Lutando com flores contra o lixo

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Residente no prédio Rio Sena – que fica na esquina da Rua Guimarães Peixoto com a José dos Anjos – o aposentado Manoel Cavalcanti cansou de lutar contra barracos infectos e acúmulo de lixo nas laterais do edifício em que reside, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.

Os barracos chegavam a ser utilizados como ponto de encontro de dependentes químicos e marginais, o que incomodava toda a vizinhança. O lixo também não parava de aumentar: metralhas, pedaços de madeira, móveis velhos, até resíduos orgânicos, seringas.

Seu Manoel não titubeou. Pintou o muro, e colocou avisos de “proibido jogar lixo”, para reforçar apenas o óbvio: que não se deve descartar o que não tem serventia em lugares indevidos. Mas não adiantou muita coisa. Então, sem Manoel resolveu plantar flores no local dos despejos de tralhas. Cultivou mudas no próprio chão (em fase de crescimento) e arranjou alguns pneus, que se transformaram em canteiros floridos.

Conheci Seu Manoel em uma das minhas caminhadas matinais, entre Casa Forte (passando pela horta comunitária de Casa Amarela) até o ETC Rosa e Silva.  Ele estava com ferramentas de jardim, cuidando das flores. O problema é que os porcalhões respeitam o espaço florido, mas passaram a jogar as tralhas e lixos na margem do canal,  no outro lado da rua, na  José dos Anjos. Naquela mesma via, os moradores do bairro se reuniram e implantaram uma horta comunitária, como forma de vencer os porcalhões, que entupiam o terreno de lixo, diariamente. Hoje há fruteiras, flores e hortaliças no local.

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Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife

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