Parem de derrubar árvores (510). Novo arboricídio no bairro das Graças

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É espantosa a quantidade de arboricídios no Recife. Enquanto em algumas cidades, os cortes em áreas públicas e privadas começam a sofrer restrições  (como forma de reduzir o impacto das mudanças climáticas), na nossa capital, a política de  arborização virou casa da mãe joana. As prestadoras de serviço de energia fazem podas equivocadas para proteger a fiação aérea deixando as árvores em desequilíbrio, a Prefeitura não fiscaliza, as mudas plantadas nas vias públicas parecem gravetos e há vítimas da motosserra insana em toda parte. Tudo muito triste, no Recife da emergência climática.

Há alguns dias, caminhando pelo bairro das Graças, mais precisamente na Rua Cardeal Arcoverde, me defrontei com mais uma vítima da ação da motosserra insana, que tanto preocupa os recifenses. A julgar pelo diâmetro do tronco degolado, era uma árvore adulta e que tinha um bom porte. Devia ter, no mínimo, umas três ou quatro décadas de vida. Quando passei na frente, tomei um susto. O mesmo que uma amiga, que sempre transita por ali, tomou. Ela chegou a entrar no escritório da empresa, em cuja calçada ocorreu o arboricídio e a informaram que a planta estava “bichada”. Olhei muito o tronco degolado e, sinceramente, não observei sinais de desgaste, e o caule  parecia, sim, muito firme. Na verdade, essa árvore já vinha sofrendo maus tratos. Talvez por falta de conhecimento. Reparem a base do seu tronco, totalmente cimentada e sufocando as raízes, o que é totalmente desaconselhado por biólogos, botânicos, ambientalistas. Mais aqui no Recife isso é comum até mesmo em áreas públicas, como calçadas,  parques, jardins, canteiros centrais de avenidas. Semana passada, as redes sociais mostraram dois exemplos de arboricídio em cidades diferentes. No Rio de Janeiro, 71 árvores foram suprimidas no Flamengo. Tudo por conta da especulação  imobiliária.

Pois o terreno das árvores devastadas  naquele bairro (RJ) vai ceder espaço para a construção de condomínio de alto padrão. Em Curitiba, uma mulher matou 80 mudas que haviam sido plantadas pelo Coletivo 1 Milhão de Árvores , em uma avenida famosa da cidade. No primeiro caso, a população fez um protesto e o crime ambiental foi parar no Ministério Público. No segundo, a autora do arboricídio coletivo foi identificada, e indiciada em inquérito policial. Curioso: as mudas ganharam medida protetiva e a mulher está impedida de se aproximar dos canteiros violentados.

Derrubada de árvore adulta, na Rua Cardeal Arcoverde deixou indignados pedestres que transitam no local.

. E no Recife, o que acontece? N-A-D-A. Até porque as mudas plantadas pelos órgãos oficiais, em boa parte, parecem um amontoado de gravetos. Ou seja, não há cuidado mesmo com nosso patrimônio verde.

“O Recife perde árvores ano após ano, e silenciar é permitir que isso aconteça”, replica Carlos Alberto Alves da Silva, repetindo uma um apelo feito diante das 71 vítimas de arboricídio no Rio.  Incansável semeador, pois sempre está plantando árvores e até regando-as  por onde passa, ele completa:

“Aqui na nossa cidade, algo tem que ser feito urgentemente, envolvendo o Ministério Público, as Secretarias do Meio Ambiente, sociedade civil, Ibama,  todos e tudo que se puder, para colocar um freio na derrubada das árvores. Outra questão grave são as podas feitas nas ruas, nas praças e até dentro da UFPE. As árvores ficam parecendo vassouras de cabeça para baixo. Terrível e triste, muito triste”.

Outra pessoa indignada com essa situação no Recife é a assistente social Sofia Lopes de Paula, que reside no Derby e sempre circula entre o seu bairro e as Graças, que ficam próximos. Ela inclusive costuma denunciar “arboricídios” ao #OxeRecife. Diz ela, quando a questão é o sofrido patrimônio verde de nossa cidade.

“O Recife precisa de apoio, como aconteceu em Curitiba, com seu policial exemplar na defesa do meio ambiente; e também como no Rio, com a população engajada e o Ministério Público em ação. Vamos botar a boca no trombone e tentar inibir a ação devastadora da especulação imobiliária e predatória. O Recife perde árvores ano após ano, e silenciar é permitir que isso aconteça. Vamos divulgar à exaustão essa frase. E também organizar protestos, como no Flamengo, em 10 de janeiro.”

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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2 comentários

  1. Muito triste esse arboricídio! Eu não me conformo e fico indignada por saber que a prefeitura nada faz para impedir, apesar de tantas denúncias e da luta incessante do # Oxerecife . O caso da árvore degolada na Rua Cardeal Arcoverde é revoltante pois a árvore estava saudável e agora me parece que apenas 02 árvores resistem nessa via.

    E estamos sentindo o resultado dessa ação insana,quando caminhamos pelas ruas da cidade.Hoje ,voltando do
    Parque das Graças com o neto,às 18:00, o termômetro dos Quatros
    Cantos no Derby marcava 28°! Onde vamos parar?
    Parem de derrubar árvores!

  2. Letícia, as Graças como todo o Recife é um abandono só, e os manguezais destruídos do Parque das Graças já começam a responder nos Imóveis das redondezas e em algumas ruas, talvez no inverno eles responderão com mais força e intensidade. Como não podemos criticar a “soldadesca dos fora das Leis” da Praça dos Três Poderes” por ser atentado de “abolição total do Estado de Direito” e pegar 100 anos de prisão, o silêncio é geral, e tem gente que tem medo de votar nas próximas Eleições com o horror de seu voto ser descoberto pelo “Gabinete do Amor ao Ódio e as Taras de Rasgar a Constituição”, até me perguntaram se existia um “canal sério dos Poderes para reclamar do caos no Recife”, respondi com a boca colado em seus ouvidos que ficar mudo é o melhor remédio, se puder ficar escondido é melhor ainda, imagina que estão filmando até as Capivaras das Graças para ver se elas estão conspirando contra essa “Democracia de Rasgadores da Constituição” ! Roubaram o Brasil de mim . O Recife não é Dubai , essa é a diferença .

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