Palmas para Raphaella Ribeiro (foto), que no final de semana apresentou-se na área principal do Palco Espiral, no Parque da Tamarineira. Saí de casa, na manhã do sábado, só para vê-la, pois dizia a assessoria do Festival que o seu Trans Coco, tem “perfil representativo das minorias socialmente excluídas”. E que é considerado o primeiro grupo LGBTQIA+ de coco de roda do Brasil. Fui conferir.
O coco de roda é uma manifestação da cultura popular muito comum no Nordeste, e que sofre influência afro e indígena. Não me arrependi. Além de passear no Parque (que é uma beleza) e curtir outras apresentações da décima edição do festival, testemunhei a força de Raphaela. E ela “chegou, chegando”, como diz a gíria. Com sua saia de chita rodada, a voz forte, o gingado.
No palco, lembrou sua trajetória e atribuiu à cultura popular a vida que leva hoje, pois é como mestra do coco que paga as contas. Um orgulho e uma conquista, para uma “mulher trans, travesti, negra e periférica”, como fez questão de ressaltar. Entoou um coco atrás do outro, e mostrou muita força ao interpretar “Maria, Maria” (de Milton Nascimento), no ritmo que abraçou. Fechou! Outras manifestações culturais divertiram adultos e crianças no Parque da Tamarineira, como esse boizinho da foto abaixo.

Quando ao Trans Coco ,surgiu em 2020, dentro de um terreiro de candomblé, o Axé Oxum Opará, que fica em Igarassu, a 26 quilômetros do Recife. Foi a forma que a hoje produtora cultural encontrou para protestar contra a falta de representatividade das minorias, principalmente LGBTQIA+ nas manifestações populares, embora este grupo apareça com frequência em outras grupos como os maracatus e as quadrilhas juninas.
Mas não no comando, como é o caso do Trans Coco, que é liderado pela própria Raphaella, que é também a vocalista do grupo. E canta com força, com muita força. Em 2022, em entrevista a emissoras de rádio e TV, ela explicou o motivo da escolha.
“É preciso mostrar à população de travestis e transexuais que necessariamente não precisamos estar em alguns espaços de vulnerabilidade – prostituição, tráfico de drogas, criminalidade em geral. A cultura nos dá essa oportunidade, de nos salvar através do coco, da ciranda, do maracatu e nos encher de esperança todos os dias.
Ela enfatiza o resgate social de grupos marginalizados, promovido pela cultura, que funciona como um agente de transformação. Para melhor, claro. Palmas, pois, para Raphaella, para o coco, a ciranda e o maracatu. E também por buscar caminhos para a comunidade LGBTQUIA+. O Trans Coco já se apresentou em festivais em Pernambuco, como o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), o Festival Flores Empoderadas (Igarassu), em festas em Olinda.
Confira, no vídeo abaixo, a performance de Raphaella, no Trans Coco.
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Texto, fotos e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife
