Supermercados: Todo cuidado é pouco na hora das “ofertas” e “promoções”

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Meu filho Thiago costuma dizer que o Mateus Hiper Casa Forte – loja que funciona no local onde era antes o Hiperbompreço – virou minha “Disney”. É que gosto da loja, os funcionários são atenciosos e bem treinados, e lá praticamente passo todos os dias.Virou diversão. No meio da caminhada, dou uma olhada nas frutas (sempre fresquinhas), nos preços, e sempre volto para casa com alguma coisa. Pouca, porque andando, não gosto de carregar peso na mochila. Quando a compra é grande ou mensal, aí sim, uso minha “Ferrari” (um pálio vermelhinho, com dez anos de uso). Sim, gosto do Mateus. Até porque passamos um bom tempo sem supermercados de qualidade aqui nessa área. E alguns que depois fecharam, mais pareciam chiqueiros, no apagar das luzes. Aparência de pocilgas mesmo…

No entanto, na segunda-feira passada, fiquei aborrecida.  Nos cartazes amarelos chamativos que ficam nas grades dos jardins da loja geralmente são anunciadas promoções, produtos remarcados. No último dia 17, um desses cartazes anunciava  que o quilo de queijo muçarela (da marca Tirolez) estava a R$ 49,90. É caro? É. Mas tem lugar que o preço do mesmo produto passa de R$ 80. Já vi até por  R$ 90. Compro em pequenas quantidades e com frequência, pois quebra um bom galho na cozinha. Confiei no cartaz e na sintonia com o que estava anunciado. Mas ao chegar em casa, ao conferir detalhes da nota, descobri que tinha pago R$ 57, 39 pelo produto. Ou seja, uma discrepância bem grande quanto ao anunciado.
No dia seguinte, voltei ao Mateus. E fiz a mesma compra, enquanto o cartaz ainda anunciava o preço menor. Reclamei no balcão da venda do queijo fatiado. E ouvi: “Devem ter esquecido de atualizar a máquina, fale disso quando estiver no caixa”. Fiz o recomendado, e realmente o preço foi adaptado com interferência de um gerente. Mas no dia seguinte, 18, o anúncio ainda estava lá e o preço praticado permanecia bem maior do que o anunciado. Reclamei de novo. Disseram que o cartaz seria retirado. Sim, foi. O da Rua João Santos Filho.

Mas no muro lateral, na Rua Nestor Silva, estava lá outro cartaz,  igualzinho, com preço anunciado diferente do praticado, ainda na quarta-feira. Devem ter esquecido de retirar esse segundo. Quantas pessoas não prestam atenção na nota, como aconteceu comigo, no primeiro dia? Na sexta,22, estive no Mateus de novo mas os cartazes, felizmente, haviam sido removidos. Mas, dessa vez, não comprei o produto, pois ainda tinha em casa.  O #OxeRecife consultou o Procon Recife, para saber como agir nesses casos. Eis a nota do órgão:

“O Procon Recife informa que a divergência entre o preço anunciado na faixa externa do estabelecimento e o valor cobrado no caixa configura infração ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). A prática se enquadra no artigo 30 (oferta vinculante), na qual estabelece que toda informação ou publicidade suficientemente precisa obriga o fornecedor a cumprir o que foi ofertado. Caso o preço cobrado seja diferente do anunciado, o consumidor tem direito a exigir o cumprimento do valor exposto, aceitar produto equivalente ou desistir da compra com restituição dos valores pagos. Também é considerada publicidade enganosa qualquer informação capaz de induzir o consumidor em erro, incluindo divergência de preços entre o anúncio e o caixa”.

De acordo com o Procon, “o  estabelecimento deve zelar pela correta exposição dos preços e remover imediatamente qualquer publicidade que possa causar confusão”.  E explica: “Produtos colocados à venda com preço destacado na comunicação ao consumidor devem ser oferecidos exatamente pelo valor anunciado, sem exceções. O Procon Recife orienta que consumidores que enfrentarem situações semelhantes procurem o órgão para registro da reclamação e fiscalização do caso”.

Pronto, está dado o recado. Acredito que não seja má intenção da empresa, pois falhas ocorrem em meio a milhões de itens à venda. E, no segundo dia, realmente corrigiram à distorção, quando reclamei no caixa. Mas é um descuido que pega mal para a empresa e para o bolso do consumidor, se este não prestar atenção.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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