É muito importante que grandes corporações estejam tomando iniciativas para reduzir o impacto que suas atividades e produtos provocam na natureza. O #OxeRecife já tem citado aqui vários casos, que vão da preservação de matas à utilização de materiais biodegradáveis em suas embalagens, do plantio de árvores a ações de limpeza em praias, da preservação dos pássaros e mamíferos das florestas à conservação de corais dos oceanos. Uma das empresas mais engajadas na questão ambiental é a Nestlé, que promete atingir emissão zero de gases de efeito estufa até 2050. Será que consegue? Vamos torcer que sim.
Pelo menos, a batalha nesse sentido já começou. E até se comemora os resultados. É que de acordo com a multinacional, com as medidas implantadas a partir de 2014, a empresa conseguiu reduzir a emissão proporcional de gases ao emitido por 1,2 milhões de automóveis. É um bom início . A maior empresa de alimentos e bebidas do mundo – presente em 190 países e com 308 mil colaboradores espalhados no Planeta – também tem feito esforços para reduzir a poluição provocada por embalagens e, principalmente, por materiais plásticos como os canudos do achocolatado Nescau. No final de semana, a Nestlé inaugurou em Lausanne (Suíça),o Institute of Packaging Sciences (Instituto das Ciências da Embalagem), o primeiro do gênero criado por uma indústria alimentícia no mundo. A notícia foi divulgada no Brasil na última sexta-feira, inclusive para o #OxeRecife, blog que tem a questão do meio ambiente entre suas prioridades.
Durante a inauguração do laboratório, Mark Schneider, CEO da Nestlé, ressaltou a importância da iniciativa. “Temos a visão de um mundo em que nenhuma de nossas embalagens termine em aterros sanitários ou como lixo”. E relatou; “Para tanto, estamos introduzindo soluções de embalagens reutilizáveis e pioneiras em materiais ecológicos. Além disso, apoiamos o desenvolvimento de infraestrutura local de reciclagem e armazenagem, contribuindo para um mundo sem resíduos”. Disse que o Nestlé Institute of Packaging Sciences permite criar um sistema robusto de desenvolvimento de soluções de embalagens sustentáveis para os produtos Nestlé em todas as suas empresas e mercados. De acordo com a corporação, o Instituto se concentra em várias áreas da ciência e tecnologia, como embalagens reutilizáveis, materiais de embalagem simplificados, materiais de embalagem reciclados, papéis de barreira de alto desempenho e materiais de base biológica, compostáveis e biodegradáveis. O Centro inclui um complexo de laboratórios de última geração, além de instalações para prototipagem rápida. Em estreita colaboração com a rede global de pesquisa e desenvolvimento da Nestlé, parceiros acadêmicos, fornecedores e startups, o Instituto avaliará a segurança e a funcionalidade de vários materiais de embalagem sustentáveis.
Quanto às ações para atingir emissão zero de gases de efeito estufa até 2050, a companhia adota o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C. Antecipando-se à Conferência sobre as Mudanças Climáticas, organizada pelo Secretário Geral das Nações Unidas neste mês, a Nestlé assinará o compromisso Ambição das Empresas pela meta de 1,5°C. “A mudança climática é uma das maiores ameaças que enfrentamos como sociedade. É também um dos maiores riscos para o futuro de nossos negócios”, diz Schneider. “Nosso tempo para evitar os piores efeitos do aquecimento global está acabando. É por isso que estamos estabelecendo uma ambição mais ousada de alcançar um futuro com emissão zero”, acrescenta.
“Nossa jornada para a emissão zero já começou há algum tempo. O que estamos fazendo agora é acelerar nossos esforços”, ratifica. Para alcançar sua ambição para 2050, as ações específicas da companhia incluem, entre outras, o uso de energia elétrica cem por cento renovável nas fábricas, armazéns, logística e escritórios da empresa. Hoje, apenas um terço das fábricas da empresa já usam energia renovável. Mesmo assim, essa e outras iniciativas já têm um peso significativo, de acordo com a empresa, que comemora os resultados. É que desde 2014, quando começou a implantar medidas para reduzir o impacto ambiental, a Nestlé assegura que, no período, “a redução da emissão de gases corresponde à retirada de 1,2 milhão de carros das ruas”. Já é alguma coisa. Aliás, muita coisa. Até porque no Brasil o que a gente vê é a Amazônia em chamas, tragédias absurdas e sem perdão como as de Mariana e Brumadinho, rios totalmente poluídos não só pelo despejo irregular de lixo mas também pela falta de saneamento, provocada pela omissão das nossas autoridades. E, para completar, a festa da liberação de venenos para nossa agricultura. Nos links abaixo, você vai encontrar exemplos de empresas que têm desenvolvido iniciativas em favor da natureza.
Leia também:
O Brasil está virando o rei do veneno
Quatro milhões de canudos a menos no mercado
Nestlé quer embalagem biodegradável
Leite Ninho: as vacas de brinquinho que mede a felicidade no pasto
Campanha contra plástico rende prêmio
Startup faz campanha contra lixo
Prêmio de R$ 50 mil para quem no mundo melhor limpar sua comunidade
“Arca de Noé” para corais ameaçados
Mar: mais plástico do que peixe em 2050
Esso decide plantar 20 mil árvores para proteger mico-leão-dourado
Brumadinho: 125 hectares de florestas e vidas humanas destruídas
Visite o Legado das Águas nas férias
Coca-Cola planta 600 mil árvores
Praia dos Carneiros ganha aliado contra o turismo predatório
Catadores tiram 5 milhões de latinhas deixadas pela folia em Olinda
Brasil tem camisa carbono zero
Festival de Aves no Sul da Bahia
Borboleta rara no Legado das Águas
A inédita visita do sabiá ferreiro
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação/ Nestlé
