É triste, mas é verdade. Lembram que em 2019, mais de mil localidades foram atingidas por derramamento de petróleo que prejudicou nove estados do Nordeste? Recordam que Pernambuco teve o litoral invadido por manchas pretas e que o povo fez um mutirão espontaneamente com um slogan (#sechegaragentelimpa), criado no meio do clamor gerado com o desastre ambiental? Pois, pelo menos no nosso estado, não só foi a natureza que ficou no prejuízo. O Governo gastou R$ 9,18 milhões para aliviar os efeitos de derramamento de óleo e até agora ninguém sabe quem foi o culpado.
No Nordeste, foram atingidos Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Bahia, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. As manchas chegaram até o Sudeste, marcando presença no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em agosto, a maior tragédia ambiental registrada no Litoral nordeste completa seis anos, após ter deixado marcas profundas na flora e na fauna e nas comunidades pesqueiras. Nesta semana, o Recife sedia o Horizonte Azul 2025, encontro internacional que reunirá especialistas, pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater estratégias inovadoras voltadas à recuperação de ecossistemas marinhos brasileiros atingidos por derramamentos de petróleo.

O encontro é promovido pelo Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação e ocorre em sua própria sede, nos dias 14 e 15 de agosto. O IATI fica na Rua Potyra, 31, Prado, Zona Oeste do Recife. Para os que não sabem, o IATI foi o responsável por desenvolver biogel que ajudou a limpar muitas praias do nosso litoral. A reunião conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e pretende reforçar a produção de conhecimento técnico-científico aplicado à preservação ambiental e à justiça climática, além de promover articulação entre ciência, políticas públicas e comunidades tradicionais. As inscrições, no entanto, já se esgotaram.
Em julho, a Polícia Federal informou que as investigações sobre a origem do óleo que atingiu o litoral nordestino seguem inconclusas devido à falta de respostas de autoridades estrangeiras. O episódio, que se espalhou por mais de 3 mil quilômetros de costa e é considerado o maior desastre ambiental desse tipo no país, permanece sem responsabilização definida. Pernambuco foi um dos estados mais afetados. Além disso, nos últimos meses, novos registros de manchas de óleo voltaram a preocupar autoridades e pesquisadores, reforçando a importância de debates sobre prevenção, mitigação e recuperação de áreas afetadas.
A programação do Horizonte Azul 2025 inclui painéis temáticos e palestras. O primeiro dia abordará os impactos socioambientais dos derramamentos no litoral de Pernambuco, com participação de representantes de ONGs, pescadores e órgãos ambientais. O segundo será dedicado a soluções tecnológicas e estratégias de mitigação. Entre os temas que serão abordados encontram-se: Impactos socioambientais após o derramamento de petróleo no litoral de Pernambuco; Efeitos do Óleo sobre a Biota Marinha. Subtemas: Caranguejos como Sentinelas: Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos em Ambientes Costeiros; O Impacto Invisível do Óleo na Coluna d’Água; Sensibilidade de Praias ao Derramamento de Óleo: Prevenção e Mitigação no Litoral Sul Catarinense.
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Serviço
Horizonte Azul 2025 – Inovação, Sustentabilidade e Ações para a Recuperação de Ecossistemas do Litoral Brasileiro
Data: Quinta e sexta 14 e 15 de agosto de 2025
Local: Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI), Recife (PE)
Inscrições: Gratuitas (taxa para emissão de certificado – esgotadas)
Link: https://www.sympla.com.br/evento/horizonte-azul-2025/2989645
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife

O impacto do derramamento de o nas praias do nordeste foi imenso.
O assunto me remete à exploração de petróleo na margem equatorial,o quanto é seguro e se haverá danos ao meio ambiente.