No Recife há fatos – sejam reais, fictícios ou históricos – que muito mexem com o imaginário popular. E entre eles, três se destacam: assombrações, a emparedada da Rua Nova, a Revolução de 1817 e, por fim, a saga do Boi Voador, que mobilizou a cidade no século 17 para financiar a construção de uma ponte. O fato é que o “bovino” que voou sobre a capital está nos livros de história e até mesmo inspirou Chico Buarque a compor “Boi Voador não pode”. Quem nunca cantou esses versos? “Quem foi, quem foi/ Que falou no boi voador/ Manda prender esse boi/ Seja esse boi o que for”…
Então, todos os anos, o aniversário da mais antiga capital do Brasil – o Recife – é comemorado com festa, bolo gigante e outras atividades gratuitas. Mas é justamente a encenação do espetáculo O Boi Voador que atrai a maior quantidade de pessoas ao centro. Aliás, uma verdadeira multidão costuma comparecer à Praça do Marco Zero para acompanhar desde o “desembarque” do “Conde Maurício de Nassau” e sua comitiva até a história segundo a qual ele fez um boi voar, cobrando ingresso para o espetáculo que rendeu um bom dinheiro para acabar a construção da ponte, então uma obra inconclusa por falta de verbas.

Esses fatos históricos do século 17 são revividos por atores desde 2018, na encenação O Boi Voador, que foi incorporado ao calendário turístico do Recife. E volta a acontecer em 2023, durante as comemorações do 486º aniversário do Recife. O espetáculo começa a partir das 18h do domingo (12/03) em frente ao Marco Zero, no Recife Antigo. Há três anos, no entanto, não ocorria devido à crise sanitária, que desaconselhava aglomerações. O acesso à peça é gratuito e a paisagem do bairro é usada como cenografia. A Ciclofaixa de Lazer e Turismo que funciona aos domingos e feriados também terá um trecho extra comemorativo, que ligará o Recife e Olinda, cidades irmãs que comemoram juntas o aniversário. As duas cidades estarão ligadas entre a Avenida Mário Melo e a Avenida Olinda Dom Hélder Câmara, passando pela Rua da Aurora, Avenida Prefeito Artur Lima Cavalcanti e Avenida Cruz Cabugá. O circuito Recife-Olinda inclusive é um dos roteiros do Projeto Olha! Recife no domingo, com saída às 9h da Praça do Arsenal.

Em Olinda, o percurso passará pela Praça do Carmo, Quatro Cantos e Mosteiro de São Bento. No Recife, uma novidade para os amantes das “magrelinhas” é a expansão da Ciclofaixa de Turismo e Lazer para o Pátio de São Pedro, percorrendo o trecho da Avenida Dantas Barreto até o Pátio. Esta ligação agrega ao percurso, oferecendo aos ciclistas um passeio pelos atrativos da Casa do Carnaval, Centro de Design, Memorial Chico Science, Memorial Luiz Gonzaga e Museu de Arte Popular, além da própria Igreja de São Pedro dos Clérigos.
Para quem gosta de carnaval romântico, no Recife, o tradicional Bloco das Flores preparou uma surpresa. Vai se concentrar na Praça Maciel Pinheiro, de onde deve sair por volta de 16h rumo ao Recife Antigo. Com o mesmo tema do carnaval (“Estrelas da Ribalta”), presta homenagens a mulheres que, do século passado ao século 21 brilham ou brlharam nos palcos do Recife: Diná de Oliveira, Diva Pacheco, Geninha da Rosa Borges (já falecidas), Leda Alves e Stella Maris. Já na Avenida Guararapes, tem mais uma edição do Viva Guararapes, que terá os seguintes polos: Recife, Infantil e Esportivo, Geek, Sesc, Serviço, Sebo, Sustentatibilidade, Gastronômico e Economia Criativa. O horário é das 10h às 17h. Um dos roteiros do Olha! Recife do domingo passa pelo Viva Guararapes, de onde o grupo sairá direto para assistir O Boi Voador. Abaixo, veja o vídeo curtinho do Bloco das Flores.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Andrea Rego Barros / PCR / Divulgação