Parem de derrubar árvores (515). Degola sem reposição no Parque da Jaqueira

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Parece que não  bastou o gramado seco  e algumas plantas decorativas idem, no hoje privatizado Parque da Jaqueira. Atualmente sofrendo de poluição visual devido a anúncios nos seu gradeado, o seu interior conta agora com trailers para a venda de lanches. E já há até quiosque avançando para a área interna do parque, quando antes ficavam na calçada da Rua do Futuro (sem atrapalhar o caminho dos pedestres). Para completar, há alguns dias o #OxeRecife constatou degola de mais uma árvore.

Logo nos primeiros dias da concessão à iniciativa privada, denunciamos aqui  a ação da motosserra insana e arboricídios, na série “Parem de derrubar árvores”. Na época, houve corte radical ou mesmo a erradicação de plantas adultas e centenárias no local.   Também não sabemos quantas árvores foram derrubadas para obras de implantação de restaurante e da pista que substituirá a de bicicross que foi destruída. Há alguns dias, passando pela calçada da Rua do Futuro me defrontei com essa cena aí da foto acima. Um tronco do que um dia foi uma casuarina.

Cadê o canteiro de nuvens do Parque da Jaqueira? Dá muita saudade ver a aridez onde há houve flores

Até me confundi, pensando que a planta degolada e morta pertencia a um canteiro de ciprestes, mas vi – depois – em plaquinhas colocadas no local esturricado que, na verdade, era uma casuarina no meio de outras sobreviventes. Tudo bem, não sou bióloga, nenhuma botânica (alô, alô, Ricardo Cardim, o mais famoso deles) e tenho o direito de me enganar. Mas amo as árvores, prefiro lutar por elas, e reclamar a cada degola testemunhada.

Quanto à casuarina, é verdade que não é uma planta nativa, mas a jaqueira  também não é. Oriunda do Sudeste Asiático e muito aclimatada no Brasil, onde chegou por volta do século 18, é essa fruteira que dá nome ao Parque, um dos mais frequentados do Recife. Quanto à casuarina, conhecida como pinheiro australiano, é nativa da Austrália, e também ocorre no Sudeste Asiático, na Nova Guiné, na Polinésia e na  Índia, sendo considerada uma espécie invasora. Nesse caso, já era para os administradores do Parque da Jaqueira terem substituído a planta degolada por uma nossa, nativa da Mata Atlântica.  Quando passo ali, fico me perguntando, também, cadê o antes bonito canteiro de nuvens, as flores azuis que tanto nos encantavam? Já observaram a situação do gramado? Cadê a irrigação? Para completar, barracas que antes ocupavam apenas a calçada da Rua do Futuro, avançam para a parte interna do Parque. Parece até que está sendo loteado. Imagina se a moda pega… Ruim.

A foto (vertical) foi enviada pela leitora Maria Campos, que reclama dessa ocupação.  “Olha só o que eu vi, uma barraca montada dentro do parque, com abertura para clientes da rua e no interior do Parque. Dentro já tem dois trailers de alimentação, acabou a finalidade só para atividades físicas”, reclama. Tem razão, a recifense. O Parque não é tombado pelo IPHAN, mas a igrejinha no seu interior – a de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira – é monumento nacional desde 1938. O que significa que a paisagem do seu entorno deveria ser respeitada, e não poluída como está ficando, por conta da ganância pelo vil metal. Com a palavra, a Viva Parque. E o apelo à Prefeitura e órgãos responsáveis para que o Parque não se transforme em mais um atentado estético na cidade.

Confira, outras perdas, nos bairros da Jaqueira e Graças, que ficam vizinhos e se confundem.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (#OxeRecife) e Maria Campos (foto da leitora)

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Um comentário

  1. Letícia, Pierrot, Pierrete, Arlequim , Colombina ,Dominó de Veludo espalham suas tristezas sem fim pelas ruas do Recife e a dor de testemunharem uma Cidade destruída, suja, fétida sem perspectivas de futuro, legado destes 25 anos de Administrações em conluio público de PSB, PT, PSOL e Seitas do Mal que pululam nos Poderes da Cidade do Recife. O Galo da Madrugada tá lindo na Ponte Duarte Coelho, mas, os Jornalistas de nossas Mídias, ao fundo, pintaram ou sacudiram imagens inexistentes, escondendo a degradação dos Imóveis das Avenidas e ruas do Centro da Cidade, isso é Democracia e Liberdade, ou Libertinagem de confessarem que participam e são Atores dos crimes da destruição do Recife nestes 25 anos ??? Para não chorar diante das fotos falsas das Mídias escondendo a hecatombe do Recife, fui buscar em meus ‘Museus Pessoais” um LP de Frevo dos anos 50 e 60 da Fábrica Rozemblit e olhar a capa com os Clóvis em fantasias coloridas e ao fundo os Prédios das ruas centrais do Recife o Rio Capibaribe intensamente iluminado e limpo daqueles tempos, aproveitei para ler nas contra capas os Textos do Jornalista Paulo Fernando Craveiro que numa inspiração genial fala naqueles espaços, mesmo que me falhem a memória, mas, sintetizando o texto original e genial ……” Os Passistas de Frevo de Pernambuco em suas evoluções parecem os passos de um Nijinski bailando, pulando e com suas sombrinhas atingindo os céus do Recife …..” . Bom Carnaval para todos que vão para as ruas comemorar o “Carnaval Master do Recife” …. Não deixemos que nossos Flabelos fiquem de cabeça para baixo como o Brasil e o Recife, levantem nossos Flabelos, dancemos com as Pastorinhas pela Rua da Imperatriz ao som de banjos e bandolins a Poesia de João Santiago RELEMBRANDO O PASSADO…. cantando assim…. “Na Rua da Imperatriz, eu era muito feliz, vendo o Bloco desfilar, escuta Apolônio o que vou relembrar….. BOM CARNAVAL E VIVA O RECIFE !

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