O último dia da Virada Recife 2026 levou cerca de 800 mil pessoas às areias da Praia do Pina, vizinha a Boa Viagem, Zona Sul da Capital. Os festejos com shows, que aconteceram durante três dias – 27, 28 e 31 de dezembro – reuniram cerca de 1,5 milhão de pessoas no total, de acordo com números fornecidos pela Prefeitura do Recife.
Os números das toneladas de lixo na orla da Zona Sul – praias do Pina e Boa Viagem – não haviam sido divulgados, até o momento de fechamento desse post. Mas as marcas das comemorações do Réveillon eram visíveis até mesmo em locais distantes do grande palco da Virada 2026, onde se apresentaram 15 atrações nos três dias de festa (cinco por noite), incluindo João Gomes, Anitta, Wesley Safadão e Alceu Valença.

Não estive lá, pois multidão prefiro deixar para encarar só no carnaval. Todos os anos, no dia 1 de janeiro, costumo chegar muito cedo à praia, para receber a energia e os bons fluidos que brotam do sol e do mar. Mas nessa quinta, perdi a hora por conta do réveillon com a família. E, quando cheguei em Boa Viagem, o asfalto já estava limpo, mas os restos da festa ainda eram presentes na praia, incluindo vasilhames de vidro, latas, embalagens pet e outros tipos de lixo como canudos, copos plásticos e taças descartáveis.
Havia muitas e pequenas montanhas desses tipos de descartes que, segundo os ambulantes da praia foram juntados pelos garis, que ficaram de voltar para a coleta. Saí da praia por volta de 10h, a maré já estava subindo e os montículos de lixo ainda estavam por lá. Eu ficaria muito feliz no dia que eu vir uma festa de Réveillon civilizada, com pessoas educadas sem jogar lixo no chão.
O problema é que os nossos gestores lembram da festa que rende muita grana para quem organiza, mas não tomam o cuidado de fazer uma campanha para que a população comece a se educar. Querem os dividendos do turismo, mas não trabalham por sua sustentabilidade. O turismo não pode nem deve ser predatório. Pasmem, hoje, entre o calçadão e a água do mar (a maré estava baixa) eu coletei “somente” 50 canudinhos (todos de plástico) na areia da praia, ali na altura do quiosque 29. E não fiquem pensando que esse descalabro é só por conta do Réveillon não. Essas praguinhas – que engasgam animais marinhos, como as tartarugas – sempre estão lá, na areia. E se estão é porque alguém está jogando depois de usados, e a Prefeitura faz vista grossa para quem os está deixando onde não deve. Por que, em dias normais, cada barraqueiro não fica responsável pela manutenção da limpeza do seu espaço? Afinal, quem disso usa disso cuida, já diz o ditado, não é?
Então, a sujeira na praia não é só no Réveillon. Nas festas, o problema se agrava, mas é permanente. Bastava que a Prefeitura fiscalizasse, notificasse, multasse e cassasse a licença (no caso de reincidência) para quem não se enquadrar. Por que não um trabalho conjunto e coordenado com várias secretarias, incluindo a inoperante Meio Ambiente e Sustentabilidade? É só querer, e fazer.
A Prefeitura não consegue disciplinar o espaço ocupado pelas cadeiras e guarda-sóis dos barraqueiros? A fiscalização sempre “aperta” os que não cumprem os limites. E os barraqueiros se pelam de medo dos fiscais. Portanto, também teriam, se a questão do lixo fosse tratada com boa vontade e energia. E todos entrariam no eixo. Mas…. no Recife, parece que o cuidado com o meio ambiente está sempre em segundo plano. Que venha o turismo, mas com sustentabilidade.
A natureza agradece. Entra gestor e sai gestor, e a seboseira na beira-mar permanece. E não é difícil cuidar disso. A nossa orla, com seu mar maravilhoso, merece um tratamento melhor e mais eficiente. Bem que o Prefeito João Campos deveria dar uma voltinha pela areia da praia para ver in loco a questão da limpeza, ao invés de estar pensando em privatizar a orla, como fez com os parques que estão em situação pior do que antes.

Leia também
O #OxeRecife deseja paz e um tranquilo mar de rosas para todos em 2026
Virada Recife 2025: 15 toneladas de fogos, cores e laser na orla da Zona Sul
Virada Recife 2026 atraiu 360 mil pessoas ao Pina no domingo, 28
Domingo de shows na Virada Recife 2026 e de pastoris nos parques e jardim
Casa da Rabeca: Cavalo Marinho, samba de coco e ciranda em Olinda
Ceia natalina: Procon identifica variação de 324 por cento em um mesmo produto
Cuidado com os preços da ceia de Natal: varição de preço chega a 270 por cento
Casa da Rabeca: Cavalo Marinho, samba de coco e ciranda
Ciclo Natalino no Recife: Cortejo com Baile do Menino Deus veio para ficar
Ciclo Natalino: encenações do Baile do Menino Deus vão até 25/12
Protesto, cortejo natalino, Orquestra Sinfônica e Mexe com tudo no Recife
Programação oficial de Natal começa no Centro e ferve no domingo
Vista com simpatia pela população, Capivara vira mascote do Natal no Recife
Ciclo Natalino: iluminação, banho de neve e concerto flutuante
Festa da Virada com funk, breja, sertanejo… mas tem Alceu Valença
Festa da Virada Recife 2025 foi sucesso de público. Mas… e a sujeira na praia?
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Edson Holanda / PCR e Letícia Lins / #OxeRecife
