A Polícia Civil de Pernambuco concluiu dois dos cinco inquéritos que investigam as denúncias de crimes sexuais que teriam sido praticadas pelo Padre Airton Freire, criador da Fundação Terra e um dos pregadores mais solicitados pelos fiéis da Igreja Católica. O religioso está proibido de exercer o sacerdócio (por ordem do Bispo de Pesqueira, Dom José Luiz Ferreira Sales). Psicólogo, bom de fala, muito carismático, e com boa estampa, o padre é autor de cerca de cem livros e dezenas de discos, além de comandar uma grande obra social. Ele foi preso no último dia 14 de julho, mas no momento encontra-se sob custódia e em tratamento no Hospital Português do Recife, após ter uma crise hipertensiva e um início de AVC. A Secretaria de Defesa Social está com força tarefa, formada por cinco delegadas, trabalhando na investigação do caso. A SDS divulgou os nomes de dois foragidos, que seriam cúmplices dos crimes e que estão sendo procurados: Jailson Leonardo da Silva e Landelino Rodrigues da Costa Filho.
Os dois inquéritos já concluídos serão enviados à Justiça, que os remetem ao Ministério Público que, denunciando os envolvidos, inicia-se, então, o processo criminal. Até o momento apenas uma vítima se identificou, a personal stylist Sílvia Tavares de Souza, que acusa o padre de ter mandado o seu motorista estuprá-la, enquanto se masturbava, na casinha de taipa onde reside no município de Arcoverde, localizado no Sertão de Pernambuco. É na cidade, situada a 259 quilômetros do Recife, que funciona a Fundação Terra, obra social criada pelo padre há quarenta anos. De acordo com as delegadas que trabalham nos inquéritos, os depoimentos das vítimas são muito contundentes. “Elas não se conhecem, mas os testemunhos são seguros e emocionados, permeados de dor quando os fatos são relembrados”, disseram. “E não há indicativos que estejam inventando informações contra um homem que consideravam santo”, explicaram.
Informaram que o “modus operandi” é sempre o mesmo e que as perversões praticadas pelo sacerdote e seus auxiliares “repetidas pelas vítimas, são muito parecidas”. Entre estas, há também um homem que diz ter sido violentado e até dopado, na famosa casinha, usada pelo padre para mostrar sua opção pela “pobreza”. A Polícia Civil recebeu denúncias de outras possíveis vítimas, não só de Pernambuco como de outros estados. A julgar pelo que dizem as vítimas, os dois foragidos são tão tarados quanto o padre. Ambos eram funcionários de sua extrema confiança na Fundação Terra. Dos inquérito já concluídos, o primeiro é o de Sílvia, que vem sendo atacada nas redes sociais por seguidores do sacerdote que ainda acreditam na sua santidade. O Padre Airton Freire está indiciado em ambos, porém no segundo aparecem novos suspeitos. Como as investigações correm em segredo, por decisão judicial, os nomes dos envolvidos – acusados e vítimas – não foram divulgados.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fundação Terra
