lembro que descrevia para pessoas da família o “objeto” para saber o seu nome. Mas acho que não conseguia me explicar. O jeito foi apelar para os livros. Hoje, celular na mão, basta identificar uma imagem para que se saiba logo o seu significado.
Então… já viu…livro, ninguém quer. Fui até em biblioteca de conselho de moradores. Diziam que queriam, mas não vinham buscar. Até que meu amigo Robson Telles, professor universitário e do ensino médio (dos bons), muito querido nos meios educacionais, decidiu vir buscar, sabendo já o destino e que uso dar. Para completar, além da Enciclopédia, fiz doação de livros de contos, romances e outros gêneros literários que, sei, serão muito úteis em escolas onde as bibliotecas só existem nos nomes. Juntos, escolhemos os que poderiam interessar ao “público alvo”. Fiquei feliz, pois não conseguia conceber que livros que foram tão importantes um dia fossem parar onde não deviam. Livros são livros e, mesmo que sejam de outras épocas, mal é que não fazem a ninguém. Passamos quase meia hora levando livros da estante para o carro de Robson. Alguns dos que foram doados, havia recebido como presente de instituições, porém terão maior serventia nas escolas. Como um com partituras de frevo, que para mim são mesmo que o idioma grego… Obrigada, Robson por ter conseguido dar um destino viável a livros sem uso ou indecifráveis para mim, como o das notas musicais.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
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