Patrimônio Cultural do Brasil, Maracatu rural ganha exposição no Recife

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Uma das manifestações populares mais icônicas de Pernambuco, que tem no caboclo de lança a figura mais emblemática, o chamado maracatu rural completa três séculos em grande estilo. É que a partir da terça-feira (12/8), o Cais do Sertão abriga a exposição “De Cambinda ao Maracatu: Na Mata tem Brinquedo”, primeira  individual da fotógrafa Cláudia Dalla Nora. A mostra é gratuita e fica aberta até 12 de setembro, naquele museu, localizado no bairro do Recife. O maracatu de baque solto, também chamado rural, nasceu no século 18, entre populações negras escravizadas e seus descendentes, na área canavieira de Pernambuco. Essa manifestação mistura elementos africanos, indígenas e europeus. É um rito coletivo que atravessa gerações, permanece vivo como patrimônio cultural e que voltou  a se fortalecer ao longo dos últimos 30 anos. Felizmente.

A expô é uma boa oportunidade para o público entrar em contato com essa herança, reconhecida pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil. As imagens foram captadas pela fotógrafa nas cidades de Nazaré da Mata, Tracunhaém e Buenos Aires, todas localizadas na Mata Norte do Estado, área de maior concentração desse tipo de folguedo. Município localizado a 65 quilômetros do Recife, Nazaré é considerado como a Capital Estadual do Maracatu Rural. A exposição reúne 37 fotografias coloridas e em preto e branco. Os registros mostram ensaios, cortejos e encontros comunitários. Entre elas, estão imagens do Encontro de Maracatus do Engenho Bringa, em Tracunhaém. Mais conhecido pela sua produção de artesanato em cerâmica, Tracunhaém é considerado um dos principais espaços da tradição do maracatu rural naquela região.

A mostra resulta de pesquisa e imersão da fotógrafa, que busca apresentar, também,  o dia a dia da convivência cultural dos mestres e brincantes. “Se o maracatu desfila para não esquecer, eu fotografo para lembrar”, afirma a artista, que usa a fotografia como linguagem de memória e resistência. Durante a visitação ao local, moradores, turistas e visitantes serão convidados para uma travessia sinestésica. O público poderá perceber as fotografias posicionadas de modo a flutuar em tecidos rústicos, como velas ao vento. Figurinos da agremiação, confeccionados à mão pelos próprios artesãos e brincantes, revelam detalhes que carregam memórias de gerações. Versos de loas nas paredes marcam o compasso do ambiente, que pulsa como o toque dos chocalhos.

A curadoria é da fotógrafa Gisele Carvallo. A exposição é ambientada com tecnologia sonora. As vozes de mestres e mestras também poderá ser contemplada pelas pessoas que vão passar por lá. “Essa interação é para criar a sensação de que o visitante sinta-se parte da brincadeira popular, caminhando no ritmo do maracatu”, diz Claudia. Tem mais. Além dessas novidades, a exposição terá, ainda, a possibilidade de transmitir cheiros da vegetação canavieira, onde surgiu a cultura do maracatu rural. Entre os aromas: o de terra molhada, galhos de arruda, entre outras especiarias. Bom uso da tecnologia! A mostra tem incentivo da Secretaria de Cultura, Fundarpe e Governo de Pernambuco, por meio dos recursos da PNAB – PE (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura em Pernambuco).

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Serviço
O quê: Fotógrafa pernambucana celebra 300 anos do maracatu rural com exposição no Cais do Sertão”
Abertura: terça-feira (12/8), às ….
Visitação: 12 de agosto a 12 de setembro de 2025
Local: Cais do Sertão – Recife (PE)
Horários: terça a sexta, das 10h às 16h; sábado e domingo, das 11h às 17h

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cláudia Dalla Nora

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Um comentário

  1. Ótima oportunidade para quem ainda não conhece esse riquíssimo legado cultural, que é o Maracatu Rural.
    Momento único para admirar toda a beleza e riqueza dessa manifestação popular que atravessa gerações com muitas cores e alegria.

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