Sabe a icônica e histórica Casa das Onze Janelas, que fica à margem da Baía do Guajará, em Belém? Durante a COP30, ela está transformada na Casa Vozes do Oceano e deve funcionar como epicentro dos debates sobre as águas salgadas do mundo, cada dia mais contaminadas com lixo derramado por navios, esgotos domésticos e industriais, por descartes realizados pela própria população em todos os continentes. E, principalmente, por presença de plásticos e microplásticos, que têm colocando em risco a fauna marinha levando a óbitos tartarugas, golfinhos, várias espécies de peixes.
Como todos sabem, além de problemas como presença de plásticos e outros elementos estranhos ao mar, os oceanos enfrentam clareamento de corais em vários países, por conta do aquecimento global. E os corais são tão importantes para os mares quanto as florestas tropicais para a terra. Os oceanos são reguladores do clima e respondem por cerca de 50 por cento do ar do Planeta. A Casa Vozes do Oceano é um espaço organizado pelo Instituto Voz dos Oceanos, liderado pela Família Schurmann, aquela que já deu três voltas completas ao mundo a bordo de um veleiro. E que luta para salvar os oceanos, depois de ter constatado presença de plástico e microplásticos em 140 destinos de 17 países na América do Sul, na América Central, na América do Norte, África, Ásia e, ainda, na Oceania.
Os Schurmann estão em campanha pela salvação dos oceanos. Para montar a estrutura na COP 30, conseguiram parcerias com 50 instituições, que estarão integradas à diversificada programação do espaço. Tudo para gerar discussões e conexões relevantes para conservação dos oceanos. A Casa começa a funcionar nessa segunda-feira (10/11), no dia da abertura oficial da COP30. Além de ONGs, empresas privadas e instituições públicas – como Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, ICMBio, Secretarias do Pará – a Casa do Oceano ganha reforço da Academia.

Marcam presença a Universidade Federal do Pará, a Cátedra Unesco de Sustentabilidade Oceânica, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Sorbonne, e a Universidade de Abu Dhabi. “Reunir mais de 50 instituições em um mesmo espaço dedicado à conservação dos oceanos é um marco que nos enche de esperança. Essa articulação mostra o quanto a causa oceânica vem ganhando força e relevância, e reforça nosso compromisso coletivo com soluções concretas. Estamos certos de que, a partir dessa troca de conhecimentos e experiências, surgirão propostas transformadoras que poderão impactar positivamente o futuro dos nossos mares e das comunidades que deles dependem”, destaca David Schurmann. Empresas privadas também que investem em ações da Voz dos Oceanos também marcam presença, colaborando com debates e soluções para, por exemplo, upcycling de resíduos plásticos coletados no litoral e cases de transição energética. O #OxeRecife tem mostrado casos de empresas que fabricam de óculos a guaritas com plásticos coletados nos oceanos.
Entre os assuntos em discussão na Casa Vozes dos Oceanos na COP30, encontram-se: 1 -Divulgação da Estratégia Oceano sem Plástico. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima fará a apresentação oficial do documento que tem o objetivo de prevenir, reduzir e eliminar a poluição por plástico nos oceanos por meio da coordenação de políticas públicas e da colaboração entre diversos setores. Programado para 16/11, às 17h. 2- Divulgação de estudo científico inédito sobre a presença de microplásticos em bivalves – A pesquisa foi feita por uma tripulação feminina, que passou por 17 destinos em 15 estados brasileiros, entre Santa Catarina e Pará. O objetivo é a identificação de possível contaminação por microplástico de frutos do mar consumidos pela população. Os resultados serão apresentados em evento na Casa dia 17/11, às 14h. 3- Roda de conversa “Janja e as Mulheres na Conservação” – participação da primeira-dama brasileira em um bate-papo sobre o protagonismo feminino na pauta ambiental e oceânica, no dia 19/11. A programação da Casa Vozes do Oceano está disponível em https://casa.voiceoftheoceans.com/.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Instituto Voz dos Oceanos; National Geographic (Acervo #OxeRecife) e Letícia Lins / #OxeRecife

Iniciativa fantástica Letícia! Esperemos que rendam bons frutos! O planeta precisa e agradece! Parabéns por nos trazer o tema!
Parabéns Letícia pela matéria, esse tão importante tema, pouco divulgado. Fico esperançoso no sussesso do evento por ter a Família Schurmann, à frente.