“Cadê Miguel?” O menino que esqueceu de ver o mundo, de olho no celular

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Na infância dos nossos avós, pais e por que não dizer na nossa, as fantasias  eram movidas pelas histórias de “trancoso” que envolviam bruxas, fadas, monstros, príncipes e princesas. Mas no século 21, os elementos que movimentavam o imaginário infantil dos séculos passados começa a ser substituída pelo avanço da tecnologia. Hoje, as crianças vivem conectadas, seus ídolos estão no Youtube,  nos games, e ninguém desliga dos tablets e celulares.  Autora de dois livros para adultos, a jornalista e escritora Carol Bradley lança Cadê Miguel ?, no qual chama a atenção para questão cada vez mais oportuna: como aproveitar os benefícios das novas tecnologias sem se desconectar da realidade.

A tarde de autógrafos acontece a partir das 16h do domingo (23), na Livraria Cultura do RioMar, que fica no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Vejam que história interessante: Miguel, o personagem, sai de casa jogando no celular. Mas ele fica tão distraído que, quando a bateria acaba, o garoto percebe que está no… Japão. Aliás, ele havia cruzado o mundo. Mas, de olho no celular, nem percebeu que escalou o Monte Everest, caminhousobre uma baleia sonolenta, navegou por um rio colorido. Ou seja, ele estava tão envolvido com os jogos, que não prestou atenção no mundo ao seu redor.

Atenta  à forma com que meninos e meninas lidam com a tecnologia do século 21, com olhos vidrados em joguinhos e deixando – muitas vezes – de contemplar a natureza ou interagir com outras pessoas, a autora produziu o livro exatamente para alertá-las que há todo um mundo lá fora, distante da movimentação dos heróis dos videogames. Esse envolvimento das crianças com esses novos recursos já se transformou até em problema, ao ponto da Sociedade Brasileira de Pediatria ter lançado um Manuel sobre saúde de crianças e adolescentes na era digital. Carol lembra que a exposição passiva às telas digitais ocorra a partir dois anos com tempo limitado. “O ideal é que até os cinco anos esse tempo de exposição seja de no máximo, uma hora por dia, evitando o momento das refeições e antes de dormir, para não prejudicar o sono”, reforça a autora.

O pior é que pais e babás, muitas vezes, ao invés da imposição de limites ao uso desses equipamentos, até incentivam a manipulação  porque “quando as crianças estão entretidas com os jogos, normalmente ficam quietinhas e isso representa um sossego para os pais já tão cansados com as responsabilidades profissionais e familiares”. Está certa, Carol. Conheço crianças que já acordam com os tablets nas mãos, despertam de madrugada procurando o aparelho e que, muitas vezes, acordam com pesadelos, em que os vilões nos sonhos noturnos são os mesmos que aparecem nas telinhas dos computadores.  Portanto, levem suas crianças ao lançamento do livro de Carol Bradley. A autora é recifense, e é formada em Direito e Jornalistmo. Tem dois livros publicados – Nunca é tarde para recomeçar  e Um conto por dia. Mas Cadê Miguel?  é o seu primeiro livro infantil.

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Serviço
Lançamento do livro Cadê Miguel? (Com contação de história de Ilana Ventura)
Local: Livraria Cultura do shopping RioMar
Data: 23 de setembro (domingo)
Horário: 16h às 19h
Preço do livro

Texto: Letícia lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação

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