Guerreira, Preta Gil não resistiu ao câncer: doença aumenta entre os jovens

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Guerreira, ela foi. Lutou de todas as formas contra o câncer colorretal, tentou vários tipos de tratamento, viajou do Brasil aos Estados Unidos em busca de alternativas que lhe dessem um pouco de esperança. Sem tabus, compartilhou o diagnóstico, a evolução da doença, as idas e vindas a hospitais. Diagnosticada em janeiro de 2023 com adenocarcinoma, ela levou ao público informações sobre cada etapa do processo: as cirurgias, as sessões de quimioterapia e radioterapia, a expectativa por remissão dos tumores. E, mais recentemente, a retomada do tratamento fora do Brasil.  Em dezembro de 2024, chegou a passar por uma cirurgia que durou mais de 18 horas para remoção de metásteses que se espalhavam pelo seu corpo.

Não se intimidou diante da doença. Mostrou sua diversão no carnaval de Salvador – mesmo com a imunidade em baixa – o show emocionado (e quase em clima de despedida com o pai, Gilberto Gil). Também expôs seu último banho de mar, sem esconder a bolsa da colostomia. A sua luta foi acompanhada por todos. Eu, inclusive. Mas Preta Gil se foi, muito cedo, aos 50 anos, deixando uma legião de fãs e amigos, filhos e netos. E uma dor imensa em todos que compartilharam de sua alegre convivência.  Ao expor com generosidade sua jornada contra o câncer, Preta Gil também contribuiu para ampliar a conscientização sobre a doença. Seu caso trouxe visibilidade ao câncer colorretal, um dos tipos mais comuns. “Sei que fiz a escolha certa em dividir com as pessoas as minhas vulnerabilidades e meus sofrimentos. Mas com a cabeça erguida, como sempre foi, desde o começo”, disse Preta em 2024.

Além de enfrentar a doença com bravura, Preta deve ter motivado uma multidão a fazer os exames preventivos, uma vez que é cada vez maior o número de pessoas com menos de 50 anos que são atingidas pelo câncer de intestino. De acordo com autoridades sanitárias, a incidência desse tipo de doença entre os jovens é crescente. Lembrete: apesar de silencioso em muitos casos, a doença que matou a artista pode ser detectada precocemente com exames de rastreamento. O tumor colorretal se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, ou no reto. Vale lembrar ainda que o principal tipo é o adenocarcinoma e, em cerca de 90% dos casos, ele se origina a partir de pólipos na região que, se não identificados e tratados, podem sofrer alterações ao longo dos anos, tornando-se malignos. Daí a importância de exames preventivos, como a colonoscopia.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é estimado que entre 2023 e 2025 haja 45.630 casos da doença em homens e mulheres a cada ano. “Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, tais como constipação, diarréia, afilamento das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação (como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado), massas palpáveis no abdômen, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, explica Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas.

Atenção: entre os fatores de risco destacam-se: consumo de dietas ricas em alimentos ultraprocessados e pobres em vegetais, alto consumo de carnes vermelhas, sobrepeso e obesidade, inatividade física, tabagismo e a presença de doenças inflamatórias intestinais como a retocolite ulcerativa. Fatores hereditários também são importantes, mas o especialista ressalta que eles exercem menor influência no surgimento do tumor colorretal do que as causas listadas. Em boa parte dos casos, felizmente o câncer colorretal é curável. No entanto, é essencial que o diagnóstico aconteça precocemente, aumentando assim o sucesso do tratamento.

Por isso, é importante o rastreamento precoce, quando adequadamente indicado, para que o tumor seja identificado em sua fase inicial. “Diferentemente do câncer de mama, por exemplo, onde a doença é identificada com os exames de rotina geralmente em fase inicial, já instalado, o tumor colorretal pode ser descoberto em sua fase pré-cancerosa com a colonoscopia”, explica o médico. “Uma vez diagnosticado, a equipe multidisciplinar irá avaliar cada caso individualmente, selecionando as estratégias e opções mais adequadas a cada paciente”, conclui o oncologista da Oncoclínicas, que vem a ser maior grupo dedicado ao tratamento do câncer na América Latina, com presença em 140 unidades em 40 cidades brasileiras, e cujo corpo clínico tem 2.900 especialistas em oncologia.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / Oncoclínicas

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