Conhecido por dar visibilidade às manifestações folclóricas, o saudoso Mestre Salustiano, o Salu (1945-2008), costumava organizar eventos em sua Casa da Rabeca, na Cidade Tabajara (Olinda), que ajudaram não só a divulgar nossos grupos populares, como também serviram de incentivo para que novos grupos se formassem. Um exemplo disso foi a explosão de maracatus rurais, cujos lanceiros se transformaram em ícones do carnaval e um marco de identidade do “país” Pernambuco. Os maracatus rurais existiam em pequena quantidade no nosso Estado. Mas o número subiu para 115 , após o festival que ele fazia na segunda-feira de carnaval, o Encontro Estadual de Maracatus de Baque Solto, que em 2025 chegou à sua 33ª edição.
E que atrai milhares de foliões, turistas e curiosos a cada ano. Agora, em meio às celebrações dos 80 anos do nascimento de Salu, a Casa da Rabeca realiza a 30ª edição do Encontro Nacional de Cavalo Marinho, mantendo a tradição dos festejos no dia 25 de dezembro. O evento foi criado por Salu, que ganha homenagem especial este ano, com apresentações de brincantes de diversas gerações. A festa tem acesso gratuito e começa às 18h da quinta-feira. O Cavalo Marinho é uma variação do Bumba-Meu-Boi, típico da Zona da Mata, aqui em Pernambuco. A manifestação é vista, também, em outros estados do Nordeste. Com performances que envolvem música, teatro, coreografias e falas improvisadas, os brincantes encenam um auto de Natal, prestando homenagem aos Reis Magos, que na tradição cristã teriam visitado Jesus logo após o seu nascimento, trazendo presentes para a criança

Estão confirmados participantes de diversas regiões do Estado. Entre eles, o Cavalo Marinho Boi Matuto de Olinda, criado em 1968 pelo próprio Mestre Salustiano em 2008, e mantido pelos filhos e netos. Também confirmada a presença do Cavalo Marinho Flor de Manjerona (formado exclusivamente por mulheres, filhas e netas do Mestre), de Olinda. E ainda: o Cavalo Marinho Boi Pintado, do Mestre Grimário (Aliança) ; e o Cavalo Marinho Boi Estrela, do Mestre Fabinho (Recife).
Mas nem tudo será movido a Cavalo Marinho, no dia 25. Haverá, também, o resgate da Ciranda Nordestina, lançada por Salu e pelo Mestre Antônio Baracho, em Olinda, na década de 1970. Nessa nova versão, com mais de uma dezena de integrantes, filhos e netos participam da encenação, cantando e tocando. Também haverá Samba de Coco Cachoeira da Onça (foto abaixo), que chega à Casa da Rabeca pela primeira vez.
O grupo, de Custódia, é liderado pela Mestra Joana Maria da Silva, de 74 anos, uma guardiã do Coco. Recentemente, participou da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém do Pará, representando a cultura local (Custódia fica no Sertão de Pernambuco, a 340 quilômetros do Recife). O evento que ocorre hoje na Cidade Tabajara é uma realização da Casa da Rabeca do Brasil, com apoio da Fundarpe/Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco e Prefeitura de Olinda.

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Serviço:
30º Encontro de Cavalo Marinho
Quando: Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025, 18h
Onde: Casa da Rabeca (Cidade Tabajara – Olinda/PE)
Local: Casa da Rabeca do Brasil (Rua Curupira, 340, Cidade Tabajara – Olinda/PE)
Entrada gratuita
Mais informações: 55 81 9-9606-0181 | @casadarabeca
https://www.casadarabeca.com.br
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação e Acervo #OxeRecife
