O lado “pouco doce” do morango do amor: como prevenir cáries e fraturas

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Nos últimos dias, um assunto tomou conta das redes sociais e até mesmo dos programas de televisão: o morango do amor. E tem gente faturando alto, preparando e vendendo a guloseima, que virou a queridinha da população. No último final de semana, só uma pessoa que improvisou uma “fábrica” doméstica no Recife, faturou R$ 15 mil com venda da novidade. Um dinheirinho extra bom demais. Bonito, doce e gostoso,  o morango do amor bombou de Norte a Sul do Brasil. Mas acendeu o alerta vermelho nos consultórios odontológicos. Será que é inofensivo à saúde bucal? Aparentemente, não é tão saudável e inspira cuidados.

A combinação açúcar em excesso (mais textura grudenta, mais acidez da fruta) pode resultar em uma receita nada romântica para os seus dentes. E que de amor não tem é nada. O alerta é do cirurgião dentista Bruno Matias, especialista em implantodontia e mestre em odontologia digital. “O morango do amor pode parecer inofensivo, mas é uma verdadeira bomba para a saúde bucal”, diz.  “A calda de açúcar cristalizado que envolve a fruta é extremamente dura, o que pode causar fraturas em dentes frágeis ou restaurados. Além disso, ela gruda com facilidade, alimentando as bactérias causadoras da cárie”, adverte. E não é só. O morango é uma fruta que traz benefícios à saúde. Mas associado ao açúcar, a coisa muda. Segundo o especialista, o morango, apesar de saudável por si só, é uma fruta ácida — e o ácido enfraquece o esmalte dentário. “Quando combinado com o ataque do açúcar da calda, o efeito corrosivo se intensifica” . Ou seja, cautela é bom.

Frutas são ótimas, mas nem sempre podem ser misturadas. Por exemplo: tem algo mais gostoso do que abacaxi? Meu saudoso dentista me recomendou não escovar os dentes menos de duas horas depois do seu consumo. É que o ácido quando se mistura com a pasta de dente produz alguma substância (não lembro o nome) que corrói o esmalte. Então, tem que esperar…. Com o morango do amor, também é preciso te cuidado. No caso do morango, docinho viral, problema real…

Nas últimas semanas, vídeos mostrando versões gourmetizadas do morango do amor explodiram no TikTok e no Instagram, com confeiteiros apostando em caldas com glitter comestível, coberturas extras e até recheios. Mas quanto mais camadas de açúcar, maior o risco. E um dos maiores perigos do morango do amor está justamente na calda endurecida que envolve a fruta. Feita basicamente de açúcar derretido, ela se transforma em uma camada rígida e espessa quando resfriada — e aí mora o risco. Alerta Bruno Matias.

 “Na prática, o morango do amor funciona literalmente como uma ‘pegadinha’ para os dentes. Se a calda estiver muito dura, a pessoa pode acabar trincando ou até quebrando um dente ao morder o doce. Dentes com restaurações, próteses ou mais sensíveis são ainda mais vulneráveis ao impacto.  O consumo frequente, sem escovação adequada, pode acelerar o surgimento de cáries e até levar à necessidade de restaurações ou implantes, em casos mais graves”.

Como o abacaxi, a escovação do dente após o consumo do morango do armo não deve ser imediata. “Escovar os dentes após comer o doce é imprescindível, mas é preciso que se “aguarde 15 minutos se puder para escovar os dentes, pois esse cristalizado que gruda nos dentes consegue ser amolecido pelos fluidos bucais. Dessa maneira, a escovação vai se tornar mais eficiente”. Ele também recomenda que não se morda o doce. Ou seja, não usar os dentes para romper a calda dura. Além de danificar o esmalte, você pode trincar um dente ou quebrar uma prótese dentária”, reforça o dentista.

“Prefira cortar o doce com uma faca e colocar pequenos pedaços na boca”, orienta ele, que ´especialista em Implantodontia e mestrando em Odontologia Digital. Vencedor do prêmio internacional SWCC (Straumann World Class Cup), evento que premia a excelência em implantologia e odontologia estética com profissionais de todo o mundo Embaixador da Straumann Group no Brasil, ministra palestras mundo afora, auxiliando outros dentistas a terem melhores resultados com a Odontologia Digital.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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