Dinheiro público vira ferrugem em PE

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Dá uma revolta danada ver o meu, o seu, o nosso dinheiro enterrado e enferrujando no meio do matagal. Isso, a gente percebia. Mas o que não se sabia era que o valor enterrado é ainda maior do que aquele que se pensava. Pelo menos, esse é o caso do projeto de navegabilidade do Rio Capibaribe, iniciado em 2012 e que nunca foi concluído. Agora vem o pior. O projeto, chamado de Corredores de Transporte Público Fluvial do Recife consumiu 35 por cento dos recursos previstos, mas um percentual de apenas 1,82 por cento da obra chegou a ser executada.

Segundo o TCU, a obra previa investimentos de R$ 200 milhões, mas foram liberados mais de R$ 75 milhões. E em que foram investidos estes recursos? É isso que o TCU quer saber. Quando os serviços foram iniciados, o Governador era Eduardo Campos (PSB), que morreu em desastre aéreo em 2014, durante a campanha presidencial. Quando ele ocupava o Palácio das Princesas, lembro que à noite eu tinha dificuldade de dormir. Pois a draga que ia tornar o Capibaribe “navegável” passava fazendo um barulho infernal, de madrugada,  em Apipucos, que é cortado pelo Capibaribe. Hoje, aquilo que era a draga está sendo consumida pela ferrugem, no meio de um matagal às margens da BR-101, bem pertinho do rio. Aliás, são duas dragas que estão lá, sendo corroídas pela ação do tempo e do abandono.

O que era um canteiro de obras do projeto de navegabilidade do Capibaribe virou um acampamento abandonado.

O Projeto – que deveria ter sido concluído na Copa do Mundo que teve o Brasil como sede, em 2014 – previa o uso do Capibaribe como corredor de transporte com sete estações ao longo do rio, partindo daquela rodovia. As estações fluviais seriam na própria BR-101, Santana, Torre, Derby, Recife, Rua do Sol e Tacaruna. Estas, no entanto, ficaram no papel. Ou no meio do caminho. Na manhã de hoje, na caminhada matinal passei por aquela que seria a Estação Santana que até dois atrás, era – pelo menos – encoberta por tapumes. Mas a situação é diferente agora. Degenerou ainda mais: os tapumes foram derrubados, o mato e o lixo estão comendo tudo.

E o prejuízo está exposto para a população conferir. Nem placa oficial mais tem. Porém todo mundo lembra que ali era o canteiro de obras do que seria a Estação de Santana. Sobraram dos tempos frenéticos de trabalho que entrava pela madrugada, apenas a guarita do vigia e as tubulações que já estão sendo tomadas por ferrugem. O resto é abandono e retrato do desperdício tão comum em obras públicas. Aliás, problema que atinge as três esferas do executivo: municipal, estadual e federal. Se a gente for observar, vai ver muita obra paralisada por esse Brasil afora. Também em Pernambuco. E também na nossa cidade. O #OxeRecife tentou a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação para se pronunciar sobre a posição do TCU, mas o telefone da assessoria de imprensa estava na secretária eletrônica.  As irregularidades naquele projeto já tinham sido acusadas, também, pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), no ano passado. O comando do projeto era da Secretaria de Cidades, e seus então gestores foram apontados pelo TCE como responsáveis pelo descalabro.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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