O Recife e o recifense saíram ganhando com o São João Raiz: forró, xaxado, baião

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Sim. O que a gente ouviu por aí foi muito comentário, reclamando da descaracterização do São João, antes a festa popular e religiosa mais comemorada no Nordeste. Em Pernambuco, teve sanfoneiro lamentando ter ficado fora da programação, teve Elba Ramalho pedindo para que o forró fosse prestigiado. E houve até político reclamando do excesso de sertanejos e forasteiros nos palcos gigantescos, tomando lugar dos forrozeiros tradicionais.

E esse tipo de queixa não é recente. Houve em anos anteriores. E lembro que quando eu trabalhava no jornal “O Globo” estive com o fotógrafo Hans Von Manteuffel em Caruaru, para fazer uma reportagem sobre “o maior São João do Mundo”, e quase que a gente não conseguia nem mostrar o São João. No palco, bailarinas seminuas, com artistas cantando nem sei lá o quê. Forró é que não era… Ex-Prefeito de Caruaru e um dos responsáveis pela explosão da festa, o também ex-deputado José Queiroz foi  em 2025 às redes sociais, onde postou um diálogo grosseiro de uma artistas convidada para a festa. “Não posso ficar calado. Absurdos do São João de Caruaru, uma cantora pornográfica, imaginem se a moda pega”, reclama.

Ele critica da vila descaracterizada que reproduzia um arraial, dos tapumes escondendo a festa e da privatização do São João com “camarote exclusive” . E arremata: “Tomaram um espaço tão grande, que tiveram de fechar os portões no show de Safadão”.  As reclamações não vieram só do Agreste. Também ecoaram no Sertão. Artigo publicado no site “Preto no branco”, mostra que “o palco é monumental, as luzes impecáveis, a cenografia de encher os olhos” mas que infelizmente “falta o dono da festa”. De acordo ainda com o texto, divulgado por Sibelle Fonseca,  o São João da cidade sertaneja de Petrolina mostrou uma “sucessão de estrelas, mas nenhuma delas brilhou com a luz da sanfona. “Nenhuma cantou o xote, o baião, a história de um povo que aprendeu a transformar dor em dança, escassez em celebração, saudade em canção”.

Quadrilhas – como a Raio de Sol – fizeram a festa no arraial do Sítio da Trindade, o mais concorrido do Recife

E o Recife, gente… O Recife acertou, mais uma vez. Longe de querer competir com cidades de Pernambuco – como Caruaru, Gravatá, Petrolina, Arcoverde, Carpina – que transformaram o São João em megashows milionários,  a capital pernambucana optou por uma festa mais tradicional, com coco, xaxado, forró, ciranda, baião, quadrilha. Foram 17 dias de festa, com 14 arraiais, 1,2 mil apresentações culturais e muita animação. Ou seja, diferente das cidades do interior que transformaram São João em festa padrão, o Recife correu por fora e, sinceramente, fez uma festa como o recifense gosta.

Pesquisa realizada no mês de junho, indicou que 84,12 por cento dos recifenses comemoram o São João. E que 42 por cento, preferem os festejos tradicionais, com arraial, quadrilha, fogueira, forró (ao invés de megashows).  E parece que a pesquisa está certa. Porque o recifense se esbaldou, sim, nos festejos juninos da cidade, um dos poucos que preserva as tradições da época. Ainda bem…. Sim, tem que continuar assim. Quem quer megafesta e ver show de cantor sertanejo, é só dar uma esticadinha a cidades como Petrolina (Sertão) e Caruaru (Agreste). Quem curtir forró de verdade, no ciclo junino, não precisa ir ao interior. Fica no Recife mesmo, que não vai se arrepender!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: PCR / Divulgação

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Um comentário

  1. Ainda bem que o Recife ficou fora desse São João privatizado e descaracterizado de Caruaru e Petrolina.
    Sempre fui e continuo sendo crítica ferrenha desse modelo de festa horroroso ,que em nada nos representa em termos de cultura popular.Acho um absurdo as prefeituras apoiarem esses pseudo artistas,com cachês altíssimos,música da pior qualidade privilegiando uma turma que nada acrescenta culturalmente e abandonando os verdadeiros artistas da terra,talentosíssimos e sem oportunidade de subir nos palcos.Governadora e prefeitos não incentivem esse modelo” junino”,maléfico em todos os sentidos.
    Onde já se viu ” camarote privado” para políticos, celebridades e outros mais que podem pagar? O verdadeiro forró é no chão, na rua,na praça pra todos!

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